O que acontece a milhares de quilômetros do Brasil, no Estreito de Ormuz — por onde escoam 20% do petróleo mundial —, está prestes a bater à sua porta. A recente escalada de tensões envolvendo o Irã fez o barril do tipo Brent romper a barreira dos 100 dólares, chegando a encostar nos 119 dólares no início de março.
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Para o brasileiro, o impacto não é apenas uma estatística de mercado, mas uma ameaça real ao custo de vida, pressionando desde o preço da gasolina até o valor da cesta básica.
O “colchão” do Real contra a bomba
Apesar da volatilidade, o governo tenta acalmar os ânimos. O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, aponta que a valorização do real frente ao dólar tem servido como um amortecedor.
— A pressão inflacionária é relativa, uma vez que estamos vivenciando uma apreciação cambial significativa — afirmou Ceron.
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Na prática, se o dólar cai enquanto o petróleo sobe, o impacto final nas refinarias é suavizado. Contudo, a conta é sensível. O Brasil depende do transporte rodoviário para se movimentar, e qualquer alta sustentada no diesel é repassada imediatamente para o frete. É o chamado “efeito cascata”: o combustível sobe na bomba, o transporte encarece e o preço final do alimento no supermercado dispara.
Selic e o limite da paciência
Por enquanto, o Banco Central mantém o plano de voo para a Selic, com previsão de fechar o ano em 12%. Mas o equilíbrio é delicado. Se o petróleo se estabilizar acima dos 100 dólares de forma permanente, o “colchão” cambial citado por Ceron pode não ser suficiente, forçando uma revisão nas metas de inflação e, consequentemente, nos juros que você paga no comércio.
*Com edição de Luiz Daudt Junior.









