Um filhote de cervo, com cerca de um mês de vida, foi resgatado de um quarto em uma casa no bairro Santa Catarina, em Lages, após operação da Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC), com apoio da Polícia Militar Ambiental (PMA), na terça-feira (23). No local, também foram encontradas armas artesanais e munições. O responsável foi preso por posse ilegal de armas e crime ambiental.

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O animal foi encaminhado ao Hospital de Clínica Veterinária Lauro Ribas Zimmer (HCV), do Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV) da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), e está recebendo acompanhamento especializado. 

— Ele ainda é muito jovem e precisa de cuidados específicos. O processo agora envolve alimentação adequada, exames clínicos e avaliação do seu comportamento — explica o professor e médico veterinário Aury Nunes, responsável pelo atendimento.

Segundo a equipe, o cervo está clinicamente bem e é alimentado com leite de cabra. Professores, técnicos e estudantes da graduação em Medicina Veterinária monitoram de perto a evolução do animal, seguindo protocolos de manejo de cervídeos. 

A espécie exata ainda é incerta (se é cervo-campeiro ou veado-catingueiro) e será confirmada por exame genético, já que os filhotes apresentam características físicas muito semelhantes.

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Veja fotos do cervo

Estrutura regional de atendimento

O atendimento é realizado pelo Serviço de Atendimento e Reabilitação de Animais Silvestres (SARAS), mantido pela Udesc Lages em cooperação com o Instituto do Meio Ambiente (IMA) e a Polícia Militar Ambiental. 

De acordo com o professor Aury, há três possíveis destinos para animais atendidos em situações semelhantes: reintrodução na natureza, encaminhamento a centros de reabilitação ou destinação a zoológicos.

— A reintrodução é possível, mas complexa. Requer estrutura específica, avaliação comportamental e protocolos de soltura. Na maioria dos casos, como este do pequeno cervo, o destino mais viável será um zoológico autorizado — explica.

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Experiência acadêmica 

O resgate também mobiliza estudantes do Grupo de Estudos sobre Animais Selvagens e Silvestres (GEAS CAV), coordenado pela professora Mere Saito, diretora do HCV. Atualmente, 20 alunos de Medicina Veterinária participam diretamente das rotinas de alimentação, reabilitação e manejo.

— Cada resgate carrega uma história. Alguns animais chegam muito debilitados e se recuperam totalmente. Quando conseguimos soltá-los de volta à natureza, é recompensador — conta a estudante Aline Viebrantz.

O hospital conta ainda com o apoio de outros setores da Udesc Lages, como o Laboratório de Entomologia, que fornece alimento vivo para aves insetívoras. 

A estrutura é mantida com recursos complementares de multas ambientais aplicadas a quem mantém ou comercializa animais silvestres. Esses valores ajudam a custear insumos, equipamentos e alimentação especializada.

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