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Desastre Ambiental

Fauna deve sofrer maior impacto do incêndio no Parque da Serra do Tabuleiro, avalia especialista

Professor da UFSC acredita que animais como antas, capivaras e gatos do mato podem estar entre os afetados pelo fogo que consome unidade ambiental desde terça-feira (10)

11/09/2019 - 18h33 - Atualizada em: 12/09/2019 - 09h03

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Por Guilherme Simon
incêndio Parque Estadual
Equipes de bombeiros e da Polícia Ambiental tentam conter as chamas
(Foto: )

O incêndio que atinge o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, em Palhoça, na Grande Florianópolis, desde terça-feira (10) pode resultar em um prejuízo significativo para a fauna da unidade ambiental, avalia o professor Orlando Ferretti, do curso de Geografia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Membro do Observatório de Áreas Protegidas, da UFSC, Orlando acredita que, além dos 558 hectares de vegetação já consumidos pelo fogo, animais em extinção em grande parte de Santa Catarina podem estar entre os mais afetados pela queimada.

— O fato de ser uma área de restinga bem estabelecida tem feito com que muitos animais fiquem ali, inclusive animais de grande porte. Então, esse pode ser o maior impacto do incêndio. Animais como antas, capivaras, muitos roedores, além de gatos do mato podem estar entre os afetados pelo fogo — comenta o professor.

A rapidez com que as chamas se espalharam torna a situação mais dramática. Carlos Cassini, coordenador do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, relata que entre a manhã e a tarde desta quarta-feira (11) as chamas percorreram uma área de seis a sete quilômetros em cerca de três horas, o que pode ter dificultado a fuga dos animais.

— Muitos animais não têm condições de fugir, principalmente répteis e anfíbios. Também é possível que muitas aves tenham sido atingidas, pois estamos em uma época em que elas começam a fazer os ninhos. Algumas aves não abandonam o ninho mesmo com o incêndio — diz o coordenador do Parque Estadual.

Incêndio é o maior desde 2012, diz coordenador do Parque

Segundo o coordenador do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, a área não era atingida por um incêndio dessas proporções há sete anos.

— A gente tem tido vários focos de incêndio nas últimas quatro, cinco semanas. Tivemos em torno de 15 focos, mas eles não se espalhavam tão rápido e, por isso, conseguimos contê-los. Desta vez, a rapidez com que se espalhou foi impressionante. Desde 2012 não tínhamos um incêndio dessas proporções — comenta Carlos Cassini.

Em abril de 2012, foi registrado o maior incêndio que atingiu o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, na Grande Florianópolis. Em três dias, 920 hectares de terra foram atingidos pelas chamas. Agora, no novo incidente na reserva, que começou nesta terça-feira, já são mais de 500 hectares tomados pelo fogo.

Quatro dias após o controle do incêndio de 2012, quando equipes da antiga Fundação do Meio Ambiente (Fatma), hoje IMA, e da Polícia Militar Ambiental foram até o local para contabilizar os estragos, foram avistados gaviões e urubus sobrevoando a área queimada na Baixada do Maciambu, em Palhoça. Um indício de que o fogo deixou muitos animais mortos.

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