O rapper Oruam, a mãe dele e o irmão são alvos de uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro que busca conter a expansão territorial de uma facção criminosa. Chamada de Contenção, a ação, que ocorre na manhã desta quarta-feira (29), cumpre 12 mandados de prisão preventiva, que são cumpridos por Agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE). Uma pessoa já foi detida, segundo a polícia. As informações são do g1.

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A decisão foi tomada pela 1ª Vara Criminal Especializada em Crime Organizado da capital do Rio de Janeiro. O pai de Oruam, Marcinho VP, é um dos chefes da facção e está entre os 12 procurados.

Por causa de violações na tornozeleira eletrônica, Oruam já é considerado foragido desde fevereiro deste ano, devido a um processo por tentativas de homicídio. O caso ocorreu durante confusão com policiais em julho de 2025, na porta da casa do rapper.

A mãe de Oruam, a empresária Márcia Gama e um dos irmãos do rapper, Lucca Nepomuceno, também estão entre os alvos da operação.

A reportagem tenta contato com a defesa dos procurados, mas não teve retorno até a publicação.

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Confira quem são os procurados

  1. Carlos Alexandre Martins da Silva, apontado como operador financeiro do grupo, preso nesta quarta
  2. Ederson José Gonçalves Leite, o Sam da CDD, chefão da facção, foragido em outros processos
  3. Edgar Alves de Andrade, o Doca ou Urso, chefão da facção, foragido em outros processos
  4. Eduardo Fernandes de Oliveira, o 2D, chefão da facção, foragido em outros processos
  5. Jeferson Lima Assim, procurado nesta quarta
  6. Lucas Santos Nepomuceno, o Lucca, irmão de Oruam, procurado nesta quarta
  7. Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, chefão da facção, foragido em outros processos
  8. Luiz Paulo Silva de Souza, apontado como operador financeiro da facção, procurado nesta quarta
  9. Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, mulher de Marcinho VP e mãe de Lucca e Oruam, procurada nesta quarta
  10. Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, chefão da facção, já encarcerado
  11. Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o Oruam, foragido em outros processos
  12. Wilton Rabello Quintanilha, o Abelha, chefão da facção, foragido em outros processos

Ação é resultado de um ano de investigações

A fase da Operação Contenção, iniciada nesta quarta-feira (29), decorre de análises de dados de aparelhos eletrônicos apreendidos e do cruzamento de informações financeiras. Essa investigação se estendeu por um ano.

Segundo a DRE, foi descoberto “um sistema estruturado de recebimento, pulverização e reinserção de valores ilícitos no circuito econômico formal”.

No sistema, “recursos provenientes do tráfico eram repassados por lideranças da facção a operadores financeiros, que realizavam a fragmentação dos valores por meio de contas de terceiros, além de utilizá-los para pagamento de despesas, aquisição de bens e ocultação patrimonial”, detalhou a DRE.

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A investigação também identificou diálogos entre Carlos Costa Neves, o Gardenal, um dos chefões do facção criminosa, e um miliciano. Segundo a DRE, “as conversas reforçam a influência de Marcinho VP como liderança central da facção, mesmo após anos de encarceramento”.

A resposta das defesas

Os advogados que fazem a defesa de Oruam e sua mãe, Márcia Gama, disseram que não tiveram acesso aos autos.

Já o advogado Fernando Henrique Cardoso Neves, que defende Oruam, afirmou que não conseguiu ler o pedido de prisão. “Estamos tentando entender do que se trata essa nova operação”, afirmou o advogado Flávio Fernandes, responsável pela defesa da mãe do rapper.

O que é a Operação Contenção

A ação é organizada pelo governo do estado do Rio de Janeiro com objetivo de conter e atacar o avanço territorial da facção criminosa e enfraquecer o funcionamento do grupo, atacando suas bases financeiras, logísticas e operacionais, além de realizar a prisão de envolvidos com o tráfico na região.

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Até a manhã desta quarta-feira (29), o balanço das diferentes fases da operação aponta mais de 300 pessoas detidas e 136 mortes em confrontos. Também foram recolhidas aproximadamente 470 armas, entre elas, 190 fuzis, e mais de 51 mil munições.

*Sob supervisão de Luana Amorim