O governo de Santa Catarina informou, neste sábado (27), que vai entrar com uma representação junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Lula (PT), após declarações que a gestão estadual classificou como xenofóbicas. Segundo o governo, o documento deve ser protocolado na segunda-feira (29).
Continua depois da publicidade
A declaração de Lula foi dada na sexta-feira (26), durante discurso no estaleiro Detroit Brasil, em Itajaí, no Litoral Norte catarinense.
— Vocês não podem permitir que prevaleça em Santa Catarina o racismo. Não podem permitir que aqui em Santa Catarina as pessoas sejam tomadas da cisma da grandeza, porque esse estado é muito rico, não é pobre. A gente é um estado brasileiro e todo mundo tem que ser tratado igual. Não tem o cara porque é branco é melhor do que o que é negro. O cara que é nordestino é pior do que do Sul do país. Que história que é essa? A gente não aceita. Hitler tentou fazer isso e acabou do jeito que acabou. A gente não pode permitir essa essa ideia da hegemonia branca sobre o restante do país — disse Lula.
Continua depois da publicidade
Governo diz que fala reforça discurso discriminatório contra SC
Segundo o governo estadual, a fala de Lula “insinuou que os catarinenses são racistas e que se consideram superiores a moradores de outros estados”. Na visão da administração estadual, a declaração reforça um discurso discriminatório contra Santa Catarina e contra os catarinenses.
“Uma coisa é o presidente me criticar ou vir a Santa Catarina dizer coisas que não condizem com a realidade. Isso faz parte do debate político e nós respondemos com fatos. Outra coisa, muito diferente, é chamar o povo catarinense de racista. Isso é criminoso, preconceituoso e ele precisa responder por isso”, declarou o governador Jorginho Mello (PL), em material enviado à imprensa.
Continua depois da publicidade
O NSC Total entrou em contato com a secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, mas não obteve retorno com posicionamento até o fechamento desta reportagem.

Lula citou cotas na universidade
No mesmo discurso, Lula citou a política de cotas em universidades públicas.
Continua depois da publicidade
— E sabe por que muitas vezes algumas pessoas não gostam de nós? Não gostam de nós porque hoje o povo negro está na universidade na mesma proporção que o povo branco. Não gosta de nós por conta da política de cota — declarou, citando também ações do governo voltadas a quilombolas e indígenas.
No início deste ano, Jorginho sancionou uma lei que acabava com as cotas raciais nas universidades estaduais catarinenses, após a medida ser aprovada pela Assembleia Legislativa (Alesc). Na época, o Ministério da Igualdade Racial chegou a enviar uma manifestação para a Advocacia-Geral da União (AGU) destacando a inconstitucionalidade da lei, considerada pela pasta um “retrocesso”. Em abril, a lei foi derrubada por unanimidade pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Continua depois da publicidade

