Considerada uma infecção viral respiratória comum, a gripe pode ser dividida em alguns estágios. Essas fases da doença vão desde o contato inicial com o vírus influenza até a recuperação total. Compreender esse ciclo pode ajudar na hora de definir o melhor tratamento. Claro, aqui estamos falando de situações corriqueiras no que diz respeito à gripe. Em qualquer cenário, porém, a recomendação é que a pessoa busque ajuda médica.

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Estágio 1: Exposição ao vírus

O primeiro estágio da gripe começa quando uma pessoa é exposta ao vírus influenza. Isso pode ocorrer através do contato direto com gotículas de um indivíduo infectado, como tosse ou espirros, ou tocando superfícies contaminadas. O vírus entra no corpo e se fixa nas células do trato respiratório. O período de incubação varia de um a quatro dias. Esse é o tempo entre a exposição e o aparecimento dos sintomas. Durante esse estágio, a pessoa pode não sentir nada, mas o vírus está se replicando rapidamente.

Estágio 2: Início dos sintomas

O segundo estágio marca o início dos sintomas da gripe. Geralmente, eles aparecem de forma repentina. Os primeiros sintomas normalmente são irritação e secura da garganta. Também podem ocorrer febre, calafrios, dores musculares e articulares, fadiga, dor de garganta, tosse seca e congestão nasal.

Nessa fase, a febre é uma resposta do sistema imunológico ao vírus, indicando que o corpo está lutando contra a infecção. Durante esse estágio, o sistema imunológico está em alerta máximo, e começa a produzir anticorpos específicos para combater o vírus.

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Nesse ponto, é importante entender se a pessoa está mesmo gripada, ou se é um resfriado. Em seu canal no YouTube, o doutor Drauzio Varella explica que as duas doenças dão dor de garganta, coriza, olhos avermelhados, e podem dar febre. As semelhanças, no entanto, param por aí.

— O resfriado é provocado por uma quantidade enorme de vírus. E são vírus que não têm nem relação uns com os outros. Em comum, eles têm o fato de atacar as mucosas respiratórias. E só. Esses vírus são mais de 200. Por isso que a gente pega dois ou três resfriados no ano, já que a gente adquire imunidade contra um, mas não contra os outros. Esses vírus acometem a parte alta do sistema respiratório. Ou seja, garganta, um pouco da traqueia, os brônquios maiores, e as mucosas do nariz e dos seios da face, provocando o corrimento nasal, o que é muito característico — diz Drauzio Varella.

Ele destaca que o resfriado geralmente passa no período de dois a cinco dias. Os sintomas geralmente são mais brandos, de modo que as pessoas conseguem tocar o dia a dia.

— A gripe é diferente. A gripe é provocada pelo vírus influenza. E esse vírus influenza é o mesmo vírus que vai sofrendo mutações. Por isso que a vacina da gripe funciona em um ano, mas não funciona no ano seguinte. E esse vírus da influenza provoca uma infecção mais grave. Também dá dor de garganta, coriza, e tosse. Mas eles comprometem as vias aéreas inferiores, os pequenos brônquios. Então é uma tosse mais forte, e a infecção é mais grave. Enquanto o resfriado dá uma febrícola de 37,5°C ou 37,7°C, a gripe dá uma febre mais alta, que pode passar de 38°C. E a gripe derruba, já que o vírus provoca dores musculares e um cansaço — conclui Drauzio Varella.

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Estágio 3: Pico dos sintomas

No terceiro estágio, os sintomas da gripe atingem seu pico de intensidade. A febre pode persistir e até mesmo ficar mais alta, sendo acompanhada por dores musculares e fadiga. A tosse seca pode se agravar, causando irritação e desconforto. A congestão nasal e a dor de garganta também podem permanecer.

Nesse ponto, o sistema imunológico está em sua luta mais intensa contra o vírus, liberando uma série de substâncias inflamatórias para combater a infecção.

Além disso, após alguns dias podem ocorrer sintomas nas vias respiratórias inferiores. Nesse ponto o paciente pode começar a ter uma produção maior de secreções. Com isso, é normal que a tosse tenha expectoração. Nesse caso, o muco produzido tem coloração característica, geralmente com uma textura mais espessa.

— Eu costumo usar como critério a seguinte separação. Se alguém me diz que pegou uma gripe, eu pergunto se a pessoa foi trabalhar. Se ela responder que foi, mas não aguentou e teve que voltar para casa, então provavelmente é gripe mesmo. Se ela disser que conseguiu trabalhar, apesar de estar se arrastando um pouco, então foi resfriado. A diferença é que a gripe joga você na cama, não tem escapatória — diz o doutor Drauzio Varella.

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Importante destacar que é durante esse estágio que os indivíduos correm maior risco de complicações, especialmente os grupos mais vulneráveis, como idosos, crianças pequenas e pessoas com condições médicas pré-existentes.

