Amanda Maria Souza de Oliveira, mulher de 37 anos que foi presa em SC por se passar por adolescente de 12 anos, já aplicou o mesmo golpe em, ao menos, sete estados brasileiros. No Rio de Janeiro, ela já havia sido presa pelo crime, mas foi solta posteriormente.
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Após a prisão em Joinville, a mulher afirmou que já fingiu ser adolescente em cidades como Porto Alegre (RS), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Chapecó (SC), Nova Iguaçu (RJ), além de estados como Minas Gerais, Goiás e Ceará — de onde é natural.
Ainda conforme o documento de audiência de custódia de Amanda, que converteu a prisão em flagrante em preventiva, tais comportamentos são, ainda, compatíveis com relatos de casos semelhantes ocorridos no ano de 2023.
Como agia a falsa adolescente
Em entrevista exclusiva ao NSC Total, uma moradora do Rio de Janeiro contou que Amanda alegava ser autista e ter outras condições clínicas. Além disso, para reforçar o papel de criança ela simulava comportamentos infantilizados e lúdicos, como o uso de “cheirinho” para dormir, mamadeira e chupeta.
Moradora de Nova Iguaçu, ela e uma amiga foram procuradas por Amanda por meio das redes sociais.
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— Em 2023, ela me procurou através do Facebook do “Instituto Mãos que Abençoam Com Amor”, pedindo socorro. Alegou ser do Ceará e que tinha sido obrigada a se prostituir pelo pai, que era bruxo, e que tinha conseguido fugir pedindo carona — relembra a voluntária, que prefere não se identificar.
Junto com uma amiga, a mulher foi até a cidade de Magé, também no Rio de Janeiro, para buscar a “adolescente”, que havia sido abrigada por uma idosa por alguns dias.
— Trouxemos ela para Nova Iguaçu, mobilizamos amigos, alugamos uma casa e cuidávamos dela. Ela parecia ser uma adolescente obesa, com autismo… Falava como criança — detalha.
A estratégia foi utilizada em todas as cidades pelas quais passou. Rodrigo Bueno Gusso, delegado responsável pela investigação em Joinville, ainda relatou que Amanda afinava a voz, simulava crises de pânico à noite, carência e outras necessidades geralmente relacionadas à infância.
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A farsa no Rio de Janeiro durou pouco tempo. A voluntária do Instituto Mãos que Abençoam Com Amor diz que passou a desconfiar da situação quando percebeu que a “menina” tentava criar intrigas entre ela e a amiga.
Crime também foi descoberto em Goiás
A mesma situação foi constatada em Goiás, onde a falsa adolescente passou por novo exame em 2024. O Comando do Policiamento da Polícia Militar de Goiânia chegou a divulgar imagens de um raio-x realizado no Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad).
Na unidade, a equipe médica confirmou a idade real da suspeita e o golpe foi descoberto. Amanda foi liberada e levada para Central de Flagrantes da Polícia Civil do estado.
Amanda Maria Souza de Oliveira chegou a ser presa nos dois estados, mas permaneceu pouco tempo no sistema prisional. Embora tenha sido colocada em liberdade, ela foi condenada em Goiás pelo crime de falsidade ideológica e ainda não cumpriu a pena imposta pela Justiça.
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Prisão preventiva
Em audiência de custódia, nesta quarta-feira (3), a defesa de Amanda Maria Souza de Oliveira solicitou uma avaliação psiquiátrica da mulher, enquanto o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) requereu a prisão preventiva da investigada.
A Justiça acatou a solicitação do MPSC e decretou a prisão preventiva de Amanda no final da tarde desta quarta. Ela será encaminhada ao Presídio Feminino de Joinville. Procurada pelo NSC Total, a defesa afirmou que identificou elementos que justificaram o pedido de realização de exame de sanidade mental.
“O requerimento foi acolhido pelo Juízo, que determinou a realização de perícia oficial para avaliação de sua condição psíquica. A defesa aguarda a conclusão da perícia técnica, que poderá contribuir para o adequado esclarecimento das circunstâncias relacionadas ao caso e para a adoção das medidas processuais cabíveis”, afirmou o advogado Rafael Luiz Siewert.
Confira a nota da defesa na íntegra
“Fui nomeado defensor dativo da investigada, uma vez que a Defensoria Pública não atua perante o Juízo de Garantias da Comarca de Joinville.
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Após a análise dos autos e entrevista com a custodiada, a defesa identificou elementos que justificaram o pedido de realização de exame de sanidade mental. O requerimento foi acolhido pelo Juízo, que determinou a realização de perícia oficial para avaliação de sua condição psíquica.
Neste momento, a investigada permanece à disposição da Justiça em razão da decisão que converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva e da necessidade de realização do exame pericial já determinado.
A defesa aguarda a conclusão da perícia técnica, que poderá contribuir para o adequado esclarecimento das circunstâncias relacionadas ao caso e para a adoção das medidas processuais cabíveis.Por respeito ao andamento das investigações e aos direitos da investigada, não serão prestados comentários sobre o mérito dos fatos neste momento.”









