As folhas da guabiroba, árvore nativa da Mata Atlântica e comum em Santa Catarina, apresentam potencial para controlar a glicemia e níveis de colesterol, aponta um estudo realizado por pesquisadores da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc).
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A pesquisa, publicada na revista Foods em julho de 2025, utilizou uma técnica chamada de digestão simulada. Em laboratório foram reproduzidas as condições do estômago e do intestino humano para verificar se os compostos benéficos da planta permanecem estáveis no corpo após a digestão.
— O método da digestão simulada reproduz, em laboratório, o que acontece no sistema digestivo humano, incluindo uma fase semelhante ao estômago, com ambiente mais ácido e ação de enzimas, e outra semelhante ao intestino. Isso ajuda a entender se essas substâncias permanecem estáveis e disponíveis após a digestão — explica a professora Aniela Pinto Kempka, que lidera a pesquisa.
Confira mais detalhes da pesquisa
Essa etapa da pesquisa permitiu compreender como os compostos fenólicos sobrevivem ao processo digestivo. Conforme esclarece Aniela, eles são substâncias naturais produzidas pelas plantas como forma de proteção contra fatores ambientais, a exemplo da radiação solar. Essas substâncias também podem trazer benefícios para os seres humanos, ajudando principalmente a combater o estresse oxidativo, que está relacionado ao envelhecimento celular e ao desenvolvimento de várias doenças, além de contribuir para a redução de processos inflamatórios.
Para testar os efeito das folhas em organismos vivos, as pesquisadoras desenvolveram biscoitos enriquecidos com o extrato das folhas da guabiroba. Os petiscos foram oferecidos a cães da raça Beagle durante 32 dias. Ao final do período, os animais apresentaram uma redução significativa na frutosamina, um marcador que reflete a média do açúcar no sangue, além de uma diminuição no colesterol total.
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— No caso do metabolismo da glicose, não houve alteração direta da glicemia em jejum, mas foi observada uma modulação ao longo do tempo em um marcador chamado frutosamina, que reflete o controle glicêmico em períodos mais prolongados. Em um estudo complementar com o mesmo modelo alimentar, também foi observada uma redução do colesterol total, além de alterações positivas em parâmetros como albumina e imunoglobulina A, que está relacionada à imunidade. Esses achados sugerem que os extratos das folhas da guabirobeira têm potencial como ingrediente funcional, mas ainda não configuram um tratamento direto — esclarece a pesquisadora.
Próximas etapas da pesquisa
Os pesquisadores pretendem adaptar a fórmula dos biscoitos ao paladar humano e aprofundar os testes para garantir a segurança e eficácia em pacientes com doenças metabólicas.
— A pesquisa aponta para o potencial da guabiroba como ingrediente funcional, especialmente quando incorporada em alimentos, reforçando o valor da biodiversidade brasileira no desenvolvimento de novas estratégias em alimentação e saúde — considera Aniela.
Como identificar o colesterol alto?
O colesterol é importante para produção de hormônios, vitaminas e algumas substâncias que atuam na digestão. No entanto, segundo o Ministério da Saúde, o excesso da partícula LDL, conhecida popularmente como colesterol ruim, pode resultar no desenvolvimento de doenças cardiovasculares, como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral, mais conhecido como derrame.
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Condições como obesidade, pressão alta, diabetes, tabagismo e histórico familiar podem contribuir para a tendência de altos níveis de colesterol no sangue, de acordo com o Ministério da Saúde.
Na maioria dos casos, o colesterol alto não causa sintomas. Muitas pessoas só descobrem que estão com níveis elevados por meio de exames de sangue de rotina.
Em alguns casos podem surgir pequenas placas amareladas nas pálpebras, as chamadas xantelasmas, ou um anel esbranquiçado ao redor da íris, o arco senil. Dor ao caminhar, sensação de peso e cãibras noturnas são sintomas que podem apontar para má circulação causada por placas de gordura nas artérias das pernas.
De acordo com o Ministério da Saúde, o tratamento envolve a adoção de hábitos saudáveis, como alimentação saudável, prática de atividade física e uso de medicamentos. Em situações mais graves, de obstrução vascular significativa, o tratamento pode ser cirúrgico.
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Alta glicemia no sangue
O diabetes é uma doença caracterizada pela produção insuficiente de insulina ou pela dificuldade do organismo em utilizá-la adequadamente, de acordo com o Ministério da Saúde. A insulina é o hormônio responsável por permitir que a glicose (açúcar) presente no sangue entre nas células e seja utilizada como fonte de energia para o funcionamento do corpo.
Os sintomas mais comuns do diabetes incluem sede excessiva, aumento da vontade de urinar, fome frequente, cansaço, fraqueza, náuseas, vômitos, formigamento nas mãos e pés, feridas que demoram a cicatrizar e visão embaçada.
Como monitorar o nível de glicemia no sangue
Quando não controlado, o diabetes pode causar o aumento dos níveis de glicose no sangue (hiperglicemia) e levar a complicações graves ao longo do tempo, afetando o coração, os vasos sanguíneos, os olhos, os rins e os nervos. Em casos mais severos, pode até levar à morte.
A prevenção do diabetes está relacionada à adoção de hábitos saudáveis, como a prática regular de atividades físicas, alimentação equilibrada e a redução do consumo de álcool e tabaco. Esses cuidados também ajudam a prevenir outras doenças crônicas, como problemas cardiovasculares e alguns tipos de câncer.
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*Sob supervisão de Nicoly Souza

















