Zeli dos Anjos, sobrevivente do bolo envenenado com arsênio no Rio Grande do Sul, falou sobre o caso pela primeira vez, em entrevista exibida no Fantástico, na noite de domingo (16). De acordo com a Polícia Civil gaúcha, ela era o principal alvo dos dois envenenamentos cometidos pela nora, Deise Moura dos Anjos.
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Deise foi presa em 6 de janeiro e foi encontrada morta na prisão na última quinta-feira (13).
— Eu sabia que ela era má, que fazia maldades, mas nunca que fosse chegar a um nível desses — disse Zeli dos Anjos.
Deise teria colocado arsênio na farinha que Zeli usou para fazer o bolo, em 23 de dezembro, de acordo com a polícia. Três parentes da dona de casa morreram: suas irmãs, Maida e Neuza, e sua sobrinha, Tatiana. Em setembro do ano passado, a mulher também teria envenenado um leite em pó que causou a morte do sogro, Paulo dos Anjos.
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— Eu não tenho nem pena, nem raiva, nem ódio, nem sei que tipo de sentimento. Mas, quando eu penso que ela tirou as quatro pessoas mais importantes da minha vida… — emocionou-se Zeli.
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Quando ocorreram os envenenamentos
As investigações apontam que Deise comprou arsênio pelo menos duas vezes, pela internet. A primeira compra foi recebida no endereço dela, no dia 21 de agosto. Ela teria misturado parte do veneno no leite em pó que levou junto com outros alimentos para os sogros no dia 31 de agosto.
Em 3 de setembro, Zeli e o marido passaram mal ao beberem café com leite. A sogra foi atendida no hospital e liberada, mas Paulo morreu. Na certidão de óbito, a causa da morte foi “infecção alimentar”.
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— Eu não quis acreditar em várias pessoas que me falavam: “Faz o exame nele, faz o exame nele”. E eu achei impossível — diz Zeli.
Algum tempo depois, segundo a polícia, Deise foi ao encontro da sogra novamente e misturou o veneno na farinha que Zeli utilizou para fazer o bolo de reis.
Agora, a dona de casa busca forças para cuidar do filho, ex-marido de Deise, e do neto.
— Um dia atrás do outro. Pensando que meu neto precisa de mim, meu filho também. Eu nunca fiz planos, namorei o Paulo quando tinha 15 anos e nossa vida foi acontecendo. Agora, depois da enchente, a gente resolveu morar na praia, veranear para o resto da nossa vida. Não deu — lamentou.
O que diz a defesa
Deise foi encontrada morta na quinta-feira (13) dentro da cela onde estava presa na Penitenciária Feminina de Guaíba, na região metropolitana de Porto Alegre. O laudo de necropsia confirmou a morte por enforcamento.
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O advogado de defesa de Deise diz que ela sofria de depressão.
— Por óbvio, com o cárcere e com o isolamento, que era necessário até em razão de uma integridade física, isso se agrava. Por isso que a defesa, desde o início, fez requerimentos de laudos médicos frente à necessidade dela ter um tratamento — disse Cassyus Pontes.
Em nota ao Fantástico, a Polícia Penal do Rio Grande do Sul informou que Deise recebeu atendimentos psicológicos e que apresentou comportamento estável.
Para a polícia, está comprovado que Deise foi a responsável por envenenar nove pessoas da família, causando a morte de quatro delas. O fim das investigações está previsto para essa semana. Com a morte de Deise, o inquérito deve ser arquivado pela Justiça.
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