— Nós pegamos muito mais resfriados no decorrer do ano do que gripes. As gripes são eventos mais raros e mais complicados. Muitas pessoas de idade acabam tendo complicações, como pneumonias, e até perdem a vida depois de quadros gripais. Então essa é a diferença fundamental — conclui Drauzio Varella.

Diferente do que ocorre em resfriados, em casos de gripe a febre pode ser mais alta, passando dos 38°C, segundo explica o doutor Drauzio Varella (Foto: Freepik)

Estágio 4: Recuperação e convalescença

Após o pico dos sintomas, o corpo começa a se recuperar no quarto estágio. É nessa fase que a febre começa a diminuir gradualmente, e a energia começa a retornar aos poucos. A tosse e a congestão ainda podem persistir, mas elas geralmente diminuem em intensidade.

Nesse estágio, o sistema imunológico continua a combater o vírus restante e a reparar os danos causados pela infecção. A recuperação completa varia de pessoa para pessoa, mas muitos indivíduos começam a se sentir significativamente melhor após cerca de uma semana. É importante respeitar o período de convalescença para evitar recaídas e permitir que o corpo se recupere totalmente.

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Estágio 5: Fase de recuperação total

O quinto e último estágio é a fase de recuperação total. Nesse ponto, os sintomas da gripe desapareceram completamente, e o indivíduo retoma sua saúde normal. No entanto, é essencial lembrar que o sistema imunológico pode levar algum tempo para se fortalecer completamente após a infecção. Embora a pessoa possa se sentir bem, ela ainda pode ser mais suscetível a outras infecções por um período. Manter hábitos saudáveis, como uma dieta equilibrada, hidratação adequada e descanso suficiente, é fundamental para apoiar o corpo durante essa fase de recuperação total.

Portanto, a gripe é uma infecção viral que passa por alguns estágios distintos, que vão desde a exposição ao vírus até a recuperação total. Cada estágio desempenha um papel importante na progressão da doença e na resposta do sistema imunológico. Compreender essas fases pode ajudar as pessoas a reconhecerem os sinais precoces da gripe. Desta forma, podem procurar o tratamento adequado e adotar medidas preventivas para evitar a disseminação do vírus.

O autocuidado, a higiene pessoal e a vacinação anual contra a gripe são maneiras eficazes de reduzir o impacto dessa infecção sazonal e proteger a saúde individual e coletiva.

— Esses espirros que a gente dá quando vai na geladeira, ou quando recebe aquele ar frio, ou quando vira o tempo, nem são de gripe, nem de resfriado. Esses espirros são mais relacionados a quadros alérgicos, ou a mecanismos de defesa do próprio aparelho respiratório. Quando vem o ar frio, o que o corpo faz para se defender? Ele faz você espirrar. Então o espirro não quer dizer gripe ou resfriado. Gripes e resfriados são provocados por vírus. Sem o vírus, você pode apanhar a friagem que quiser — explica Drauzio Varella.

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Veja 16 dicas para reduzir os riscos de gripe

  1. Vacinação anual:

A vacina contra a gripe é uma medida preventiva eficaz.
Atualize sua vacinação anualmente, pois o vírus da gripe sofre mutações frequentes.

  1. Higiene das mãos:

Lave as mãos regularmente com água e sabão por pelo menos 20 segundos.
Use desinfetante para as mãos à base de álcool quando água e sabão não estiverem disponíveis.

  1. Etiqueta respiratória:

Cubra a boca e o nariz com um lenço de papel ao tossir ou espirrar.
Se um lenço não estiver disponível, use a parte interna do cotovelo.

  1. Evite contato próximo:

Evite contato próximo com pessoas doentes.
Fique em casa se estiver doente para evitar espalhar a infecção.

  1. Limpeza e desinfecção:

Limpe e desinfete superfícies tocadas com frequência, como maçanetas e telefones.
Isso ajuda a reduzir a propagação do vírus em ambientes compartilhados.

  1. Reforço do sistema imunológico:

Mantenha um estilo de vida saudável com alimentação equilibrada, exercícios e sono adequado.
Um sistema imunológico forte pode ajudar a combater a infecção.

  1. Evite ambientes lotados:

Em épocas de surtos de gripe, evite aglomerações e locais lotados.
Isso reduz as chances de exposição ao vírus.

  1. Mantenha-se hidratado:

Beba bastante água para manter as membranas mucosas hidratadas.
Isso ajuda a proteger o sistema respiratório.

  1. Use máscara em casos necessários:

Em ambientes com transmissão viral ativa, o uso de máscaras pode ser recomendado.
Máscaras ajudam a reduzir a disseminação de gotículas respiratórias.

  1. Evite tocar o rosto:

Evite tocar olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas.
Isso diminui as chances de transferir vírus para as membranas mucosas.

