O transporte marítimo em Florianópolis já tem a definição de quatro rotas em um projetopiloto. Segundo a Prefeitura, o início das operações dependem da execução de obras e da contratação da empresa que ficará responsável pelo serviço. O material não foi inteiramente divulgado pois está em processo de elaboração, segundo a Prefeitura.

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O objetivo do transporte marítimo é dar mais uma opção de mobilidade ao cidadão. Em entrevista à CBN, o Prefeito Topázio Neto (PSD) afirmou que pelo menos uma linha do projeto-piloto deve ser concluída até 2028, quando acaba o mandato da atual gestão.

— Vamos ter até o final da minha gestão o transporte marítimo implantado em pelo menos um ou dois trajetos, bancados pela prefeitura no que faltar em termos de tarifa. Na minha opinião, a cidade precisa experimentar o transporte marítimo, porque se não experimentar, sempre vai ser aquele sonho acalentado de todo mundo achando que essa alternativa é a solução da mobilidade na cidade — afirmou o prefeito.

Onde será a primeira linha

A primeira linha foi escolhida por possibilitar o acesso das pessoas através de transporte coletivo, uma vez que a proposta é trabalhar com um sistema totalmente integrado, onde o passageiro possa fazer a troca entre os tipos de transporte que já existem atualmente:

— A primeira opção foi a da chegada dos corredores intermunicipais, nas divisas com São José —disse o diretor de comunicação da Prefeitura, Marcos Albuquerque.

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Segundo o diretor de comunicação da Prefeitura, o estudo prevê quatro possíveis linhas numa fase inicial do projeto:

  • Divisa de São José Sul – Trapiche da Beira Mar
  • Divisa de São José Sul – Trapiche da Beira Mar – Divisa de São José Norte
  • Tapera – Trapiche da Beira Mar
  • Trapiche de Canasvieiras – Trapiche da Beira Mar

O órgão define ainda que a partir da conversa com operadores e fabricantes de operação, o ideal será trabalhar com barcos que tenham capacidade entre 100 e 200 passageiros, pois possuem uma estabilidade aumentada, sofrendo menos com ondulações e ventos.

A Prefeitura estima que as despesas com o transporte serão em torno de 1 a 1,5 milhões por mês e de aproximadamente 12 milhões por ano. O valor foi estimado com base nas pesquisas em outros serviços similares. A Prefeitura não detalhou como planeja garantir esse orçamento.

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Marina da Beira-Mar Norte está sendo construída no ponto final

A primeira linha que deve ficar pronta até 2028, de acordo com o prefeito, terá como ponto final a Beira-Mar Norte, local onde está sendo construída a Marina da Beira-Mar Norte.

Segundo o diretor de comunicação da Prefeitura, Marcos Albuquerque, o ponto foi escolhido por possibilitar a conexão com linhas de transporte coletivo que já existem:

— O trapiche é o local mais próximo de conexão com linhas do transporte coletivo, onde já existe parte da estrutura construída, inclusive com possibilidade de estacionamento.

Além disso, o diretor de comunicação da prefeitura diz que está previsto, no projeto do Parque Urbano e Marina Beira-mar Norte, a reforma do trapiche existente, que vai receber vagas para o uso público, ligando a mobilidade terrestre à náutica.

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— Ainda em relação à mobilidade urbana, além do apoio ao transporte náutico, o projeto prevê bolsões de paradas para ônibus de turismo, embarque e desembarque, novos pontos de ônibus e uma adaptação da marginal de acesso para futura inserção do sistema de BRT — , afirma Marcos.

Confira o projeto da Marina da Beira-Mar Norte

Como transporte coletivo marítimo pode impactar a mobilidade

A estudante Beatriz Perrone, que se desloca diariamente do Continente para a Ilha, relata uma rotina de exaustão devido às condições do transporte coletivo terrestre.

— Não gosto de ficar em pé, é muita humilhação — diz Beatriz, que chega a caminhar até pontos anteriores para tentar subir antes no ônibus e garantir um assento. Diariamente, ela passa uma hora e meia no ônibus para ir até a Ilha e mais uma hora e meia para voltar para casa.

Segundo ela, fatores como chuva e acidentes de trânsito transformam trajetos curtos em longas esperas.

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— Já tive casos de pegar ônibus às 17h na UFSC e só chegar em casa às 20h — conta, mencionando ainda problemas estruturais, como goteiras dentro dos veículos em dias de chuva e bancos desconfortáveis.

Para o pesquisador da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) e especialista em mobilidade urbana, Daniel Pinheiro, o problema vai além do desconforto:

— A variável tempo em estudos de mobilidade é muito importante para entendermos o impacto econômico. Uma pessoa que passa uma hora e meia para se deslocar não perde apenas o tempo. Ela perde qualidade de vida e produtividade.

O pesquisador destaca que a geografia de Florianópolis, uma ilha com acesso centralizado pelas pontes, cria um “efeito cascata”, onde todo o trânsito é impactado diante qualquer incidente, uma vez que existem poucas opções de desvio ou rotas alternativas. Para ele, o transporte marítimo pode ter sucesso, mas precisa ser pensado de forma estratégica:

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— O transporte marítimo só faz sentido se for conectado ao transporte terrestre. Integração, facilidade e atratividade são chaves estratégicas para atrair os usuários — afirma o especialista.

Daniel adverte que o transporte marítimo não pode ser uma proposta isolada.

— A solução para Florianópolis seria a conectividade entre os modais, aliado a uma política de preço e de desafogamento — conclui, ressaltando que o transporte público precisa ser mais atrativo que o carro particular para que as pessoas aceitem fazer essa migração.

*Sob supervisão de Nicoly Souza