A multinacional Unilever, dona de marcas como Omo, Comfort e Cif, denunciou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) a contaminação nos produtos da Ypê. A denuncia foi feita meses antes da suspensão dos produtos fabricados na fábrica de Amparo, em São Paulo.
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A primeira denuncia foi protocolada em outubro de 2025, quando a Unilever afirmou que identificou presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa/paraaeruginosa em quatro lotes de produtos Tixan Ypê Express. As análises dos produtos foram feitas no laboratório Charles River, descrito como detentor de “um dos maiores bancos de dados genéticos do mundo”.
Segundo os documentos, os lotes analisados eram das versões “Cuida das roupas” e “Combate mau odor”, todos com validade até junho de 2027. A Unilever afirma que os produtos apresentavam “desvio microbiológico relevante” e informou que havia “iminente risco à saúde e segurança dos consumidores”.
Em março de 2026, a Unilever voltou a apresentar denuncias contras produtos da linha Ypê. Segundo o documento, outros 14 lotes de produtos da linha Ypê também teriam apresentado contaminação microbiológica em análises conduzidas pelo laboratório Eurofins.
Os novos lotes incluíam versões Tixan Ypê Primavera, Tixan Ypê Maciez, Tixan Ypê Express, Ypê Power Act e até um lote de detergente Ypê Lava-Louças Neutro, diz a denúncia. O documento afirma que em sete dos 14 lotes analisados, havia traços genéticos de outras bactérias, incluindo Klebsiella pneumoniae, Acinetobacter baumannii e diferentes espécies do gênero Pseudomonas.
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Segundo a denúncia da Unilever, muitos desses microrganismos também poderiam representar risco à saúde humana. A multinacional britânica solicitou a abertura de processo administrativo para investigar a conduta da Química Amparo.
Veja fotos sobre a polêmica da Ypê
Recurso da empresa fabricante do Ypê
A empresa apresentou recurso contra a decisão que proibiu a produção e as vendas dos produtos. Um efeito suspensivo da decisão de recolhimento de produtos até o julgamento do recurso, o que irá ocorrer nesta quarta-feira (13). Enquanto isso, a Anvisa manteve a recomendação aos consumidores para não utilizarem os produtos.
Nesta terça-feira (12), a Anvisa informou que a empresa Química Amparo teria intensificado o trabalho para cumprir 239 ações corretivas na fábrica em que são produzidos os itens que foram alvos da restrição.
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O caso da proibição de produtos Ypê foi alvo de uma guerra de narrativas nas redes sociais depois que apoiadores da direita fizeram postagens acusando a Anvisa de suposta “perseguição política” à empresa Ypê, chegando a simular beber os produtos de limpeza. O motivo seria o fato de os donos da companhia terem feito doações à campanha eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na corrida presidencial de 2022.
Em nota ao NSC Total, a Anvisa afirmou que toda a avaliação de risco sanitário foi feita com base nas situações encontradas em vistorias da Anvisa, do Estado de São Paulo e do município de Amparo. A agência pontuou também que “a circulação de fake news prejudica o próprio consumidor, induzindo a erros e expondo a saúde dessas pessoas a riscos desnecessários”.
O que diz a Unilever
Em nota, a Unilever afirma que “realiza rotineiramente testes técnicos em seus produtos e eventualmente nas demais marcas do mercado. Esta é uma prática comum entre as indústrias do setor. A depender dos resultados destes testes, em respeito ao consumidor, as autoridades competentes são notificadas.”
Ainda segundo a empresa, “quaisquer investigações são conduzidas exclusivamente pela autoridade, que avalia as diligências, fiscalizações e testes que entender necessários para a tomada de decisão.”
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A Anvisa foi questionada pela reportagem do g1, mas não retornou o contato até a publicação da matéria.
*Com informações da Folha de S.Paulo e g1.








