Florianópolis iniciou 2026 com inflação de 0,42% em janeiro, índice acima da média nacional de 0,33%, segundo levantamento do Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas (Esag) da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). Apesar do resultado elevado, a Capital perdeu a liderança nacional no acumulado de 12 meses, posição que ocupou durante grande parte de 2025, com valor registrado de 4,36%.
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No ranking de janeiro, Florianópolis aparece entre as capitais com maior variação de preços, dividindo a sexta colocação com a Grande Vitória (ES), ambas com alta de 0,42%. O resultado mantém a cidade à frente de centros como Curitiba (PR), que registrou 0,41%, e São Paulo (SP), com 0,28%, mas indica uma desaceleração relativa frente a meses anteriores.
Rio Branco, no Acre, registrou o maior avanço inflacionário no primeiro mês do ano com 0,81%. Em seguida estão: Salvador (BA), com 0,52%, e Campo Grande (MS), com 0,48%. Já as menores variações ocorreram em Belém (PA) e Brasília (DF), ambas com 0,16%.
Alta temporada turística influencia alta de preços
A economista Bruna Soto e o administrador Hercílio Fernandes Neto, responsáveis pelo cálculo ICV, explicam que o comportamento dos preços na capital catarinense segue influenciado pela alta temporada turística, que costuma pressionar especialmente os custos com serviços e alimentação.
— Apesar de ainda apresentar inflação acima da média nacional, Florianópolis perdeu posições no ranking, após ter liderado o acumulado de 12 meses durante praticamente todo o ano passado — destacam.
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Para os especialistas, o resultado de janeiro ainda indica um cenário de inflação controlada, mas é preciso acompanhar a evolução dos preços nos próximos meses, sobretudo em setores mais sensíveis ao turismo e ao consumo local.
Alimentos lideram custo de vida na Capital
Os alimentos consumidos no domicílio continuam sendo os principais responsáveis pela pressão inflacionária em Florianópolis no acumulado de 12 meses. A batata inglesa lidera as altas, com aumento de 86,9%, seguida pelo tomate, que encareceu 74,6% no período.
Também registraram elevação expressiva itens como morango (46,2%), mamão (44,1%), café solúvel (41,7%) e melancia (38,2%). Entre os industrializados, produtos de consumo frequente, como chocolate em barra e bombom (34,6%), macarrão (30,4%) e café em pó (29,1%), tiveram aumentos relevantes.
Artigos de higiene pessoal, como maquiagem (60,4%) e papel higiênico (22,2%), e itens ligados à habitação, como pedras para reparos (51,2%) e mão de obra (20,5%), também apresentaram forte elevação. No vestuário, os destaques foram uniforme escolar (23,3%) e agasalho infantil (22,2%).
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Por outro lado, o feijão preto teve recuo expressivo de 32,4%, enquanto produtos como azeite de oliva (-17,7%), arroz agulha (-17,0%) e leite longa vida (-9,5%) ficaram mais baratos no acumulado de 12 meses.
O que é o Índice de Custo de Vida
O Índice de Custo de Vida (ICV) é uma pesquisa mensal realizada com exclusividade pelo Esag, sediado em Florianópolis. O levantamento monitora, desde 1968, a variação de preços de 297 bens e serviços consumidos por famílias com renda entre um e 40 salários mínimos na capital catarinense.
O ICV utiliza a mesma metodologia adotada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o cálculo do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o que permite a comparação direta com os dados nacionais, embora com foco na realidade local.

