nsc
dc

Operação CyberCafé

Grupo com atuação em SC invadia contas bancárias para desviar dinheiro e pagar boletos

Ação da Polícia Federal cumpriu mandado de prisão em Florianópolis nesta quarta-feira

22/06/2022 - 16h25

Compartilhe

Camilla
Por Camilla Martins
Operação da PF em SC mira grupo criminoso que invadia contas bancárias pela internet
Operação CyberCafé cumpriu 18 mandados de busca e apreensão
(Foto: )

Nesta quarta-feira (22), a Polícia Federal deflagrou uma operação contra um grupo criminoso que praticava fraudes eletrônicas. Um mandado de prisão temporária foi cumprido em Florianópolis e outro mandado de prisão, em Araçatuba (SP).

Receba notícias do DC via Telegram 

Além dos dois mandados de prisão, a Operação CyberCafé cumpriu 18 mandados de busca e apreensão, sendo um deles em Santa Catarina, 11 no Espírito Santo, quatro em Minas Gerais e dois em São Paulo. Segundo a Polícia Federal, medidas de sequestro de bens também foram executadas no valor aproximado de R$ 6 milhões. Entre essas medidas estão apreensão de veículos e o sequestro de depósitos em contas bancárias, criptoativos e imóveis.  

De acordo com a Polícia Federal, o início das investigações ocorreu quando foi identificado um grupo criminoso especializado em fraudes bancárias, que atuava no Espírito Santo. A PF identificou que o grupo tinha ao menos três núcleos: hackers/atacantes, intermediadores e beneficiários. A partir dessa divisão, eles utilizavam serviços de invasão de contas bancárias pela internet para desviar valores ou para quitar boletos, em especial, de dívidas tributárias junto à Secretaria Estadual de Fazenda do Espírito Santo (SEFAZ/ES). 

Segundo a PF, os hackers/atacantes acessavam ilegalmente as contas das vítimas por meio do ataque Phishing ou Acesso Remoto (RATs - Remote Access Trojan), desviando os valores para contas de beneficiários ou para pagamento de boletos da SEFAZ/ES.

Já os intermediadores eram responsáveis pelo recrutamento dos beneficiários e recebiam deles os valores frutos das fraudes, repassando parcela dos valores conseguidos com o crime aos hackers/atacantes. 

Com o esquema, o grupo criminoso gerou prejuízo financeiro a bancos e empresas, além frustrar o pagamento de impostos foram indevidamente pagos com valores das contas alvos das fraudes.  

Os investigados poderão responder por prática de furto qualificado mediante fraude, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Se forem condenados, a pena pode chegar aos 21 anos de reclusão.

Segundo a Polícia Federal, os criminosos investigados operam exclusivamente na internet, no meio cibernético e os maiores beneficiários das fraudes são empresas que atuam no comércio de café do Espírito Santo e foi esse fato que motivou o nome da operação. 

Relação com outras investigações 

A Polícia Federal informou ainda que um dos alvos da operação, deflagrada nesta quarta-feira, tem ligações com os investigados da Operação Spoofing, que revelou a existência do chamado Grupo de Araraquara. Entre outras ações criminosas, este grupo foi responsável pelos ataques a celulares de autoridades ligadas ao Governo Federal e à Operação Lava Jato, entre elas, o ex-ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro.   

Um dos alvos da operação também desenvolve aplicações usadas nos crimes e por outros hackers assim como os envolvidos na Operação Creeper, que apreendeu mais de R$ 7 milhões e três quilos de ouro na casa de um desenvolvedor de malwares utilizados pelos hackers em suas fraudes.

Operação Cybercafé
Grupo criminoso gerou prejuízo financeiro a bancos e empresas,
(Foto: )

Leia também

Ex-ministro Milton Ribeiro é preso por esquema com pastores

"Se a PF prendeu, tem motivo", diz Bolsonaro sobre ex-ministro

Colunistas