Amanda Maria Souza de Oliveira, a mulher de 37 anos que foi presa em SC por se passar por adolescente de 12 anos, já tinha aplicado o mesmo golpe em outros estados. Ela teria começado a farsa com pelo menos 22 anos, em Natal, capital do Rio Grande do Norte. Na época, também fingia ser uma adolescente de 11 anos. Entretanto, antes ainda, teria cometido a fraude no Ceará.

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O caso do Rio Grande do Norte foi descoberto em 2010, quando Amanda tinha 22 anos. Um hospital da cidade ligou para a Polícia Civil e informou que uma criança havia sido encontrada com centenas de agulhas pelo corpo. 

— Ela estava no hospital, foi retirado uma uma certa quantidade de agulhas dela, que ela realmente tinha colocado um pouco. A gente começou as investigações e descobrimos que ela já tinha feito isso lá lá em Fortaleza (Ceará) e tinha vindo para cá. Nós chegamos a fazer todo o acompanhamento dela na delegacia, deu toda assistência aqui nesse sentido, mas a gente descobriu que ela não era menor de idade, o próprio hospital falou que não tinha condições de ser menor de idade. Aí depois a gente descobriu que o nome dela, verdadeiro, era Amanda — relembra o delegado Luiz Lucena.

O delegado conta que indiciou a mulher sem solicitação de exames de sanidade mental. Porém, afirma que ela estava lúcida quando foi ouvida no Rio Grande do Norte. Quinze anos depois, ele não soube dizer qual foi o desfecho do caso por conta do sigilo do processo.

Agulhas motivaram pedido de exame em falsa adolescente

A mulher foi descoberta após novo golpe, desta vez em Santa Catarina. Entretanto, ela possui registros do mesmo modus operandi em outros seis estados, incluindo Rio Grande do Norte, Ceará, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, por exemplo.

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Amanda foi presa na última terça-feira (2) em Joinville. O advogado de defesa Rafael Luiz Siewert solicitou à Justiça catarinense a realização de um exame psiquiátrico em Amanda, o que foi autorizado. O defensor explica que ainda não há data para que ela passe pela avaliação, pois a ação vai depender da Polícia Científica, que é responsável pela realização do teste.

Em entrevista ao NSC Total, Siewert explicou o que motivou o pedido de exame de sanidade mental à Justiça.

— Há informação nos autos que em um determinado momento que ela havia sido presa com 200 agulhas sobre a pele. Então, isso me chamou a atenção. Atrelado a isso, ela apresentava lesões também no corpo e quando ela é indagada, tanto por mim, na entrevista prévia, como pelo magistrado na hora da audiência, ela falou que tem problemas de automutilação — conta o advogado.

Ainda não se sabe se as agulhas foram inseridas na pele por ela mesma ou por outra pessoa. 

Apesar do exame, mulher já foi indiciada em SC

O delegado Rodrigo Bueno Gusso, responsável pela investigação em Joinville, informou que já finalizou o inquérito policial e indiciou Amanda pelos crimes de estelionato e falsa identidade.

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O caso “surreal” foi comparado a um roteiro de filme pelo delegado que, com mais de 20 anos de carreira, não havia sido responsável por um caso como este, conta.