A guerra no Oriente Médio desencadeada após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã causa impacto no preço e na oferta de combustíveis em todo o mundo. O principal motivo é o fechamento do Estreito de Ormuz, canal por onde passam 20% de todo o petróleo consumido no mundo e que está obstruído pelo governo iraniano em razão dos ataques.
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Em Santa Catarina, o principal reflexo do conflito no Irã até o momento ocorreu no preço dos combustíveis, em especial do diesel. O preço médio do produto em SC passou de R$ 6,11 antes dos ataques ao Irã para R$ 6,69 no levantamento mais recente, divulgado no último fim de semana pela Agência Nacional de Petróleo (ANP). A variação representa uma alta de quase 10% nas duas semanas de conflito. Em alguns municípios, a alta foi até maior, com o valor do combustível chegando a R$ 7,10, em Mafra (alta de 17,5%), e a R$ 6,94, em Itajaí (acréscimo de 13,8%).
A situação, no entanto, acendeu mais um alerta depois que prefeituras de cidades do Sul do Estado anunciaram medidas de racionamento de diesel no abastecimento da frota de veículos da administração municipal. Araranguá havia anunciado a medida na semana passada e, nesta terça-feira (17), foi a vez de Lauro Müller confirmar ação semelhante.
O que diz o Estado
Questionado pela reportagem, o governo do Estado respondeu com nota afirmando que “não existe possibilidade legal para que um Estado reduza este imposto por decisão unilateral”. Isso porque, desde 2023, o ICMS passou a ser cobrado diretamente no início da cadeia, nas refinarias, e em valor fixo por litro acordado por todos os estados no Conselho Nacional de Secretarias Estaduais da Fazenda (Confaz). Com isso, uma decisão sobre eventual alteração precisaria envolver todos os estados, no âmbito do Confaz.
“Em que pese a legítima intenção de se desonerar o consumidor final e a necessidade de minimizar os impactos causados pela Guerra no Oriente Médio, estudos comprovam que as reduções de preços na origem e cortes tributários não costumam ser repassadas ao preço nas bombas. Em análise publicada no fim de 2025, o Instituto de Pesquisa em Petróleo, Gás e Biocombustíveis (INEEP) demonstrou que, nos últimos três anos, o preço da gasolina caiu 16% nas refinarias, mas subiu 27% nas bombas”, informou o Estado, em um trecho da nota.
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A nota aponta ainda que uma eventual isenção no imposto estadual obrigaria o Estado a buscar compensações, e que a gestão “segue a política de não aumentar impostos estaduais”.
Ainda assim, o governo de SC afirma estar à disposição do Confaz para discutir possíveis ajustes e que “o objetivo é buscar alternativas que conciliem a proteção do consumidor, atendam às demandas do setor produtivo e garantam a manutenção da sustentabilidade fiscal”.
Veja fotos de venda de combustíveis
Apesar do alerta, sindicatos que representam os postos de gasolina de Santa Catarina descartam qualquer risco de racionamento ou desabastecimento de combustíveis no Estado. O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Santa Catarina (SC Petro), Luiz Antônio Amin, afirma que as distribuidoras permanecem aceitando os pedidos dos estabelecimentos normalmente.
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— As prefeituras estão fazendo isso (anunciando medidas de racionamento nas frotas) por conta própria, porque não há nenhum risco de desabastecimento — afirma Amin.
O dirigente explica que a única restrição que vem sendo praticada é que os pedidos dos donos de postos às distribuidoras devem seguir a média de compra dos últimos meses. Caso algum empresário tente fazer um pedido muito acima do volume usual de compra, a tendência é que essa negociação não seja aceita. O mesmo ocorre com prefeituras e donos de grandes frotas que negociam combustível diretamente com distribuidores. Mesmo assim, os pedidos negociados com os distribuidores estão sendo cumpridos e entregues, conforme o dirigente.
Impacto nos preços
Já o aumento nos preços de gasolina e diesel nos últimos dias são reflexos admitidos pelos dirigentes como consequências das incertezas no mercado internacional causadas pelo confronto no Oriente Médio. Na semana passada, a Petrobras já havia anunciado aumento de R$ 0,38 no diesel A, que deveria corresponder a R$ 0,32 de acréscimo no preço do litro do diesel B, vendido nos postos. Em contrapartida, o governo federal chegou a anunciar a retirada do PIS e do Cofins, impostos federais, do preço do diesel, justamente para tentar compensar a alta nos preços.
Apesar da medida, os representantes dos postos de gasolina se queixam de que, embora o governo tenha zerado o PIS e o Cofins, a Petrobras teria passado a vender parte das cotas de combustível disponíveis por meio de leilão, o que resulta em um ágio (lucro extra) para a estatal, mas encarece o produto para as distribuidoras, que na etapa seguinte da cadeia repassam esse custo extra na compra do combustível aos postos.
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— Hoje, até esse momento, não há risco de desabastecimento. A única coisa que está preocupando e muito o empresário é a questão dos preços. O governo anunciou redução de PIS e Cofins, mas em contrapartida a Petrobras aumentou o diesel em 0,38. Você dá com uma mão e tira com a outra, não resolve nada ou quase nada. Tem empresários preocupados porque a gasolina tem aumentado em torno de R$ 0,30 na hora de comprar. E aí, como se resolve isso? Se for questionar as distribuidoras, a justificativa é a guerra. Mas quem está sofrendo isso é o empresário — pontua o secretário-executivo do sindicato dos postos de combustíveis do Litoral de SC (Sindicombustíveis), Cesar Ferreira Júnior.
A escalada do diesel preocupa economistas porque é o principal combustível usado para transporte de mercadorias e alimentos, o que pode encarecer o frete e refletir em aumento da inflação.
Por conta disso, o preço do diesel também afeta o agronegócio. Nesta terça-feira (17), a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) reivindicou ao governador Jorginho Mello por meio de um documento a redução também dos tributos estaduais sobre o diesel.
No documento, o presidente José Zeferino Pedrozo pede a adoção de medida emergencial para a redução imediata e temporária das alíquotas do ICMS incidentes sobre a importação, produção, distribuição e comercialização de óleo diesel no Estado. O governo do Estado ainda não divulgou uma posição sobre a reivindicação da entidade
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Diesel em SC
- 1/2: R$ 6,11
- 8/2: R$ 6,15
- 15/2: R$ 6,10
- 22/2: R$ 6,11
- 1/3: R$ 6,17 (+1%)
- 8/3: R$ 6,69 (+8,4%)
Gasolina em SC
- 01/02: R$ 6,54
- 08/02: R$ 6,54
- 15/02: R$ 6,50
- 22/02: R$ 6,52
- 01/03: R$ 6,51
- 08/03: R$ 6,51
Fonte: Pesquisa ANP






