A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou para a imprensa local não saber o paradeiro do líder do país, Nicolás Maduro. Além disso, exigiu do governo dos Estados Unidos que enviassem uma prova de vida do político e sua esposa, que teriam sido capturados por tropas estadunidenses durante os ataques da madrugada deste sábado (3). Além disso, o ministro da Defesa venezuelano, general Vladimir Padrino López, declarou que o país irá reagir.

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“Diante dessa situação brutal e desse ataque, nós desconhecemos o paradeiro de Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores. Exigimos do governo Trump prova de vida imediata do presidente Maduro e da primeira-dama”, disse Rodríguez.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que uma ação das forças do país capturou Maduro. Ele elogiou o ataque feito pelas forças estadunidenses à Venezuela, chamando de “operação brilhante”.

Durante a madrugada, o governo venezuelano chegou a declarar emergência e convocou um plano de mobilização para “derrotar agressão imperialista”, conforme o comunicado.

“O povo venezuelano foi submetido à mais criminosa agressão militar pelo governo dos EUA. Honra, dever e história nos chamam. Que o grito de uma Pátria livre ressoe em todos os cantos! A vitória é nossa, porque a razão e a dignidade estão do nosso lado! Nós prevaleceremos”, declarou ainda o ministro da Defesa da Venezuela.

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Tensões recentes

As tensões entre os Estados Unidos e a Venezuela escalaram a partir de agosto de 2025, quando Washington elevou para 50 milhões de dólares a recompensa por informações que levassem à captura de Maduro, acusando-o de liderar o narcotráfico. Os EUA, então, reforçaram a presença militar no Caribe, inicialmente justificando-a como combate ao tráfico de drogas, mas fontes americanas indicaram que o objetivo maior era derrubar o regime.

Nas últimas semanas, forças americanas apreenderam petroleiros venezuelanos e impuseram bloqueios a embarcações sancionadas, com Trump acusando Maduro de roubar os EUA e expressando interesse no controle das vastas reservas de petróleo do país. A escalada culminou neste sábado, com a captura de Maduro e a esposa Cilia Flores, que foram retirados do país.

Histórico conflituoso entre EUA e Venezuela

Os atritos entre Venezuela e Estados Unidos ganharam intensidade durante o governo de Hugo Chávez, eleito em 1998. Chávez, com agenda bolivariana de socialismo do século 21, nacionalizou indústrias como a petrolífera PDVSA, desafiando interesses econômicos americanos na região. Sanções iniciais impostas pelos EUA visavam isolar economicamente Caracas, enquanto Chávez respondia com retórica anti-imperialista, expulsando diplomatas americanos e promovendo alianças alternativas, o que aprofundou o fosso ideológico e geopolítico entre os dois países.

A escalada continuou sob Nicolás Maduro, sucessor de Chávez em 2013, com os EUA intensificando sanções sob as administrações Obama, Trump e Biden, citando fraudes eleitorais, repressão a opositores e ligações com o narcotráfico. Em 2019, os Estados Unidos reconheceram Juan Guaidó como presidente interino, ignorando Maduro, o que levou a uma crise diplomática sem precedentes, incluindo o congelamento de ativos venezuelanos no exterior e embargos ao petróleo, principal fonte de receita do país.

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Maduro, por sua vez, acusou repetidamente os EUA de tentativas de golpe e intervenções, fortalecendo laços com Moscou e Pequim para contornar as restrições. Esse histórico de desconfiança mútua e confrontos econômicos tem alimentado tensões que, agora, evoluíram para ataques e a captura do presidente Nicolás Maduro.