O programa Move Brasil que promete carro novo para motoristas de aplicativo e taxistas atingiu R$ 1 bilhão em créditos, mas esbarra no travamento dos bancos. Apesar da marca milionária e de mais de 600 mil cadastrados no país, apenas 10 mil profissionais conseguiram aprovar o financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) até agora. A rigorosa análise de risco bancário virou o principal obstáculo para quem tenta comprar seu veículo novo.
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A maior parte dos pedidos fica retida no filtro das instituições financeiras credenciadas. Enquanto o governo federal valida apenas os pré-requisitos cadastrais, como ter licença de táxi ativa ou atuar há pelo menos 12 meses em aplicativos com histórico mínimo de 100 corridas, a palavra final sobre a liberação do dinheiro cabe exclusivamente aos bancos.
Para tentar destravar as aprovações, o BNDES e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) passaram a utilizar o Programa Emergencial de Acesso a Crédito (Peac-FGI), que oferece garantias complementares do Fundo Garantidor para Investimentos (FGI) e tenta reduzir o risco de inadimplência assumido pelas instituições.
Exigência de entrada de até R$ 49 mil trava acesso dos motoristas
Apesar de a regra oficial do Move Brasil permitir o financiamento de até 100% do valor do automóvel, na prática os motoristas enfrentam exigências rígidas na ponta da linha. Relatos de trabalhadores autônomos indicam que os bancos vêm cobrando valores de entrada que variam entre R$ 30 mil e R$ 49 mil para autorizar a operação.
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Essa postura acontece porque as instituições descontam custos operacionais com combustível, seguro e manutenção da receita bruta informada pelo motorista, o que acaba reduzindo a renda líquida considerada no cálculo da capacidade de pagamento.
Outro fator que afeta a pontuação do consumidor no score bancário é a realização de repetidas simulações de crédito em curto espaço de tempo. Fazer várias consultas ao CPF em bancos diferentes pode derrubar o perfil cadastral do trabalhador.
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Além disso, o BNDES alerta que a cobrança de taxa de cadastro ou tarifa de abertura de crédito durante a contratação do Move Brasil é expressamente proibida pelas normas do Conselho Monetário Nacional (CMN), devendo ser denunciada pelo cliente.
As condições de juros e carência prometidas pelo BNDES
O grande atrativo do programa em relação aos financiamentos tradicionais do mercado reside nas taxas de juros reduzidas. Para mulheres motoristas, as taxas partem de até 0,91% ao mês, o que equivale a 11,5% ao ano.
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Para homens, o limite é de 0,99% ao mês, representando aproximadamente 12,6% ao ano. O parcelamento pode ser dividido em até 72 meses, contando com a possibilidade de carência de até seis meses para o pagamento da primeira prestação.
O valor médio dos financiamentos aprovados até o momento gira em torno de R$ 102 mil por automóvel. As contratações já atenderam motoristas residentes em mais de mil municípios brasileiros e estão disponíveis por meio de instituições financeiras parceiras, como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. Com a garantia adicional oferecida pelo governo, a expectativa é que mais propostas passem pela análise de risco bancária nos próximos meses.
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*Com edição de Nicoly Souza











