O governo brasileiro deve se reunir no Palácio Itamaraty, em Brasília, para uma reunião emergencial neste sábado (3) após ataques de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, à Venezuela. Político afirmou que ação das forças do país capturou o presidente venezuelano Nicolás Maduro.
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Segundo informações do g1, ainda não se sabe quais ministros devem participar da reunião marcada de forma emergencial. Mauro Vieira, que é ministro das Relações Exteriores, por exemplo, está de férias até 6 de janeiro. A pasta está sendo coordenada por Maria Laura da Rocha, secretária-executiva.
O presidente Lula e a primeira-dama, Janja da Silva, também estão fora de Brasília por conta das festas de fim de ano. Ambos estão base militar da Restinga da Marambaia, no Rio de Janeiro, informou o g1.
A reunião emergencial ocorre após ataques de Trump à Venezuela e captura de Maduro. A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou para a imprensa local não saber o paradeiro do líder venezuelano. Além disso, exigiu do governo dos Estados Unidos que enviassem uma prova de vida do político e sua esposa.
Tensões recentes
As tensões entre os Estados Unidos e a Venezuela escalaram a partir de agosto de 2025, quando Washington elevou para 50 milhões de dólares a recompensa por informações que levassem à captura de Maduro, acusando-o de liderar o narcotráfico. Os EUA, então, reforçaram a presença militar no Caribe, inicialmente justificando-a como combate ao tráfico de drogas, mas fontes americanas indicaram que o objetivo maior era derrubar o regime.
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Nas últimas semanas, forças americanas apreenderam petroleiros venezuelanos e impuseram bloqueios a embarcações sancionadas, com Trump acusando Maduro de roubar os EUA e expressando interesse no controle das vastas reservas de petróleo do país. A escalada culminou neste sábado, com a captura de Maduro e a esposa Cilia Flores, que foram retirados do país.
Histórico conflituoso entre EUA e Venezuela
Os atritos entre Venezuela e Estados Unidos ganharam intensidade durante o governo de Hugo Chávez, eleito em 1998. Chávez, com agenda bolivariana de socialismo do século 21, nacionalizou indústrias como a petrolífera PDVSA, desafiando interesses econômicos americanos na região. Sanções iniciais impostas pelos EUA visavam isolar economicamente Caracas, enquanto Chávez respondia com retórica anti-imperialista, expulsando diplomatas americanos e promovendo alianças alternativas, o que aprofundou o fosso ideológico e geopolítico entre os dois países.
A escalada continuou sob Nicolás Maduro, sucessor de Chávez em 2013, com os EUA intensificando sanções sob as administrações Obama, Trump e Biden, citando fraudes eleitorais, repressão a opositores e ligações com o narcotráfico. Em 2019, os Estados Unidos reconheceram Juan Guaidó como presidente interino, ignorando Maduro, o que levou a uma crise diplomática sem precedentes, incluindo o congelamento de ativos venezuelanos no exterior e embargos ao petróleo, principal fonte de receita do país.
Maduro, por sua vez, acusou repetidamente os EUA de tentativas de golpe e intervenções, fortalecendo laços com Moscou e Pequim para contornar as restrições. Esse histórico de desconfiança mútua e confrontos econômicos tem alimentado tensões que, agora, evoluíram para ataques e a captura do presidente Nicolás Maduro.
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