O empresário e advogado Augusto Kesrouani Nascimento, filho do cantor Milton Nascimento, usou as redes sociais nesta quinta-feira (2) para relatar detalhes de como tem sido a convivência com o pai e os desafios diante do diagnóstico de demência por corpos de Lewy (DCL).

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Em um longo texto, Augusto relatou como percebeu mudanças no comportamento do pai no final do ano passado. Milton Nascimento já havia recebido um diagnóstico de Parkison em 2022. O sinais se intensificaram ao longo do tempo, até que uma internação foi necessária, já por conta das consequências da doença.

“Dali para frente, entramos em uma montanha-russa, e absolutamente tudo mudou de forma extremamente rápida: veio, então, o duro diagnóstico de demência”, afirma o advogado no texto.

O diagnóstico foi revelado em reportagem da revista Piauí nesta quinta-feira. A doença é o terceiro tipo mais comum de demência, resultante da degeneração de células nervosas no cérebro. De acordo com a publicação, Milton apresentava lapsos de memória, falta de apetite, olhar fixo e se tornou repetitivo, contando as mesmas histórias em intervalos curtos.

O clínico geral Weverton Siqueira, que acompanha Milton há uma década, foi acionado por Augusto. O médico, assustado com o declínio cognitivo abrupto do paciente, iniciou uma série de testes em abril.

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Veja fotos de Milton Nascimento

Os principais sinais da Demência por Corpos de Lewy

Diagnosticada em Milton Nascimento, a Demência por Corpos de Lewy (CDL) é a terceira forma mais comum de demência. A doença frequentemente é confundida com Alzheimer e Parkinson, mas o conjunto específico de sintomas – especialmente as flutuações cognitivas e alucinações – ajuda no diagnóstico.

Conheça os sintomas característicos:

  • Flutuações cognitivas (lucidez e confusão em dias alternados)
  • Alucinações visuais vívidas e detalhadas
  • Rigidez muscular e tremores (sintomas parkinsonianos)
  • Agitação durante o sono REM, com “encenação” dos sonhos
  • Sensibilidade grave a medicamentos antipsicóticos
  • Quedas frequentes por desregulação da pressão arterial

Leia o pronunciamento na íntegra

“No final do ano passado, comecei a notar alguns comportamentos diferentes do meu pai, mas nada que fosse alarmante. De lá para cá, fomos levando a vida normalmente, ainda que com uma preocupação sempre existente, mas com ele recebendo inúmeras homenagens, sendo ovacionado, vibrando, cantando, sendo tema de desfile no carnaval, e por aí vai.

Com o tempo, as alterações foram se acentuando. O Parkinson, diagnosticado em 2022, avançando, e as pequenas atividades do dia a dia sofrendo impacto.

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Em maio, decidi fazer uma viagem de motorhome com ele. Rodamos aproximadamente 4.000 km, eu dirigia com ele sempre ao meu lado de copiloto e escolhendo as músicas – tal qual sempre fizemos em nossas boas viagens pelo mundo. De alguma forma, eu sabia que aquela viagem seria uma despedida desses momentos.

Dentro das limitações dele, nos divertimos muito e, quando voltamos, ele só dizia que havia sido a melhor viagem da vida dele.

Poucos dias depois da volta, gravamos juntos uma campanha de Dia dos Pais e, no dia seguinte, ele olhou para mim e disse: ontem foi foda, né?! Como o belo coruja que é, sempre exaltando todos os momentos e realizações que tínhamos conjuntamente.

Uma semana depois, eu estava em Teresina a trabalho, e tive que voltar correndo, pois ele não estava legal e precisou ir ao hospital. Era uma desidratação, já fruto da dificuldade que ele vem tendo de se hidratar e alimentar.

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Dali para frente, entramos em uma montanha-russa, e absolutamente tudo mudou de forma extremamente rápida: veio, então, o duro diagnóstico de demência.

Nossos diálogos, desde então, têm sido, em sua maioria, silenciosos ou um pouco confusos. Meu pai me chama e tenta falar comigo, mas nem sempre consegue se expressar. As inúmeras ligações a cada vez que eu viajo para trabalhar, já não existem mais, nem mesmo a curiosidade por boas fofocas da vida, ou a espera ansiosa por cada vez que eu retorno para casa em que ele me aguardava com uma camiseta com a nossa foto, ou a curiosidade travessa de me perguntar se eu tinha batido em todo mundo nas voltas dos treinos de jiu-jítsu.

Tem sido uma batalha diária, uma dor intensa e um vazio enorme no peito, pois, de alguma forma, o meu melhor amigo está me deixando aos poucos.

Em alguns momentos, enquanto assisto televisão com ele, em meio ao silêncio, ele puxa e segura a minha mão. Também tem sido comum que ele só aceite fazer algumas refeições, quando eu estou ali o incentivando… acho que essas têm sido as maneiras dele me dizer o que em alguns momentos ele não vem conseguindo expressar através das palavras.

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Venho tentando retribuir todo o bem, o amor, cuidado e carinho, dando o máximo de dignidade e conforto que ele pode e merece ter nesse momento.

Desde o momento em que o universo nos colocou um no caminho do outro, somos inseparáveis e invencíveis, e seguiremos assim enquanto estivermos juntos nessa vida.

Peço respeito e compaixão de todos nesse momento tão delicado. Eu te amo e sempre amarei, paizinho”.

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