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Falta de garrafas de vidro afeta produção de cervejas em SC e faz preço ao cliente aumentar

Valor do recipiente dobrou no último ano, de acordo com dados da Acasc; apesar disso, bares garantem que não faltará cerveja no verão

16/12/2021 - 09h00

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Fernanda
Por Fernanda Mueller
Cervejarias de SC temem piora do problema no verão
Cervejarias de SC temem piora do problema no verão
(Foto: )

A escassez de embalagens de vidro tem preocupado as cervejarias de SC, que além das dificuldades para comprar garrafas precisam pagar mais caro por elas. Empresários do setor dizem que o problema deve piorar no verão, causando queda na produção. As indústrias de vidro explicam que a situação deve se normalizar só em 2023. 

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O presidente da Associação das Microcervejarias Artesanais de Santa Catarina (Acasc), Alexandre Mello, relata que empresas pequenas foram afetadas de forma grave pela falta de garrafas longneck, como também de garrafas 500ml e 600ml.  

— Como as micro e pequenas cervejarias têm pouco volume de compra, as fábricas de vidro não têm interesse em vender diretamente para cervejarias. O que nos deixa na mão dos distribuidores, que também agregam valor ao seu preço. O valor das embalagens de vidro praticamente dobrou — relata. 

O empresário do setor diz que antes da pandemia pagava cerca de R$ 0,65 por uma garrafa long neck, e hoje está mais de R$ 1,35.  

Para Valmir Zanetti, diretor da Cerveja Blumenau e presidente do Vale da Cerveja, que reúne 13 cervejarias do Vale Europeu, esse aumento de preço precisa ser repassado ao consumidor, o que torna o mercado menos competitivo.   

— Está inviabilizando a concorrência com as empresas maiores. As empresas pequenas não conseguem mais comprar a garrafa da indústria, tem que comprar do atravessador, isso encarece e deixa ela menos competitiva. Muitas pequenas cervejarias estão saindo do segmento de garrafas. Há uma tendência de se concentrar de novo em poucas marcas com garrafas — relata.

Menos cerveja no verão? 

No verão o problema de falta de garrafas pode se agravar, segundo Alexandre Mello. Em vez de dobrar a produção, como geralmente acontece, as cervejarias menores terão que produzir menos. 

— A tendência é que fique ainda mais difícil conseguir embalagens a preços competitivos. Algumas fábricas já reduziram a produção, pois nem sempre conseguem encontrar embalagens de vidro nos distribuidores — relata. 

Com expectativa de uma temporada de verão com movimento do pré-pandemia em Santa Catarina, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), diz que não não faltará cerveja.   

— Por enquanto não estamos tendo problema de falta de cerveja e não acreditamos que esse será um problema do setor no verão. Se tem ruptura numa semana, por alta demanda, na outra já é abastecido. O consumidor catarinense não será afetado — explica Juliana Mota, conselheira da Abrasel/SC.  

> Sete em cada 10 indústrias de SC têm dificuldades para comprar insumos

De acordo com Lucien Belmonte, superintendente da Associação Brasileira das Indústrias de Vidro (Abividro), estava previsto que o aumento da demanda por garrafas neste verão iria tornar o produto mais escasso. Segundo ele, as empresas que compraram antes, por volta de maio de 2021, estão em uma situação mais confortável. 

— Quem usa garrafa sabe que o mercado ia estar justo. Não é produto de prateleira, você não tem sobra de vidro. Quem se antecipou para comprar não está tendo problema. Não vai faltar cerveja — diz. 

Melhora do cenário

O problema da falta de vidro já existia antes da pandemia, mas durante o ano de 2020 se intensificou. É um problema mundial e estrutural, por falta de indústrias, explica o superintendente da Abividro. 

Um investimento de R$ 2 bilhões foi feito para implantar novas fábricas de vidro do Brasil. A previsão é de que as indústrias comecem a funcionar entre a metade de 2022 e 2023, quando a situação para quem depende das garrafas de vidro deve melhorar.

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