A gangue suspeita de traficar mulheres de Santa Catarina para a Irlanda mantinha um bordel onde 10 garotas trabalhavam no país europeu, informou o detetive Dereck Maguire, superintendente da Garda, a polícia nacional irlandesa. Três homens, na casa dos 20 e 30 anos, e uma mulher foram presos na operação em Dublin. Todos são brasileiros e seguem detidos no país.
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Conforme o detetive irlandês, era uma organização sofisticada.
— Havia um bordel em funcionamento, com 10 garotas trabalhando lá. Essas 10 garotas são vítimas potenciais de tráfico humano. Essa foi uma abordagem centrada nas vítimas. Poderíamos ter garotas lá sob controle da organização criminosa, absolutamente temendo por suas vidas — disse o detetive irlandês, em entrevista à NSC TV.
Até agora, 70 mulheres, vítimas da exploração, foram identificadas e a maioria delas segue na Europa. Em um comunicado, a Garda fez um apelo para que possíveis vítimas do esquema não se calem.
“A Garda entende que as vítimas desses crimes nem sempre estão em posição de fazer uma denúncia, talvez haja a oportunidade de falar com a Garda que você encontra em qualquer localização”, diz a nota, enviada à NSC TV.
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Veja fotos da operação em Dublin
Maioria das vítimas era de SC
A organização criminosa foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) em conjunto com a Garda e a Europol na última quarta-feira (3). Em Santa Catarina, quatro pessoas foram presas em Florianópolis, São José, Palhoça, Biguaçu e Camboriú. A PF também cumpriu mandados em mais seis estados (São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais e Mato Grosso), além da Irlanda.
A maioria das vítimas era catarinense, de acordo com o delegado regional da PF Farnei Franco Siqueira. As mulheres eram aliciadas em baladas, clubes e na comunidade por integrantes da organização.
Depois de convencê-las, o grupo pagava passagens e as mandava para o exterior, onde ficavam alojadas e eram exploradas sexualmente em casas pré-estabelecidas e por meio de anúncios na internet, conforme a PF. A investigação estima que o grupo lucrava o valor bruto de R$ 100 mil por mês com cada vítima.
As mulheres recebiam parte do lucro da exploração, enquanto o restante ficava com o grupo criminoso, conforme a PF. Segundo o delegado Siqueira, as mulheres viajavam sabendo que fariam programas, mas, ao chegarem à Irlanda, se viam sem autonomia.
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— As vítimas tinham conhecimento, mas elas eram colocadas em uma situação degradante, em que não se viam com outra alternativa, que não trabalhar nessa forma de exploração. No momento que elas chegavam no exterior, claro, tinha a questão do lucro, mas tinha uma série de situações que elas ficavam em uma verdadeira prisão — disse o delegado, à imprensa.
Segundo a PF, os alvos da ação eram todos brasileiros, responsáveis pela mediação e remessa das mulheres. Eles também são suspeitos de lavar dinheiro através da aquisição de bens, veículos e imóveis, além investimentos em empresas e criptoativos, conforme o delegado.
Boate de Palhoça nega relação direta
A casa noturna Boom Bar, de Palhoça, foi alvo da ação. Em imagens divulgadas pela PF, agentes aparecem coletando documentos no local.
Em nota divulgada nas redes sociais, a Boom Bar afirma que a operação “não possui qualquer relação direta com nossa empresa”, e que foram mencionadas “suspeitas genéricas envolvendo a utilização de empresas de fachada, hipótese que jamais ocorreu”.
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Veja a nota da boate Boom Bar
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