O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, durante uma transmissão ao vivo realizada na noite desta segunda-feira (13), que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não pediu ou autorizou a divulgação da carta lida por ele nas redes sociais, no último sábado (11).
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A carta motivou uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de suspender por 90 dias as visitas ao ex-presidente, nesta segunda-feira. Para Moraes, há indícios de que Bolsonaro tinha conhecimento prévio da divulgação do conteúdo, o que configura descumprimento da decisão judicial que proíbe Bolsonaro de utilizar redes sociais, ainda que por intermédio de terceiros.
— Obviamente não estou descumprindo nenhuma decisão judicial dele (Moraes). É óbvio que o presidente Bolsonaro nunca falou, ou pediu, ou deu a entender, ou decidiu, ou mandou, ou se manifestou de qualquer forma sobre eu publicar essa carta nas minhas redes — declarou Flávio.
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Flávio disse que atua como “porta-voz” de Bolsonaro no período das convenções partidárias, que irão definir os candidatos do PL a partir de 20 de julho, e citou outras ocasiões em que cartas escritas pelo pai se tornaram públicas desde que ele começou a cumprir pena pela trama golpista, em novembro de 2025.
— Qual a diferença de eu publicar na minha rede, na da Michelle, na de um irmão meu ou de sair em veículos de comunicação? Nenhuma diferença. O que eu percebo é que, mais uma vez, Alexandre de Moraes quer uma desculpinha para tirar Bolsonaro da prisão domiciliar — disse.
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Na live, Flávio diz que Moraes usa a carta como uma justificativa “fajuta” para interferir nas Eleições 2026.
— É completamente desproporcional, desarrazoável e claramente configura essa tentativa de Alexandre de Moraes de interferir nas eleições deste ano — afirmou.
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Defesa de Flávio justificou que ele é advogado de Bolsonaro
A defesa de Flávio Bolsonaro afirmou na tarde desta segunda-feira que a decisão de Moraes de suspender por 90 dias as visitas a Jair Bolsonaro (PL) viola direitos previstos na Constituição e na legislação brasileira. Os advogados sustentam que Flávio, além de filho, atua como advogado de Jair Bolsonaro, e que a restrição também afeta o exercício da advocacia.
“Vale lembrar que o senador Flávio Bolsonaro é também advogado de seu pai. A proibição de contato viola, portanto, o direito que o advogado tem de se comunicar com seu representado (art. 7º, inciso III, do Estatuto da Advocacia)”, acrescentou a defesa.
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A defesa de Flávio argumenta ainda que a decisão retira do ex-presidente direitos garantidos pela Lei de Execução Penal.
“Dentre os direitos que o preso possui, estão o de receber visita de seus familiares (art. 41, inciso X, da Lei de Execução Penal), bem como o de manter comunicação com o mundo exterior (art. 41, inciso XV, da Lei de Execução Penal). Esses dois direitos foram retirados do Presidente Jair Bolsonaro na decisão de hoje”, afirmou.
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Moraes vê possível propaganda eleitoral antecipada
Na decisão Moraes afirmou que há indícios de que Jair Bolsonaro tinha conhecimento prévio da divulgação do conteúdo:
“A afirmação de seu filho Flávio Nantes Bolsonaro – ‘É imperdível, um recado muito importante que ele quer dar a toda a nossa nação’ – sugere que o sentenciado tinha plena ciência de que sua carta seria divulgada em redes sociais, o que, configuraria igualmente desrespeito a medida cautelar a que está submetido, devendo os fatos, portanto, serem esclarecidos pela Defesa”, escreveu o ministro.
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O ministro também determinou o envio de cópias do despacho e dos vídeos ao procurador-geral Eleitoral para análise de eventual infração à legislação eleitoral. Segundo o ministro, o conteúdo divulgado pode configurar campanha fora do período permitido.
“A divulgação de vídeo em rede social e utilização de expressões com carga semântica equivalente a pedido explícito de voto pode configurar propaganda eleitoral antecipada em período vedado pela legislação, devendo ser apurada pelo Ministério Público eleitoral”, escreveu.
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O que dizia carta de Bolsonaro lida por Flávio
Flávio Bolsonaro leu uma carta escrita por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em transmissão feita nas redes sociais no último sábado. No texto, Bolsonaro diz que seu filho é a melhor opção para combater a corrupção, a violência e empobrecimento no Brasil. Ele também é apontado como “porta-voz” de Jair.
— O momento é de arregaçar as mangas e deixar de lado possíveis diferenças, e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e empobrecimento — diz o documento.
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Durante a transmissão neste sábado, Flávio Bolsonaro agradeceu o apoio do pai e afirmou que o posicionamento é importante para evitar “direções diferentes”.
— Muitas pessoas parecem que estão boicotando até a candidatura, esperando o momento certo para vestir a camisa do Bolsonaro e ir para rua para resgatar o Brasil… Agradecer ele por estar me colocando como seu porta-voz. Isso é muito importante para evitar que existam falas conflituosas ou direções diferentes que porventura alguém possa estar seguindo — declarou.
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A carta de Bolsonaro ocorre dias depois de Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro trocarem acusações pelas redes sociais. Em meio à crise, Michelle decidiu deixar a presidência do PL Mulher. A renúncia foi acertada em reunião com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
Relembre a briga entre Michelle e Flávio
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Leia na íntegra a carta de Bolsonaro
“Carta aos brasileiros:
Saudoso do contato com o povo, ao qual devo lealdade, escrevo num momento de decisão para o futuro de todos nós. O momento é de arregaçar as mangas e deixar de lado possíveis diferenças, e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e empobrecimento.
Meu pré-candidato, creio o seu também, meu porta-voz no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e prosperidade.
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Um afetuoso abraço a todos na certeza de que, juntos, tudo faremos pela nossa pátria. Deus, pátria, família e liberdade”.






