Santa Catarina acumula mais de 4 mil casos prováveis de dengue nas primeiras semanas de 2024. De acordo com dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES), ao comparar com o mesmo período do ano passado, o aumento foi de 910,75%. Por conta da “explosão” na transmissão da doença, uma série de medidas foram anunciadas pelo governo estadual para tentar controlar a proliferação.

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Os casos prováveis de dengue são aqueles que não foram descartados pelos órgãos de saúde. A região Nordeste é a que concentra o maior número com 1.625. Em seguida vêm a Grande Florianópolis, com 995, e a Foz do Rio Itajaí, com 686. Conforme a secretária de Estado da Saúde, Carmen Zanotto, a precocidade no aumento dos casos gerou alerta na pasta.

— Estamos percebendo que, com a notificação dos casos suspeitos, aquilo que aconteceu na primeira semana de março de 2023 está acontecendo nas primeiras semanas de 2024. Isto está ligado com a presença da chuva, calor mais intenso, que tem sido um ambiente propício [para o mosquito], além de estarem se adaptando cada vez mais ao meio ambiente — pontua.

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Só neste ano, 5.503 focos do mosquito foram identificados em Santa Catarina. Em todo o ano passado, foram 72.759. Por isso, uma campanha de comunicação em massa deve ser feita nas próximas semanas para conscientizar a população sobre os cuidados com a dengue.

Além disso, o Detran deve fazer o leilão de cerca de 10 mil veículos, que estão recolhidos há mais de dez anos em depósitos, para tentar conter o número de focos. Ainda de acordo com a secretária, outros R$ 5 milhões em recursos serão liberados aos municípios para ações de combate a doença.

— Também já estamos discutindo se vamos antecipar o decreto de emergência. Além disso, a partir da semana que vem vamos instalar o Grupo de Ações Coordenadas (GRAC) aqui na Defesa Civil porque precisamos da participação de todos os atores. O Coi vai fazer a articulação de todas as ações que vamos realizar — explica.

Os anúncios foram feitos após uma reunião entre o governador Jorginho Mello e representantes da Secretaria de Saúde na manhã desta quinta-feira (25).

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— O motivo da reunião foi antecipar o que foi feito no ano passado. O resultado e a consequência [do aumento dos casos] se agrava a cada minuto. Por isso, discutimos como precisamos agir. Precisamos antecipar as ações. Dengue mata. Nós estamos preocupados com isso — pontua.

No ano passado, 98 óbitos foram registrados no Estado. Neste ano, uma morte foi confirmada, em Joinville. Outros dois casos, que ocorreram em Blumenau e Garopaba, seguem em investigação.

— A gente precisa cuidar dos sintomas e fazer com que cada um compreenda que a dengue pode matar. Se a gente não compreender isso, não vamos conseguir reduzir os casos — complementa a secretária Carmen Zanotto.

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Vacinação contra a dengue

Nesta quinta-feira, o Ministério da Saúde informou que 13 municípios, que integram a região de Saúde do Nordeste, vão receber as primeiras doses da vacina contra a dengue em Santa Catarina. São eles: Araquari, Balneário Barra do Sul, Barra Velha, Corupá, Garuva, Guaramirim, Itapoá, Jaraguá do Sul, Joinville, Massaranduba, São Francisco do Sul, São João do Itaperiú e Schroeder.

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Para a escolha das cidades, o governo federal formulou alguns critérios em conjunto com o Conass e Conasems, órgãos representantes de estados e municípios. Entre eles estão os municípios de grande porte (mais de 100 mil habitantes) com alta transmissão de dengue, maior número de casos em 2023 e 2024, predominância do sorotipo DENV2 e definição por regiões de saúde, abrangendo todas as regiões do país.

A previsão é de que as doses sejam aplicadas nas cidades catarinenses em fevereiro. No entanto, a SES aguarda a nota técnica do Ministério da Saúde para definir os próximos passos.

— A gente acredita que para o ano que vem teremos outro desenho, já que a Fiocruz está desenvolvendo a vacina própria [contra a dengue]. Vamos receber a nota técnica nas próximas horas, com a quantidade de doses, o quantitativo da primeira etapa e como será a distribuição — sinaliza a secretária Carmen Zanotto.

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