  1. Isolamento quando doente:

Se estiver doente, fique em casa para evitar transmitir a doença.
Isso ajuda a proteger outras pessoas, especialmente aquelas mais vulneráveis.

  1. Acompanhe informações de saúde:

Esteja atento a diretrizes de saúde pública e recomendações locais.
Manter-se informado ajuda a adotar medidas adequadas de prevenção.

  1. Cuidado com viajantes:

Evite contato próximo com pessoas que viajaram para áreas com surtos de gripe.
Viajantes podem trazer o vírus de regiões afetadas.

  1. Fortaleça a imunização infantil:

Mantenha as vacinas infantis atualizadas para proteger as crianças.
As crianças são um grupo de alto risco para complicações da gripe.

  1. Consulte um médico:

Se apresentar sintomas da gripe, consulte um médico para diagnóstico e orientação.
O tratamento precoce pode reduzir a gravidade dos sintomas.

  1. Pratique distanciamento social em casos de surto:

Em situações de alta transmissão, considere adotar o distanciamento social. Isso pode incluir trabalhar em casa e evitar grandes reuniões.

Lembrando que a prevenção é fundamental para evitar a propagação da gripe. A combinação dessas medidas pode reduzir significativamente o risco de contrair e disseminar o vírus influenza.

Veja 5 hábitos de higiene para manter no pós-pandemia

Como é a vacina tetravalente da gripe

A vacina tetravalente da gripe é uma imunização que oferece proteção contra quatro cepas diferentes do vírus influenza: duas do tipo A e duas do tipo B.

Essas cepas são selecionadas anualmente com base nas estimativas das variantes mais prováveis de circularem na temporada de gripe.

A vacina é produzida a partir de vírus inativados ou fragmentos virais, o que significa que ela não pode causar a doença. Ao receber a vacina tetravalente, o sistema imunológico é estimulado a produzir anticorpos específicos para as cepas virais presentes na vacina.

Caso a pessoa seja exposta a essas cepas durante a temporada de gripe, o sistema imunológico estará melhor preparado para combatê-las, reduzindo a gravidade dos sintomas ou prevenindo a infecção.

A vacina tetravalente é recomendada como uma medida eficaz para prevenir a disseminação da gripe e proteger a saúde pública.

Melhores tratamentos para cada sintoma de gripe

  1. Febre: Paracetamol ou Ibuprofeno.

Esses são medicamentos analgésicos e antitérmicos que podem ser indicados para controlar a febre.

  1. Garganta irritada: geralmente tratada com pastilhas, sprays anestésicos ou anti-inflamatórios.

Nesse caso, os medicamentos aliviam a irritação e a dor na garganta, facilitando a deglutição e melhorando o conforto do paciente.

  1. Tosse seca: geralmente é um sintoma tratado com uso de xaropes. O dextrometorfano, por exemplo, é um dos medicamentos mais comuns para esse caso.

O uso dos xaropes ajuda a suprimir a tosse irritante, proporcionando alívio temporário.

  1. Tosse com secreção: também é um sintoma tratado com xaropes. Guaifenesina é, geralmente, um dos medicamentos mais comuns.

Esses xaropes ajudam a soltar o muco nos pulmões, facilitando a eliminação. Também é possível usar sachês solúveis em água para ajudar na expectoração.

  1. Nariz entupido: os descongestionantes nasais (sprays ou gotas) são recomendados para combater esse sintoma. Um dos medicamentos possíveis é a oximetazolina.

Esses descongestionantes são importantes para facilitar a respiração.

  1. Dores no corpo: analgésicos como paracetamol ou ibuprofeno são indicados para combater dores no corpo.

Em cenários de gripe, esses medicamentos podem aliviar dores musculares e articulares, comuns em algumas fases da doença.

  1. Dor de cabeça: para esse sintoma, também são indicados analgésicos como paracetamol ou ibuprofeno.

Importância da hidratação:

A hidratação é fundamental durante a gripe. A febre e os sintomas de gripe podem causar perda de líquidos, aumentando o risco de desidratação. A ingestão adequada de líquidos ajuda a manter as membranas mucosas hidratadas, facilitando a expectoração do muco, reduzindo a irritação da garganta e auxiliando na regulação da temperatura corporal. Beber água, chás quentes, caldos e bebidas isotônicas é recomendado para manter o corpo hidratado. Além disso, a hidratação auxilia o sistema imunológico em sua resposta à infecção, contribuindo para uma recuperação mais rápida.

Vale ressaltar que, antes de usar qualquer medicamento, é importante consultar um profissional de saúde, especialmente se você estiver tomando outros medicamentos ou tiver condições médicas preexistentes. Além disso, seguir as instruções de dosagem e respeitar a duração do tratamento é essencial para garantir a segurança e eficácia dos medicamentos.

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