O ex-jogador do Avaí Nathan Palafoz está entre os jogadores citados em conversas que apontam um possível esquema de manipulação de jogos do futebol brasileiro, investigado pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO). A suspeita é de que ele teria recebido R$ 15 mil para levar um cartão amarelo em um dos jogos do time catarinense no ano passado. As informações são do ge.

Continua depois da publicidade

Receba as principais notícias de Santa Catarina pelo WhatsApp

Segundo a investigação, que faz parte da Operação Penalidade Máxima II, o nome do atacante, que atualmente joga na Lituânia, aparece em conversas por WhatsApp que apontam que ele teria recebido R$ 15 mil para levar um cartão amarelo no empate do Avaí por 1 a 1 contra o Athletico-PR, na 26º rodada da Série A do brasileiro, em setembro de 2022. Na época, Nathan estava emprestado ao Leão, já que pertencia ao Corinthians.

Saiba como funcionava o esquema de manipulação de jogos com alvos em SC

Um comprovante bancário mostrou o pagamento de Camila Silva da Motta para o jogador, no dia 9 de setembro. O atacante entrou em campo aos 28 minutos do segundo tempo, porém não cometeu faltas ou foi advertido pelo árbitro da partida.

Continua depois da publicidade

Ainda segundo a investigação, como ele não conseguiu cumprir o objetivo, ele devolveu o dinheiro aos apostadores. A aposta seria uma “múltipla de 4”, que combinaria outras três ações simultâneas.

A promotoria teve acesso a conversas de um dos apostadores, sugerindo o pagamento a Nathan, a quem ele chama de “filhão do técnico”, em referência a proximidade dele com Eduardo Barroca, técnico do time na época, o que aumentaria as chances dele de jogar naquela partida.

“Se quiser, eu trinco ele (Nathan) do bolso e acerto ele”, diz a mensagem.

Outro apostador, identificado como Léo Cunha, pergunta ao outro interlocutor quanto o jogador teria pedido de “sinal”. A resposta foi “15”, o que equivaleria aos R$ 15 mil que aparecem no comprovante de Pix.

O jogador disputou sete jogos pelo Avaí. O último foi em 2 de novembro. Já neste ano, jogou oito vezes pelo Nova Iguaçu, no Campeonato Carioca, também cedido pelo Corinthians. Depois, rescindiu com o Timão e foi para o FK Riteriai, da Lituânia.

Continua depois da publicidade

A reportagem entrou em contato com o agente Jorge Moraes, que trabalha com o jogador, que disse desconhecer o caso. Também entrou em contato com a assessoria do Avaí, mas não obteve retorno até a publicação.

Escândalo de manipulação no futebol tem jogador catarinense citado

Relembre o caso

O MP de Goiás fez uma nova denúncia sobre manipulação de jogos no futebol brasileiro. Agora, estão sob investigação partidas das Séries A e B do Brasileiro de 2022, além de confrontos estaduais que aconteceram neste ano.

Ao menos 20 partidas são analisadas pelo MP. A denúncia é baseada a partir da busca e apreensão de equipamentos em fases anteriores da Operação Penalidade Máxima e já foi acatada pela Justiça, que já tornou 16 pessoas investigadas.

Clubes e casas de apostas são tratados como vítimas. Os casos envolvem apostas para lances como punições com cartões amarelo ou vermelho e cometer pênaltis. Bruno Lopez de Moura, apostador que foi detido na primeira fase da operação, é apontado como líder da quadrilha pelo MP.

Continua depois da publicidade

Na fase anterior, alguns jogadores foram alvos de uma operação de busca e apreensão: os zagueiros Victor Ramos, da Chapecoense, Kevin Lomónaco, do Bragantino, Paulo Miranda, ex-Juventude, e Eduardo Bauermann, do Santos, os laterais-esquerdos Igor Cariús, do Sport, e Moraes, ex-Juventude e hoje no Atlético-GO, e o meia Gabriel Tota, ex-Juventude e atualmente no Ypiranga-RS.

Já na atual, foram adicionados os nomes dos volantes Fernando Neto, ex-Operário-PR e hoje no São Bernardo, e Nikolas, do Novo Hamburgo-RS, e do atacante Jarro Pedroso, do Inter-SM.

A Promotoria pede a condenação do grupo, além do ressarcimento de R$ 2 milhões aos cofres públicos por danos morais coletivos.

Penalidade Máxima

As investigações tiveram início no final de 2022 depois que o volante Romário, do Vila Nova-GO, aceitou uma oferta de R$ 150 mil para cometer um pênalti na partida contra o Sport na Série B do Campeonato Brasileiro. Ele recebeu um sinal de R$ 10 mil e só teria os demais R$ 140 mil após a partida. Como não foi relacionado, tentou cooptar outros colegas de time, mas não teve sucesso.

Continua depois da publicidade

A história foi descoberta pelo presidente do time, que investigou o caso e entregou as provas ao MP. A primeira denúncia indicava que havia três jogos suspeitos na Série B do ano passado. Porém, após novas investigações, foi possível identificar partidas de outros campeonatos envolvidas no esquema.

Oito jogadores de diferentes públicos foram denunciados ao MP e viraram réus por participarem do suposto esquema. São eles: Romário (ex-Vila Nova), Joseph (Tombense), Mateusinho (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Cuiabá), Gabriel Domingos (Vila Nova), Allan Godói (Sampaio Corrêa), André Queixo (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Ituano), Ygor Catatau (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Sepahan, do Irã) e Paulo Sérgio (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Operário-PR).

Eles estariam envolvidos no esquema de cometer pênaltis no primeiro tempo dos jogos Vila Nova x Sport, Criciúma x Tombense e Sampaio Corrêa x Londrina. Isso só não aconteceu na partida entre goianos e pernambucanos, já que Romário e Gabriel Domingos não jogaram.

Leia também:

Jogador da Chapecoense investigado por manipulação de jogos treina após prestar depoimento

Continua depois da publicidade

Destaques do NSC Total