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Florianópolis tem pelo menos cinco feiras semanais de orgânicos 

Espaços são certificados e vendem frutas, verduras e legumes sem agrotóxicos 

04/11/2019 - 04h00 - Atualizada em: 04/11/2019 - 07h33

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Karollayne
Por Karollayne Rosa
Orgânicos são livres de agrotóxicos
Orgânicos são livres de agrotóxicos
(Foto: )

Com a busca incessante pela saúde e o aumento na liberação do uso de defensivos agrícolas no país, está em alta o hábito de consumo baseado em frutas, verduras e hortifrutis livres de agrotóxicos. Desde o início do ano, 410 foram aprovados entre janeiro e o dia 17 de outubro deste ano pelo presidente Jair Bolsonaro. O aumento no número de resíduos têm deixado os consumidores cada vez mais expostos aos riscos causados por essas substâncias, de acordo com o médico da Ciatox, Pablo Moritz.

Trabalhadores rurais do Estado que optam pela produção orgânica hoje recebem apoio do Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo (Cepagro), reconhecido como Entidade de Utilidade Pública pelo governo do Estado de Santa Catarina desde 1996. A Cepagro integra a Rede Ecovida de Agroecologia, formada por agricultores, organizações de apoio, agroindústrias e cooperativas de Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo.

— Essa articulação em rede possibilita não só a criação de políticas públicas e programas que fomentam as iniciativas de produção diversificadas e de base agroecológica — afirma o técnico agrícola, Charles Lemb, que trabalha há 17 anos no Cepagro, onde atua na parte de coordenação de desenvolvimento rural da organização.

Na Cepagro, os agricultores recebem assessoria, suporte técnico e orientação para viabilizar a produção orgânica. Lemb conta que existem linhas de financiamento específicas para produtores orgânicos obtidas diretamente nos agentes financeiros.

— É fundamental a parceria direta com essas famílias, porque elas são as grandes promotoras dos conhecimentos e saberes que vão adquirindo a partir das orientações técnicas e das trocas entre elas — explica Lemb.

Também é por meio da Cepagro que os produtores conseguem certificar as propriedades, uma garantia aos consumidores de que produtos são cultivados sem o risco de contaminação por agrotóxico, conforme o técnico agrônomo.

O certificado é reconhecido pelos órgãos de fiscalização do Ministério da Agricultura, por meio da lei 10.831, de 2003, que regulamenta a produção, o processamento, a rotulagem e comercialização dos produtos orgânicos no Brasil.

Em Florianópolis, atualmente, existem pelo menos cinco feiras e orgânicos ligadas à Rede Ecovida.

A representante da entidade, Tanea Mara Folmann, explica que outra modalidade que está crescendo muito é da entrega de cestas a domicílio e a da comunidade que paga um valor mensal e ajuda a sustentar a produção, o que permite uma aproximação do agricultor com o consumidor.

Ela trabalha com isso há oito anos e diz que a ação está em expansão, mas que ainda precisa crescer mais.

Calendário de feiras de orgânicos de agricultores da Ecovida em Florianópolis

Segunda-feira - Noite – Campeche (Espaço Tipiti)

Quarta-feira – Manhã – UFSC (Igreja)

Sexta-feira – Manhã – UFSC (Ciências Agrárias)

Sábado – Manhã - Lagoa da Conceição (pracinha principal)

Sábado - Manhã - Campeche (Pequeno Príncipe)

Você conhece outras feiras de orgânicos em Florianópolis?

Mande nos comentários para ampliarmos a agenda.

A pesquisadora, professora da Univali, pós-doutoranda em agroecologia e paisagismo e especialista em segurança alimentar e agrotóxicos, Márcia Gilmara Marian Vieira, avalia que é necessário encontrar uma forma de incentivar feiras de orgânicos com políticas públicas:

— O método mais correto de identificar se o alimento é orgânico ou não é pela certificação. Ele deve possuir um selo ou está sendo comercializado em alguma feira certificada, com exclusividade de orgânicos. Defendo inclusive que o consumidor seja informado sobre a quantidade de agrotóxico que possui em todos os alimentos, do mesmo modo que isso é exigido a quem produz e comercializa orgânico — explica.

Leia mais:

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