Daniela, Ana e Claudete eram três mulheres que moravam em cidades diferentes e que não se conheciam, mas que tiveram a vida interrompida pelo mesmo rastro de violência que já matou 15 mulheres em Santa Catarina somente em 2026: o feminicídio. As três vítimas foram assassinadas entre sábado (4) e domingo (5) em Florianópolis, São Domingos e Chapecó, respectivamente.
Continua depois da publicidade
O primeiro caso foi registrado por volta das 7h de sábado (4) em São Domingos, no Oeste de Santa Catarina. Ana Leda Santoro, de 67 anos, foi encontrada morta com sinais de violência, possivelmente por estrangulamento. O principal suspeito é o marido da vítima, um idoso de 70 anos, que foi localizado e preso poucas horas depois no município de Irati, após fugir do local.
Segundo os familiares da vítima, cerca de duas horas antes, por volta das 5h, o suspeito teria entrado em contato com a filha do casal, afirmando ter cometido o crime contra a própria esposa. Diante da situação, familiares acionaram o Corpo de Bombeiros e, na sequência, a Polícia Militar. O caso é investigado como feminicídio.
Ainda no sábado, por volta das 10h45min, outra mulher foi morta no bairro Cachoeira do Bom Jesus, em Florianópolis. Daniela Jose Maestre de Centeno, de 36 anos, natural da Venezuela, foi assassinada a facadas pelo companheiro, um homem de 44 anos, também venezuelano. O suspeito foi agredido por moradores, confessou o crime e foi preso pela Polícia Militar. O caso também é tratado como feminicídio.
No domingo (4), Claudete Ramos foi encontrada morta em Chapecó, no Oeste do Estado, por ferimentos causados por arma branca, possivelmente um facão, em diferentes partes do corpo. O suspeito de cometer o crime é o companheiro da vítima, de 47 anos, natural do Rio Grande do Sul. Até a tarde desta segunda-feira, ele não havia sido localizado pela polícia e era considerado foragido.
Continua depois da publicidade
Segundo a PM, Claudete foi assassinada por volta das 22h30min, no bairro Passo dos Fortes. Equipes foram acionadas logo após o ocorrido, mas a vítima já estava sem sinais vitais quando os atendimentos chegaram. A Delegacia de Homicídios (DH) de Chapecó investiga o caso.
Marido tenta matar mulher na Grande Florianópolis
Além das três vítimas assassinadas no último final de semana, Santa Catarina também registrou um caso de tentativa de feminicídio no sábado, no bairro Jardim Carolina, em Biguaçu, na Grande Florianópolis. A vítima, que não teve a identidade divulgada, foi encontrada caída no chão por conta de disparos de arma de fogo. O principal suspeito é o marido dela.
Ao NSC Total, a PM informou na manhã desta segunda-feira (6) que a vítima passou por uma cirurgia e segue internada no Hospital Celso Ramos, em Florianópolis. Segundo a família, ela se recupera bem e os ferimentos foram superficiais.
O suspeito fugiu em um carro após efetuar os disparos. Ele foi localizado pela polícia no anel viário de Biguaçu e encaminhado à unidade de saúde para atendimento médico, já que apresentava lesão no queixo. Ele foi preso em flagrante.
Continua depois da publicidade
De acordo com informações da Polícia Militar, o suspeito possui diagnóstico de esquizofrenia e recentemente foi internado no Instituto de Psiquiatria de Santa Catarina (IPQ), localizado em São José. A arma utilizada no crime não foi localizada. A investigação ficará com a Polícia Civil.
Mapa do feminicídio traça perfil das vítimas em SC
O Mapa do Feminicídio, divulgado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), mostrou quem são as vítimas do crime entre 2020 e 2024 no Estado, quando 335 mulheres foram mortas, principalmente, pelo companheiro ou ex-companheiro.
— Os dados indicam que 67% das nossas vítimas não finalizaram o ciclo de educação básica. 83% delas estão na base da pirâmide socioeconômica. Ou seja, nas classes D e E. 53% dessas mulheres tinham filhos. A maioria delas era trabalhadora informal, autônoma ou com vínculos um pouco mais precarizados de emprego — explica a promotora de Justiça Chimelly Louise de Resenes Marcon.

