Às vésperas de completar 135 anos, o Farol de Santa Marta segue como um dos principais cartões-postais de Laguna, no Sul de Santa Catarina. Além da imponência da estrutura e da vista privilegiada para o litoral catarinense, o monumento guarda uma característica que o torna único: segundo a Marinha do Brasil, trata-se da maior construção do mundo feita com óleo de baleia.
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Projetado para orientar embarcações e tornar a navegação mais segura em alto-mar, o farol integra um complexo composto por uma torre de 29 metros de altura, Estação Rádio, quatro residências acopladas ao corpo principal, três moradias independentes e uma edificação destinada aos geradores de emergência.
A estrutura foi erguida com pedra, areia, barro e óleo de baleia-franca. Construída pela companhia francesa Barbier, a obra teve início em 1890 e foi inaugurada em 11 de junho de 1891.
Entre as décadas de 1960 e 1970, a comunidade local era formada basicamente por faroleiros e alguns pescadores. Com o passar dos anos, a região cresceu e passou a abrigar mais moradores, mantendo a pesca como uma das principais atividades econômicas e culturais.
Além do farol e da capela localizada ao lado da estrutura, os visitantes encontram nas proximidades da Prainha importantes vestígios arqueológicos. A região abriga sambaquis e sítios utilizados por populações pré-históricas, que serviam como locais de descarte de resíduos e ajudam a preservar a história da ocupação humana no litoral catarinense.
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Fotos do Farol de Santa Marta no século passado
O caso que reforçou a fama de “Cemitério de Navios”
Muito antes da construção do Farol de Santa Marta, um episódio cercado de mistério ajudou a consolidar a reputação da região como um dos trechos mais perigosos da costa catarinense. O caso ficou conhecido como o “navio fantasma do Cabo de Santa Marta” e aconteceu em 1879, quando pescadores avistaram uma embarcação à deriva se aproximando do litoral. Após colidir com pedras, o navio foi arrastado pelas correntes e acabou encalhando nas praias do Cabo de Santa Marta.
De acordo com pesquisas do historiador e escritor Valmir Guedes Júnior, as autoridades foram acionadas em 31 de agosto daquele ano e identificaram a embarcação como um brigue, tipo de navio à vela com dois mastros. No interior, foram encontrados colchões, móveis, barris de mantimentos, garrafas vazias e grandes quantidades de pão e bolachas, todos em bom estado de conservação.
O que mais chamou a atenção foi a ausência completa de tripulantes. Nenhum corpo foi localizado e não havia sinais de violência ou de abandono forçado, circunstâncias que alimentaram especulações e lendas entre os moradores da época.
O episódio ocorreu em uma região já conhecida pelos frequentes naufrágios. Antes da instalação do farol, o litoral entre Laguna e Jaguaruna era considerado um desafio para a navegação, principalmente devido à presença da chamada Laje da Jagua, uma formação rochosa submersa responsável pelo afundamento de dezenas de embarcações ao longo do século XIX. A sequência de acidentes fez com que o Cabo de Santa Marta passasse a ser conhecido como um verdadeiro “Cemitério de Navios”, reforçando a necessidade de um sistema de sinalização marítima na região.
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A explicação para o mistério surgiu cerca de dois meses depois. Informações divulgadas pela imprensa da época apontaram que a embarcação, chamada Oscar, era de origem sueca. Diante das más condições de navegação e do risco de naufrágio, toda a tripulação teria sido resgatada por um navio inglês que passava pela mesma rota e levada em segurança para o porto de Rio Grande, no Rio Grande do Sul. Abandonado, o brigue permaneceu à deriva até ser levado pelas marés e encalhar definitivamente nas areias do Cabo de Santa Marta.
Fotos atuais do Farol de Santa Marta
Saiba como visitar o Farol de Santa Marta em Laguna
Moradores e turistas têm a oportunidade de conhecer de perto um dos principais símbolos do litoral catarinense. O Farol de Santa Marta abre para visitação pública no primeiro fim de semana de cada mês, permitindo que os visitantes explorem a estrutura histórica e apreciem a vista panorâmica da região.
A visitação é realizada por meio de uma parceria entre a Secretaria de Turismo de Laguna e a Delegacia da Capitania dos Portos de Laguna. Para participar, é necessário doar 1 quilo de alimento não perecível, que será destinado a ações sociais. Além de conhecer a história de um dos maiores e mais emblemáticos faróis do Brasil, os visitantes também podem contemplar a paisagem privilegiada do litoral Sul de Santa Catarina a partir de um dos pontos mais altos da região.
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As visitas ocorrem das 9h às 12h e das 13h às 17h. A entrada é garantida mediante a doação de 1 quilo de alimento não perecível.




















