A modernização dos sistemas bancários trouxe agilidade ao mercado de crédito, mas também sofisticou a atuação de quadrilhas especializadas em fraudes financeiras no país. Criminosos estão se aproveitando de dados pessoais vazados na internet para formalizar contratos de empréstimo consignado sem o consentimento das vítimas, provocando abatimentos automáticos diretamente em salários e aposentadorias.

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O crime se apoia na facilidade de abertura de contas digitais e na simulação de identidades perante correspondentes bancários. O cidadão pode ativar o BC PROTEGE+ no site do Banco Central, uma ferramenta de bloqueio ativo que notifica o sistema financeiro sobre o desinteresse em abrir novas contas, travando a ação de golpistas em bancos digitais.

O rastro dos dados e os sinais no contracheque

As quadrilhas obtêm as informações básicas das vítimas, como CPF, nome completo e número de inscrição no INSS, por meio de bancos de dados vendidos ilegalmente, invasões a e-mails e cliques em links maliciosos de mensagens falsas.

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De posse dessas chaves, os fraudadores simulam a assinatura digital do cidadão e contratam empréstimos. A fraude costuma ser descoberta apenas quando o trabalhador ou aposentado nota uma redução inexplicável no valor líquido do seu pagamento mensal ou se depara com um saldo não solicitado em sua conta bancária.

O monitoramento preventivo exige atenção a três sinais clássicos de alerta emitidos pelo sistema:

  • Avisos por SMS ou e-mail confirmando contratações que nunca foram solicitadas pelo titular.
  • Débitos recorrentes no extrato mensal sem uma origem clara de identificação da instituição.
  • Mudanças bruscas e sem aviso prévio nas condições do benefício, como prazos alterados ou portabilidade bancária automática não autorizada.

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Blindagem do CPF e monitoramento em tempo real

Para repelir as tentativas de golpe, o cidadão deve evitar o compartilhamento de fotos de documentos, senhas ou códigos de segurança recebidos via SMS em conversas de WhatsApp ou ligações telefônicas.

O acompanhamento dos contracheques deve se tornar rotina por meio dos canais Meu INSS ou do internet banking privado. O acionamento de notificações do tipo push no celular ajuda a flagrar movimentações suspeitas de forma imediata.

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Antes de assinar qualquer operação legítima, o consumidor deve acessar a ferramenta oficial “Encontre uma instituição” no portal do Banco Central para certificar o credenciamento da empresa.

Caso a fraude já tenha se consolidado, a reação precisa ser imediata: conteste o lançamento junto ao banco que liberou o recurso, exija a suspensão dos descontos e solicite cópias de contratos e gravações de atendimento.

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É indispensável reunir todos os protocolos, extratos e prints como prova, registrar um Boletim de Ocorrência na polícia e formalizar uma denúncia nas plataformas digitais do INSS, no Consumidor.gov.br ou diretamente no Banco Central.

Para evitar novas dores de cabeça, o cidadão pode ativar o BC PROTEGE+ no site do Banco Central. Complementarmente, o sistema Registrato, também mantido pelo Banco Central, permite emitir relatórios contínuos de empréstimos, financiamentos, chaves PIX e contas abertas vinculadas ao seu CPF.

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*Com edição de Nicoly Souza