O homem de 51 anos, preso após confessar ter assassinado a ex-mulher, foi para o trabalho depois do crime e voltou ao local quando recebeu a ligação de familiares de Sonia Matielo “avisando” sobre a morte. De acordo com o delegado Éder Matte, responsável pelo caso, o suspeito tinha contato próximo da família e, inclusive, “relação amigável” com a vítima. Ela foi morta na manhã de quinta-feira (22) em Chapecó, no Oeste catarinense.

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O casal teve uma relação de 30 anos, e fruto do relacionamento nasceu uma menina, que atualmente é uma jovem de 27. Sonia havia posto fim ao casamento há cerca de dois meses, mas, conforme o investigador, continuava em contato com o ex após a separação.

No dia anterior ao assassinato, inclusive, o homem havia ido ao apartamento de Sonia para definirem a divisão de bens e outros detalhes do divórcio. Durante a conversa, no entanto, ele teria tentado reatar com ela. Foi quando a vítima disse que já estava em outro relacionamento amoroso. A versão foi dada pelo suspeito durante depoimento à polícia.

— A própria filha falou que eles tinham uma relação boa. Só que o estopim, na verdade, foi durante essa tarde que eles passaram juntos, e ele querendo reatar. Segundo ele, ficou transtornado [ao saber do novo relacionamento da ex] e disse que não aguentaria que ela tivesse outro homem — detalha o delegado.

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Assassino confesso tentou forjar cena do crime

Quando encontrada, por volta das 8h, Sonia já estava morta dentro do próprio carro, um Ford Fiesta branco, em uma rua no bairro Efapi, a cerca de um quilômetro do condomínio em que morava, perto de uma unidade de pronto atendimento (UPA). Inicialmente, equipes de segurança e saúde foram acionadas para atender um suposto acidente de trânsito, já que a vítima havia batido contra uma moto que atingiu outros três veículos.

Na sequência, os familiares foram avisados e ligaram para o ex-marido, sem saber que tratava-se do assassino. Ele estava no trabalho quando retornou à cena do crime.

— Ele compareceu no local, até bem abalado, chorando bastante. O pessoal até se sensibilizou. Aí ele dá um relato ali como se não soubesse de nada, que seria apenas o ex-marido e estaria sofrendo com a situação. Mas aí, posteriormente, a gente foi trabalhando no caso e conseguimos mais detalhes, descobrindo que o acidente foi simulado — afirma o delegado.

O investigador cita que o objetivo do suspeito era de enganar a polícia dando a entender que a mulher havia sofrido um mal súbito e, na sequência, perdido o controle da direção. Mas a hipótese foi descartada já no local, porque a vítima estava com marcas no pescoço e peritos chegaram à conclusão preliminar de que a morte tenha sido ocasionada por asfixia. A polícia, no entanto, ainda aguarda o laudo cadavérico para confirmar a causa do óbito.

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Após a descoberta de simulação do crime, o suspeito foi chamado para comparecer na delegacia. Depois de dar várias versões contraditórias, acabou confessando ter matado a ex-mulher.

Veja fotos do local do acidente forjado

Homem assassinou mulher na garagem e dirigiu sentado no colo da cadáver

O delegado Éder Matte ainda detalha que o ex-marido confessou ter assassinado a mulher na garagem da casa dela e, para despistar o crime, teria dirigido o veículo de Sônia sentado no colo do cadáver até o local em que tentou forjar um acidente de trânsito.

Após passar a tarde com ela, na quarta-feira (21), contou em depoimento que voltou ao prédio da vítima e conseguiu entrar porque um vizinho que estava de saída havia aberto o portão. Como ele morava com ex-companheira no endereço e era conhecido dos moradores, a presença dele no local não levantou suspeitas.

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Sonia estava de saída para o trabalho, por volta das 6h40min de quinta-feira, quando foi morta.

— O carro estava no estacionamento do prédio, e ele tinha uma cópia da chave do veículo. Aí ele entra no carro e fica escondido atrás do banco do motorista, esperando ela entrar. O carro tem películas escuras, então quando ela chegou perto, não conseguiu ver nada. Quando ela entra, ele, com um fio de luz, a estrangula — relata o investigador.

Com Sonia já sem vida, o ex-marido arrasta o banco do motorista para trás, senta no colo do cadáver e dirige por cerca de um quilômetro até chegar em uma rua inclinada, onde colocou o carro no ponto morto, saiu e deixou o veículo descer a ladeira e bateu em outros carros.

— Quando ele foi ao prédio de Sonia, deixou a moto estacionada perto e, depois que faz a simulação do acidente, volta a pé até o condomínio. Em seguida, pega a moto e vai para o trabalho — conta o delegado.

O ex-marido foi preso em flagrante e, nesta sexta-feira, passará por audiência de custódia em que será decidido se o flagrante será convertido em prisão preventiva.

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