Para tentar baratear o custo do frete que encarece alimentos e produtos de consumo, o governo federal lançou um financiamento inédito de 40 anos voltado exclusivamente a ferrovias. Operada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a medida tenta seduzir a iniciativa privada a investir até R$ 600 bilhões no setor e quebrar o monopólio das rodovias no escoamento da produção brasileira.

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O lançamento ocorreu durante o evento “Novos Caminhos sobre Trilhos: O Futuro das Ferrovias no Brasil”, realizado na sede da B3, em São Paulo, em parceria entre o Ministério dos Transportes e o BNDES. A avaliação do governo é que prazos mais longos tornam os empreendimentos mais viáveis financeiramente, já que projetos ferroviários exigem aportes elevados e costumam apresentar retorno apenas no longo prazo.

O que torna o novo financiamento do BNDES inédito 

  • Volume estimado: Potencial para movimentar até R$ 600 bilhões em investimentos.
  • Condições: Prazo de pagamento estendido para até 40 anos via BNDES.
  • Projetos prioritários: Ferrogrão, EF-118 e o corredor bioceânico em parceria com a China.
  • Impacto no bolso: A expansão do modal ferroviário deve reduzir drasticamente o custo do frete no país, podendo baratear produtos e alimentos para o consumidor final.

A estratégia do governo para trazer a iniciativa privada para os trilhos

Segundo a pasta, a nova modalidade foi desenhada para aproximar o Brasil de modelos adotados em outros mercados globais de infraestrutura, nos quais financiamentos extensos ajudam a viabilizar grandes obras. A expectativa é despertar o interesse de investidores nacionais e internacionais, especialmente daqueles acostumados a projetos com maturação de décadas.

Adequar as condições de crédito à realidade do setor ferroviário é visto como um passo fundamental para destravar investimentos em 2026 e ampliar a participação da iniciativa privada nos projetos previstos pelo governo.

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Ferrogrão e EF-118 lideram os planos de expansão

A nova linha poderá beneficiar alguns dos principais empreendimentos incluídos na carteira ferroviária federal. Entre eles está a Ferrogrão, planejada para escoar a produção agrícola do Centro-Oeste até os portos do Norte, além da EF-118, conhecida como Anel Ferroviário do Sudeste.

A carteira atual reúne oito projetos estratégicos, incluindo ainda os corredores Fico-Fiol, Malha Oeste, Minas-Rio, Rio Grande, Mercosul e Paraná-Santa Catarina. A proposta é ampliar a integração logística do país e fortalecer o transporte de cargas por trilhos.

Como o capital chinês pode acelerar as ferrovias do país 

A aposta nos trilhos também passou a integrar a agenda diplomática brasileira. Após a assinatura do memorando de entendimento entre Brasil e China, em julho de 2025, para desenvolver estudos conjuntos sobre um corredor ferroviário bioceânico, o plano de ligar o território brasileiro ao Porto de Chancay, no Peru, ganhou força. A iniciativa visa criar uma nova rota de acesso ao Oceano Pacífico.

O projeto envolve a Infra S.A. e o Instituto de Planejamento e Pesquisa Econômica da China State Railway Group, considerada a maior empresa ferroviária pública do mundo. O objetivo é reduzir distâncias, ampliar a competitividade das exportações brasileiras destinadas ao mercado asiático e fortalecer a integração logística sul-americana.

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Os estudos têm como base o eixo Fico-Fiol, previsto na carteira de concessões do governo.

Megapacote bilionário: Governo estima potencial de R$ 600 bilhões

A expectativa oficial é que o conjunto dos projetos ferroviários tenha capacidade de movimentar cerca de R$ 600 bilhões em investimentos nos próximos anos. Paralelamente, o governo pretende avançar com o leilão de 17 terminais de cargas da Ferrovia Norte-Sul, iniciativa que integra a estratégia de expansão do modal ferroviário.

Segundo o secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, a nova carteira foi desenhada para oferecer maior segurança aos investidores e aumentar a atratividade dos projetos.

“Nos últimos anos estruturamos um banco de projetos com empreendimentos que levam em consideração uma matriz de risco inovadora. Torço para que tenhamos um evento histórico e simbólico para o setor de ferrovias”, disse.

Esses terminais podem atrair aproximadamente R$ 160 bilhões em novos aportes, ampliando a capacidade de escoamento da produção nacional e reduzindo custos logísticos.

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O plano para quebrar o monopólio das rodovias

Embora tenha dimensão continental e forte vocação para o transporte de cargas, o Brasil ainda apresenta baixa participação das ferrovias em sua matriz logística. Para o Ministério dos Transportes, ampliar o uso dos trilhos é a principal alternativa para aumentar a competitividade das exportações, integrar regiões produtoras aos portos e reduzir a pressão sobre as rodovias.

Com financiamentos mais longos e novos projetos previstos para os próximos anos, a estratégia é transformar o setor ferroviário em uma das principais frentes de expansão da infraestrutura brasileira, combinando investimento privado, modernização logística e potencial de crescimento econômico que impactará toda a cadeia de consumo do país.

*Com edição de Nicoly Souza