nsc
    dc

    Melhores do ano

    Descubra quais são os 20 filmes imperdíveis de 2020

    Crítico de cinema da NSC elege os 20 filmes imperdíveis de 2020, Andrey Lehnemann, escreve sobre as grandes obras lançadas no mundo neste ano – o que já veio e o que vem por aí no Brasil

    22/12/2020 - 19h41

    Compartilhe

    Por Andrey Kolling
    Estou Pensando em Acabar com Tudo, de Charlie Kaufman
    Estou Pensando em Acabar com Tudo, de Charlie Kaufman
    (Foto: )

    2020 foi um ano terrível. Apenas em Santa Catarina, mais de 430 mil catarinenses foram diagnosticados com Covid-19 e mais do dobro de famílias foram afetadas pela maior pandemia que as nossas gerações já viveram. Enquanto esta lista é produzida, os dados do Governo apontam para a perda de cera de 4,5 mil pessoas no Estado de março até dezembro – e o número deve aumentar até a vacina.

    O mundo entrou em stand by.

    O cinema, idem. Milhares de filmes foram adiados e muitos deles nem possuem um norte bem desenhado.

    É desafiador, portanto, encontrar algo de bom no mundo cinematográfico que consiga apaziguar os últimos oito meses ferozes que vivemos. É difícil encontrar filmes que possam dizer que o ano foi bom no cinema. Pois, não, não foi.

    Entretanto, a sétima arte não precisa ser “boa” ou “apaziguadora”. Ela pode (e deve) ser reflexiva. Nos agitar, propor mundos interessantes, contagiantes, esperançosos e maduros. Ou nem tão maduros.

    Essas narrativas podem surgir de onde menos se imagina, como na história de nômades contemporâneos ou na violência e na tristeza do mundo de uma mulher que tenta superar a perda da melhor amiga vítima de abuso sexual.

    2020 não foi um bom ano. Mas ele foi capaz de nos pautar de formas variadas, de nos chocar de formas variadas e de nos fazer refletir de formas variadas.

    Conheça a seguir, 20 obras que marcaram 2020:

    Menção honrosa:

    Jovem Ahmed, de Jean-Pierre e Luc Dardenne

    20. O Que Ficou Para Trás, de Remi Weekes

    O debut de Remi Weekes aproveita os fantasmas de uma guerra que não terminou para nenhum de seus personagens. Constrói uma tênue linha entre a realidade e o sobrenatural de sua obra, a qual é capaz de evidenciar o quão próximo pode ser o terror e, no caso daquelas pessoas, o quanto o é.

    19. Diabo de Cada Dia, de Antônio Campos

    "Eu estou lhe dando uma coisa boa aqui, parceiro", repete o personagem de Jason Clarke neste incômodo filme do excelente diretor Antonio Campos. A repetição da frase é capaz de frisar o desconforto que envolve uma maldade anunciada em forma de algo bom. O cineasta aponta a tênue linha que separa a adoração do fundamentalismo perverso, a conta-gotas, na narrativa. Seus personagens vagam pelo mundo entre seus pecados particulares num mundo inconsciente de sua própria natureza.

    18. Casa Lobo, de Cristóbal León e Joaquín Cociña

    Essa assustadora (e fascinante) animação chilena descreve a jornada de uma menina que se rebela contra o sistema fascista imposto por um fanático e se esconde numa casa em uma floresta que parece ter saído do livro A Revolução dos Bichos, onde pode se criar seu próprio sistema e ser confrontada com a lembrança de alguns dos mesmos gestos totalitários. É como se David Lynch dirigisse uma história de terror ilustrada por Dave McKean.

    > 50 melhores filmes para assistir na Netflix

    17. Som do Silêncio, de Darius Marder

    Há uma cena neste filme de Darius Marder que se passa numa cama em Paris. O personagem de Riz Ahmed olha para sua namorada e fala que está tudo bem, que ela ter estado em sua vida bastou. É um dos momentos que demonstram a força de uma atuação como a do protagonista. Algo que se torna forte não pelo diálogo, mas pela expressão dos envolvidos na cena. É um filme agitado, ao mesmo tempo que sensível – como o personagem de Ahmed.

    16. First Cow, de Kelly Reichardt

    A obra sensorial de Reichardt é tão simples quanto seus dois nômades protagonistas, que viram amigos e companheiros de jornada. Ambos apenas procuram algumas histórias pra contar e um lugar para deixar sua marca no mundo. É um filme belo, lento e triste.

    15. Destacamento Blood, de Spike Lee

    O monólogo de Paul nas selvas é um daqueles manifestos cinematográficos que Lee sabe potencializar no consciente popular como poucos. Destacamento Blood é um retrato admirável da influência de mitos e de como o passado é capaz de se projetar continuamente no presente.

    14. Mank, de David Fincher

    É a história de uma Hollywood construída nos bastidores, longe do público e anestesiada por seu glamour. Gary Oldman é hilário, trágico e shakespeariano na pele do personagem-título.

    13. Caminho de Volta, de Gavin O'Connor

    O treinador interpretado por um excelente Ben Affleck passa a tornar o basquete como protagonista, a medida que o filme avança, e a própria obra de Gavin O'Connor espelha esse sentimento – cumprindo o rito de dedicação e superação. Ao abordar, afinal, o alcoolismo e o luto que passa o treinador, clamando por uma nova família, o cineasta repete momentos poderosos de Guerreiro.

