A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que começou sábado (28) com ataques que resultaram em mortes de líderes políticos do país e reação de Teerã contra vários países, pode afetar economias de todo mundo. O efeito negativo pode ser geral caso o preço do petróleo se mantenha alto. Mas também impactará de forma diferente economias que exportam para a região ou importam, como é o caso de Santa Catarina.

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O preço do barril do petróleo no mercado mundial estava por volta de US$ 60 dólares e, com esse novo conflito, subiu imediatamente mais de 10%, para cerca de US$ 70 ou até US$ 80. O gás natural subiu 20% na Europa e as bolsas estão quase todas em queda. Navios de petróleo estão sendo impedidos de passar pelo Estreito de Ormuz, por onde é movimentado de 20% a 25% do petróleo mundial.

Outro fator de incerteza e pressão nos preços é que o presidente americano, Donald Trump, disse que o conflito pode durar semanas até que seja atingido o objetivo dessa guerra, que coibir o avanço nuclear do Irã.

Esse risco de alta do petróleo por longo tempo é preocupante porque a economia mundial recém se recuperou de problema assim causado pela guerra na Ucrânia. Naquele conflito, os preços do petróleo e gás subiram, afetando mais a Europa, mas contaminou o mundo todo com inflação dos combustíveis. O banco central dos EUA recém baixou os juros pela primeira vez em função daquela crise. O Brasil também teve problemas sérios de inflação de combustíveis no meio da pandemia.

Além disso, diversos setores econômicos de SC podem ser afetados. O diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados do Estado de Santa Catarina (Sindicarnes), José Luiz de Lima, observa que o setor pode ser impactado porque rotas marítimas ficam bloqueadas na região. A entidade não tem números ainda sobre cagas impactadas, mas isso poderá ocorrer, tanto aos Emirados Árabes Unidos, quanto para a Arábia Saudita e outros países.

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As exportações de SC ao Irã também podem ser afetadas. O país importa diversos produtos do estado, incluindo carnes, milho, motores elétricos, compressores de ar e madeiras. Na via contrária, SC é o principal importador de produtos iranianos, com destaque para os fertilizantes.

Outra realidade dos últimos anos é que os portos competitivos do Golfo Pérsico se posicionaram como hubs para receber produtos de boa parte do mundo, inclusive do Brasil, para entregar nos países árabes, países asiáticos e também a países africanos.

Os ataques também impactam o transporte aéreo na região, impedindo viagens de negócios e turismo. Desde o início do conflito, mais de 10 aviões não partiram do Aeroporto Internacional de Guarulhos para aquela região.

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