O Universo, tal qual nós conhecemos, pode estar caminhando para o fim. Essa pode ser uma interpretação de estudos realizados recentemente que mostram que as galáxias estão, aos poucos, parando de produzir novas estrelas. O fato detectado pelos astrônomos nas últimas décadas revela que o cosmos pode ter passado do “auge”, algo que a ciência considera parte de um processo natural e gradual de desaceleração e que impacta tudo o que existe.
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Responsáveis por forjar elementos pesados e essenciais para a formação de outros corpos celestes e até mesmo da vida, como carbono, oxigênio e ferro, as estrelas podem ser consideradas como uma das bases fundamentais do Universo. Sem elas, praticamente nada existiria – é a partir dessas estrelas que sistemas solares com planetas, luas e outros astros se formam.
Embora compunham uma pequena fração do Universo (quase que a totalidade do cosmos é composta por matéria escura), as estrelas são as principais fontes de luz, energia e calor, essenciais para a evolução e organização das galáxias. Toda essa mecânica faz com que as estrelas transformem o hidrogênio primordial em elementos mais complexos, possibilitando a formação de novos astros e o desenvolvimento geral do Universo.
O pico de produção já passou
A ciência acredita que o Universo tem cerca de 13,8 bilhões de anos desde o Big Bang. E estima-se que o auge da produção de novas estrelas tenha ocorrido entre 10 e 11 bilhões de anos atrás.
Um estudo realizado em 2013 revelou que cerca de 90% das estrelas que um dia existirão já nasceram. Ou seja, praticamente todas as estrelas que o Universo produziu ou ainda vai produzir, já existem. Isso indica que a fabricação está perto de se encerrar. Sem novas estrelas, não haverá mais galáxias, sistemas solares ou planetas.
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As estrelas se formam a partir de um colapso gravitacional no centro de alguma galáxia, ocasionado por imensas nuvens de gás, especialmente hidrogênio, e poeira, as chamadas nebulosas. Geralmente são elementos extremamente frios, mas que, com a dinâmica, acabam superaquecidos por intensas atividades químicas. A partir daí, longos processos ocorrem para o surgimento do núcleo e outras partes até que a estrela, nas categorias que conhecemos, se formem totalmente.
Galáxias estão sem matéria-prima
É justamente a falta de elementos fundamentais, como o hidrogênio, que está ocasionando a drástica redução na produção de novas estrelas. Ou seja, as galáxias estão esfriando e ficando sem a matéria-prima para a fabricação dos astros – mesmo que o telescópio James Webb tenha descoberto recentemente uma galáxia que segue produzindo um grande volume de novas estrelas.
Além disso, processos como ventos galáticos gerados por buracos negros supermassivos expulsam o gás das galáxias, impedindo que novas estrelas nasçam.
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O grande congelamento
A diminuição cada vez mais acentuada na formação de novas estrelas reforça a teoria do Grande Congelamento, uma das mais aceitas sobre um possível fim do Universo como conhecemos.
Segundo essa teoria, em alguns trilhões de anos, as galáxias terão consumido todo o gás interno. Até lá, provavelmente, todas as estrelas que ainda vão nascer já existirão, e as atuais já terão morrido.
As últimas estrelas a restarem serão as Anãs Vermelhas, que queimam combustível muito lentamente. Quando elas morrerem, o Universo ficará repleto de “cadáveres estelares”: anãs brancas, estrelas de nêutrons e buracos negros. Não haverá mais luz visível e, com o tempo, até esses cadáveres serão engolidos por buracos negros ou se dissiparão. O Universo será um lugar vasto, frio e escuro.
Toda essa cadeia de eventos vai ocasionar a chamada Morte Térmica, com a temperatura se aproximando do Zero Absoluto e, com a expansão, não haverá troca de energia ou qualquer interação capaz de criar alguma coisa. O Universo como conhecemos deixará de existir.
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Quando será o fim do Universo?
Apesar de alarmante, o fato de que novas estrelas estão surgindo com cada vez menos frequência ainda não impacta na dinâmica da vida, e não há motivos para se preocupar, ao menos por enquanto. A estimativa é que o fim de tudo ocorra em cerca de um quinvigintilhão de anos, ou seja, o número 1 seguido de 78 zeros. E a última estrela só se apagará definitivamente em mais de 100 trilhões de anos.
O Sol, por exemplo, está na metade da vida – cerca de 4,6 bilhões de anos – e deve viver por mais 5 bilhões de anos até se tornar uma Gigante Vermelha, quando se esgotará o hidrogênio do seu núcleo.
A Terra tem idade estimada em 4,5 bilhões de anos, e a humanidade surgiu há menos de 300 mil anos. Ou seja, o fim do Universo ainda está distante – e ainda temos bastante tempo para observar o céu.






