A Polícia Civil recebeu os prontuários médicos de Maria Luiza Bogo Lopes e um deles revelou que a jovem estava com dengue hemorrágica, informação que não havia sido confirmada até então. Gestante, a moradora de Indaial e a bebê que esperava morreram na semana passada em Blumenau após ela procurar atendimento médico quatro vezes em Indaial.
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O delegado Ícaro Malveira recebeu o prontuário do Hospital Santo Antônio de Blumenau na manhã desta quinta-feira (9). O documento, junto com a papelada do Hospital Beatriz Ramos de Indaial, foi encaminhado à Polícia Científica, que nos próximos dias deve apontar detalhadamente não só o que matou a jovem, mas também se houve imprudência, negligência ou imperícia de alguma das equipes médicas.
Pelo atestado de óbito, a jovem morreu devido a uma “coagulação intravascular disseminada, um descolamento prematuro da placenta e síndrome de HELLP”, uma complicação grave da gestação, considerada uma forma severa de pré‑eclâmpsia.
Sonho interrompido
Maria vivia a primeira gravidez e se aproximava dos sete meses de gestação. Nas redes sociais, ela e o namorado publicavam sobre a ansiedade pela espera da filha Jhenifer. No mês passado, foi diagnosticada com diabetes gestacional e encaminhada a uma nutricionista. A consulta seria no último dia 30, mas a moradora de Indaial não conseguiu ir por causa de um mal-estar.
Com dor por todo o corpo e febre, procurou o Beatriz Ramos no dia 30 de março. Segundo a família, Maria passou por exames que não detectaram problema algum e foi liberada. No dia seguinte, voltou e os exames apontaram uma diminuição nas plaquetas. A equipe médica teria suspeitado de dengue, mas voltou a liberá-la.
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No primeiro dia deste mês, ainda mais fraca, Maria procurou o mesmo pronto-atendimento de manhã e à noite. Foi medicada e dispensada. Na quinta-feira passada (2), recorreu ao posto de saúde onde fazia o pré-natal, que a levou ao Hospital Beatriz Ramos.
Em estado grave, a garota foi atendida em caráter de urgência. Lá, a família soube que ela sofria de uma infecção generalizada. A paciente foi levada às pressas ao Hospital Santo Antônio, em Blumenau, pelo Samu.
Foi questão de horas para que todo o episódio se desenrolasse. No Santo Antônio, ela passou por uma cesariana de emergência. Mãe e bebê morreram. O enterro foi na sexta-feira (3). A família registrou um boletim de ocorrência na terça (7), dando início à investigação.
O que diz o Hospital Santo Antônio
O Hospital Santo Antônio informa que, conforme os protocolos legais vigentes, o acionamento do Instituto Médico Legal (IML) é indicado em casos de mortes decorrentes de causas externas, como acidentes e violências.
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No caso em questão, a paciente deu entrada na instituição em estado gravíssimo, sendo prontamente atendida pelas equipes do pronto-socorro, obstetrícia, pediatria e neonatologia. A evolução clínica foi compatível com quadro de origem clínica, com suspeita de choque associado a processo infeccioso, com base nos sinais e sintomas apresentados no momento da admissão.
Diante desse contexto, não houve indicação legal para acionamento do IML.
Ressaltamos que foi oferecida à família a possibilidade de encaminhamento ao Serviço de Verificação de Óbito (SVO), estrutura responsável por investigar causas de morte de origem natural não totalmente esclarecidas. O SVO poderia contribuir para a elucidação da etiologia do possível quadro infeccioso, embora não haja garantia de identificação do agente causador.
O Hospital Santo Antônio permanece à disposição das autoridades competentes para quaisquer esclarecimentos necessários e reforça seu compromisso com a transparência, ética e qualidade assistencial.
O que diz o Hospital Beatriz Ramos
A Associação Beneficente Hospital Beatriz Ramos informa que, desde a ocorrência envolvendo a paciente Maria Luiza Bogo Lopes, iniciou imediatamente a adoção de todas as medidas cabíveis para o esclarecimento completo dos fatos.
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O caso está sendo submetido a investigação técnica rigorosa, conduzida em conformidade com os protocolos do Conselho Federal de Medicina e do Ministério da Saúde, respeitando todos os fluxos institucionais aplicáveis.
A apuração ocorre no âmbito da Comissão Técnica Hospitalar, com análise criteriosa e detalhada, incluindo a revisão minuciosa de todo o processo assistencial desde o primeiro atendimento prestado à paciente.
O Hospital Beatriz Ramos lamenta profundamente o ocorrido e expressa sua solidariedade à família neste momento de dor. A instituição reafirma seu compromisso com a ética, a transparência e a responsabilidade, assegurando que a apuração será conduzida com a máxima seriedade.





