Funcionários da empresa de Tecnologia alvo de uma operação do Gaeco nesta quinta-feira (9) se surpreenderam com a presença da polícia ao chegar para o trabalho. Diante da porta, um agente orientou a cada um que se aproximava que voltasse para casa. A Pública Tecnologia fica no bairro Itoupava Seca e é investigada por suspeita de participação em um esquema de fraudes em licitações, corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes envolvendo prefeituras e câmaras de vereadores de Santa Catarina.

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A cena antes das 8h foi presenciada por uma equipe da NSC TV. Com carros da Polícia Científica diante da sede da empresa de mais de 30 anos, funcionários ficaram boquiabertos ao chegar para o que deveria ser mais um dia comum de serviço. Ao serem informados da operação e da proibição de entrar, deixaram o local.

Apesar do sigilo imposto aos documentos, fontes revelaram ao NSC Total que os 17 mandados de busca e apreensão foram cumpridos na empresa e na casa dos investigados em Blumenau, Rio do Sul, Lages, Penha, Balneário Camboriú, Canoinhas e Irani. Entre os suspeitos há um prefeito do Oeste, uma servidora pública do Litoral Norte e um ex-vice-prefeito do Planalto Norte.

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Mandados foram cumpridos na empresa de Blumenau e casas de suspeitos (Foto: Gaeco, Divulgação)

Os contratos com suspeita de fraude foram fechados em ao menos 13 cidades diferentes, com prefeituras e Câmaras. Com o avanço das investigações, o Ministério Público fez uma série de pedidos à Justiça, que autorizou somente os 17 mandados.

Operação Gaiola Digital

A operação desta quinta foi liderada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) e pelo Grupo Especial Anticorrupção (Geac) e se chama “Gaiola Digital”. A investigação do Ministério Público teve origem na mesma delação premiada que resultou na Operação Mensageiro.

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Segundo informações obtidas até o momento, o núcleo empresarial e agentes públicos teriam estruturado um esquema para direcionar as licitações que possibilitaram a contratação de sistemas de gestão pública.

Na prática, o método teria consistido na elaboração ou influência sobre editais para que os documentos favorecessem que a empresa previamente escolhida fosse vencedora. Em troca, pagamento de propina.

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Milhões de reais

As investigações apontam ainda que o esquema teria estrutura organizada, com divisão de tarefas entre núcleos responsáveis pela articulação com os agentes públicos, pela elaboração de documentos técnicos, pela operacionalização de pagamentos indevidos e pela movimentação financeira voltada à ocultação da origem e do destino dos recursos.

Também foram identificados indícios de lavagem de dinheiro por meio de saques fracionados e de operações financeiras destinadas à formação de um caixa clandestino usado no pagamento de propinas. Somente no período investigado (2022 a 2026), foram identificadas centenas de movimentações bancárias incompatíveis com a atividade empresarial regular, somando milhões de reais.

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Agora, as investigações continuam.

O que diz a empresa

A reportagem da NSC TV não conseguiu acesso à empresa para uma entrevista. Por telefone, o NSC Total tampouco obteve um contraponto da Pública Tecnologia. O espaço segue aberto.