Muitos ucranianos ainda tentam sair do país após o ataque da Rússia na madrugada desta quinta-feira (24). Volodymyr Borodin, o filho de 3 anos e a mulher, moraram em Santa Catarina e estão entre eles. No momento em que a reportagem fala com a família, que mora em Kyiv, já são 2h da madrugada na capital do país. O medo de um ataque deixa com que apenas o pequeno, que não tem noção da guerra, durma. A família tenta encontrar um jeito para sair do país.

Continua depois da publicidade

> Compartilhe essa notícia no WhatsApp

O ucraniano sabe falar português e o filho é brasileiro, nascido em Balneário Camboriú enquanto o casal morava na cidade. Os três voltaram para a Ucrânia antes da pandemia e, há uma semana, a família comprou uma passagem para o Brasil, já com medo da tensão que aumentava entre o país e a Rússia. 

— Na semana passada nós compramos passagem, porque o clima já estava complicado. Só que hoje aconteceu essa invasão na Ucrânia e todos os aeroportos fecharam, então na verdade a gente não sabe o que fazer, eu tentei entrar em contato com a embaixada brasileira, mas não consegui falar com ninguém — conta Volodymyr.

Após o ataque, a família decidiu passar a noite longe do centro da capital, onde acreditam que pode ocorrer bombardeio. No fuso horário da Ucrânia, o ataque aconteceu por volta das 5h. Desde então, Volodymyr e a família não dormiram.

Continua depois da publicidade

— A gente está com muito sono, mas porque estamos muito preocupados não conseguimos dormir. Está eu, a mãe da minha mulher e a mãe da minha sogra na cozinha, nosso filho já está dormindo. Graças a Deus ele não está entendendo o que tá acontecendo, por isso pode ficar tranquilo — fala o ucraniano.

> Fotos e vídeos mostram cenário de guerra e desespero na Ucrânia após ataque da Rússia

Assim como a maior parte dos ucranianos, o dia começou com o alarme que alertava um ataque. 

— No começo tinha muita informação na tv, eu falava com os meus amigos e um estava mandando vídeo uns para os outros, passando algumas horas a gente entendeu que estamos em uma guerra, uma guerra grande — conta Volodymyr.

> Entenda os motivos da guerra entre Rússia e Ucrânia

O Brasil não possui um plano de resgate dos cerca de 500 brasileiros que hoje vivem na Ucrânia, segundo o secretário de Comunicação e Cultura do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Leonardo Gorgulho. O governo brasileiro estaria estudando implementar um plano para que os brasileiros de evacuem por via terrestre, mas segundo a Ministério, ainda não há data nem ponto de encontro definidos. 

Momentaneamente, a assistência que os brasileiros tem é o contato para falar com a embaixada em Kyiv, capital ucraniana. Aos que conseguirem sair da Ucrânia sem ajuda do governo, poderam encontrar assistência nas embaixadas de países vizinhos, que segundo o Itamaraty, estão de plantão. São elas: embaixada do Brasil em Varsóvia, Minsk, Bratislava e Moscou.

Continua depois da publicidade

> Catarinenses na Ucrânia terão ajuda do Governo de SC para repatriação

No entanto, Volodymyr conta que tentou entrar em contato com a embaixada da capital mas não teve retorno. A preocupação da família agora, é sair do país.

— A gente tá pronto pra sair do país, só que estamos procurando um jeito. Por isso que a gente queria falar com alguém da embaixada, talvez eles possam evacuar com outros brasileiros, com certeza tem outros brasileiros aqui. Talvez pra Polônia ou talvez pra Brasil, é isso que nós queremos. Queremos sair daqui.

Em um vídeo gravado com a mulher e o filho, Volodymyr explica que saiu do centro da cidade e que tenta outras maneiras de ficar seguro e sair da Ucrânia.

Leia também

Terceira Guerra Mundial vai acontecer? Entenda

Jogador de futebol de SC que mora na Ucrânia relata medo e aflição após ataque da Rússia

Invasão da Rússia na Ucrânia vai afetar negócios com empresas de Santa Catarina

Destaques do NSC Total