    12. On the Rocks, de Sofia Coppola

    O novo filme de Sofia Coppola é fundamentado nas características da filmografia da autora – a banalidade da rotina, a urgência de antecipar um confronto e, claro, as relações entre personagens resignantes. Neste, Bill Murray (em uma das atuações do ano) interpreta um homem preso a uma necessidade de ressignificar seu passado, como homem e como pai. É um dos trabalhos mais sensíveis de 2020.

    > Os melhores filmes de Natal no Primeiro Video em 2020

    11. Wolfwalkers, de Tomm Moore e Ross Stewart

    Robyn é uma personagem doce e fascinante nesta história delicada (e profunda) de Tomm Moore e Ross Stewart. A riqueza desta animação é perceptível nos relacionamentos paternos e maternos de suas personagens principais tanto quanto nas metáforas alusivas à liberdade, ao medo e ao espírito aprisionado em nós.

    10. 76 Days, de Hao Wu e Weixi Chen

    A poderosa primeira cena deste documentário mostra uma pessoa paramentada chorando desesperada pela morte do pai. Ela nunca mais poderá ouvi-lo cantar, lamenta. 76 Days é um documentário que aborda os dias da pandemia da Covid 19 em Wuhan, dentro de um hospital, mostrando o trabalho dos médicos e as vítimas do Coronavírus.

    9. Palm Springs, de Max Barbakow

    E se pudéssemos repetir aquele dia em que tudo deu certo, podendo esquecer um pouco de tudo? O romance caloroso de Barbakow é divertido, mas nem por isso menos profundo e delicado.

    8. Os 7 de Chicago, de Aaron Sorkin

    “Do lado de dentro do bar, parece que os anos 60 não aconteceram. Fora do bar, os anos 60 eram encenados para quem olhasse pela janela.”

    Sorkin cria uma daquelas raridades na qual o sentimento de impotência diante de uma brutalidade é próxima e sufocante. O tom cômico no começo que se transforma no horror a partir da metade do filme evidencia o controle impecável de sua direção, que consegue espelhar a mesma ânsia por mudança política que ainda carregamos nos tempos modernos como sociedade. Com clareza, o filme nos denuncia a história e como continuamos aprisionados a vivê-la.

    7. Nomadland, de Chloe Zhao

    “O lugar deixado e depois reencontrado é o eixo em torno do qual oscila a agulha da bússola”, Michel Onfray.

    A mesma diretora do bom longa-metragem Domando o Destino, agora, expõe a realidade dos nômades contemporâneos da América. A conversa sobre a estrada e sobre o adeus no terceiro ato é uma das cenas mais tocantes do ano.

    6. Boys State, de Jesse Moss e Amanda McBaine

    Boys State congrega uma visão fascinante sobre o processo democrático e suas respectivas representações. Da mesma forma, o documentário consegue evidenciar as transformações durante o percurso que afetam não só os partidos, mas a cada um dos envolvidos. Uma obra inesquecível.

    > Melhores filmes de Natal para assistir no Netflix em 2020

    5. Gunda, de Viktor Kossakovsky

    Enquanto se observa a vida harmoniosa, apaixonante e feliz de porcos, galinhas e vacas no campo, é quase impossível antecipar o verdadeiro terror que o diretor prepara para seu ato final de solidão. Um filme poderosíssimo.

    4. Nunca Raramente Às Vezes Sempre, de Eliza Hittman

    Ao deitar na cama de hospital para receber a anestesia, a protagonista segura com força a mão de uma das profissionais da clínica. Ali está uma mão que minutos antes não a julgou e apenas quis ouvi-la na rodada de perguntas que dá o nome ao filme. A violência da obra de Eliza Hittman jamais está no ato praticado pela personagem, mas, sim, no mundo nauseante que a cerca.

    3. Promising Young Woman, de Emerald Fennell

    - Eu sou um homem legal.

    - Você continua repetindo isso.

    Emerald Fennell cria uma das obras mais intensas e urgentes de 2020, onde se vai do thriller ao romance com uma segurança e qualidade notáveis. A diretora captura as diferentes nuances do abuso, da não admissão de culpa e de uma tentativa de reconstrução. Carey Mulligan é dona de uma das melhores performances de 2020.

    > 20 filmes baseados em fatos reais para assistir em casa

    2. Corpus Christi, de Jan Komasa

    Uma redoma de pecados, violência e culpa fazem parte deste impactante filme de Jan Komasa, que desponta como um dos nomes de maior potencial de sua geração. A história gira em torno de um jovem marginalizado que se passa por padre na paróquia de uma pequena comunidade.

    1. Estou Pensando em Acabar com Tudo, de Charlie Kaufman

    Em uma das primeiras cenas da nova obra-prima de Charlie Kaufman, um emaranhado de flores num papel de parede é visto de cima a baixo, ao passo que a personagem de (uma fantástica) Jessie Buckley descreve que podemos esconder algumas coisas pelo nosso exterior, pela nossa face, pelo que dizemos; mas jamais podemos fingir um pensamento. Ele surge sem aviso. Ela pensa sobre isso, enquanto observamos traços de uma casa colorida, mas vazia e triste. Tudo nesta obra está “contaminado” pelo tempo. Onde estamos, onde nos sentimos, quem gostaríamos de ser e quem de fato somos. As lacunas são preenchidas por nossas percepções – sobre o tempo, sobre tudo. É o melhor filme de 2020.

    E, para você, qual seu filme favorito de 2020?

    Deixe seu comentário:

    Últimas notícias

    Loading... Todas de Entretenimento

    Colunistas