O conflito entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã pode trazer reflexos também no preço de combustíveis como gasolina e óleo diesel em todo o mundo, incluindo o território brasileiro. O impacto da guerra no preço do petróleo no mercado internacional já começou a dar sinais nesta segunda-feira (2) e é motivado pelos riscos de redução na produção e por possível continuação no bloqueios ao Estreito de Ormuz, rota controlada pelo Irã onde passa cerca de 20% de todo o petróleo do mundo.

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Na abertura do mercado financeiro nesta segunda-feira, o conflito no Irã já resultou em aumento no preço do barril do petróleo do tipo Brent. O preço chegou a subir quase 14% nesta segunda, chegando a 78 dólares, e fechou o dia com alta de 6,6%, e preço de 77,7 dólares o barril. O produto já vinha subindo na última semana com as tensões políticas internacionais. A expectativa é de que, caso o confronto permaneça, o valor do barril de petróleo possa chegar a até 100 dólares.

A situação pode causar pressão sobre a Petrobras por reajustes no preço da gasolina e do diesel. Atualmente, segundo informações da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom), o preço do óleo diesel tem defasagem de R$ 0,73 em relação à paridade de importação, a maior defasagem desde janeiro de 2025. No caso da gasolina, a diferença era de R$ 0,42 por litro acima da paridade internacional, também o maior valor desde janeiro de 2025.

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A Petrobras costuma aguardar a estabilização do preço no cenário internacional em caso de crises com efeitos nas cotações antes de anunciar reajustes em razão da oscilação do preço do petróleo no mercado internacional. Outras consequências como inflação e reflexos no comércio internacional de SC também são projetadas por entidades e especialistas.

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O economista e professor da Furb, Bruno Thiago Tomio, avalia que os Estados Unidos têm tomado cuidado para que as ações políticas não causem fortes oscilações no mercado financeiro. Ele lembra que tanto a captura de Nicolás Maduro, ex-presidente da Venezuela, quanto o início dos ataques ao Irã ocorreram em sábados, dias em que as bolsas de valores estão fechadas. Isso ajudaria a minimizar reflexos imediatos das medidas no mercado financeiro.

No caso do conflito com o Irã, Tomio ressalta que os ataques já resultam em impedimentos reais de entrega do petróleo. Consequentemente, há impacto imediato no preço do produto.

— No Brasil, a política da Petrobras mudou nos últimos anos. Não há mais reajuste automático atrelado ao dólar e preço internacional do petróleo. Porém, é bem provável que esse choque atual seja permanente. Isso vai obrigar a Petrobras a reajustar seus valores domésticos — projeta o economista.

O presidente do Sindicato do Comércio de Varejista de Derivados do Petróleo de Blumenau e região (Sinpeb), Júlio César Zimmermann, afirma que embora o Brasil produza bastante petróleo, precisa importar uma parte dos combustíveis refinados, incluindo de países como a Rússia, que também está envolvida em uma guerra. Ele afirma que as entidades do setor estão acompanhando os fatos e os possíveis reflexos disso em preços no Brasil.

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— Se essa guerra não parar em cinco, 10 dias, como já vimos algumas notícias, acredito que vamos ter reflexos em aumentos. Mas precisamos ver o que vai acontecer nos próximos dias — avalia.

Como a maior parte dos países de onde o Brasil compra combustíveis como gasolina e diesel não utiliza o Estreito de Ormuz para o transporte, a hipótese de possível risco de desabastecimento é descartada neste momento por especialistas em comércio internacional. Os reflexos nos preços, no entanto, são possíveis desdobramentos que devem ser descobertos nos próximos dias, com a continuação ou não do conflito.