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Denúncia

Haitiano denuncia xenofobia de funcionários de indústria em Joinville

De acordo com o imigrante, episódio aconteceu no início do mês; empresa investiga o caso

20/10/2021 - 11h38 - Atualizada em: 20/10/2021 - 11h45

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Por Sabrina Quariniri
Makendro tem 30 anos e vive há quatro em Joinville
Makendro tem 30 anos e vive há quatro em Joinville
(Foto: )

Um imigrante haitiano de 30 anos procurou a polícia para denunciar funcionários da indústria que trabalha, localizada no distrito de Pirabeiraba, região Norte de Joinville. Makendro Loute diz ter sido vítima de xenofobia durante a saída do trabalho, no dia 6 de outubro. Ele registrou um boletim de ocorrência.

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Makendro, que trabalha no turno da noite, conta que saía da empresa, por volta das 5h, e, por causa do frio, vestia a touca da jaqueta. Por norma da empresa, a vigilante que estava na portaria pediu para que ele retirasse a peça da cabeça, mas ele afirma não ter ouvido. Em seguida, seu colega, também haitiano, reforçou o pedido da mulher.

- Quando eu tirei, ela disse “esses haitianos aí” e mais algumas palavras que não consegui entender - relata Makendro, que conta ter ido para casa em seguida.

No dia seguinte, o operador de produção buscou a coordenação da área em que atua para relatar o episódio, também próximo ao horário de deixar a empresa. Na descida das escadas do escritório, colegas o disseram que novamente outro seguranças agiu com preconceito.

- O outro segurança falou para outro que estava do lado “não é a primeira vez que essa raça de haitiano dá problema”. Estou muito triste. Uma pessoa que faz isso não conhece a história do Brasil, se soubesse, não faria isso. É preconceito - desabafa.

Melhores condições de vida

Conforme levantamento realizado pela Polícia Federal, com cerca de 4.500 pessoas, Joinville é a segunda cidade com mais imigrantes de Santa Catarina. A maioria deles são naturais do Haiti e Venezuela e vêm à cidade em busca de melhores condições de vida, trabalho e moradia.

Este foi o caso de Makendro, que mora na zona Leste de Joinville há quatro anos junto de sua esposa. Recentemente, o casal teve um bebê e o haitiano é, atualmente, o único responsável pela renda da casa.

Ele conta que trabalha na empresa há pouco mais de um ano e nunca tinha trocado nenhuma palavra com os seguranças que acusa terem sido preconceituosos por causa de sua nacionalidade.

Além do boletim de ocorrência, Makendro notificou a indústria sobre o ocorrido. Por meio de nota enviada ao g1, a Britânia Prime disse que apura as denúncias de racismo e xenofobia envolvendo o colaborador da fábrica. Além disso, a empresa diz que promove o combate de todas as formas de discrimanção e informou que relatos e imagens de câmeras de segurança foram recolhidos para que medidas sejam tomadas.

O crime de xenofobia é considerado crime de ódio no código penal brasileiro e é caracterizado como praticar, induzir ou incitar discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, como no caso de Makendro. A pena para o crime é de reclusão de um a três anos e multa.

Crime comum

Nasser Barbosa, coordenador do Centro de Direitos Humanos (CDH) de Joinville, afirma que o crime de xenofobia é mais comum do que se imagina. Ele reforça a importância de imigrantes e povos tradicionais denunciarem a prática, que viola os direitos humanos.

- A xenofobia é uma realidade. Muitas vezes não enxergamos porque quem é nativo da cidade ou morador daqui do estado não sofremos esse tipo de coisa - respalda.

Makendro aguarda o posicionamento da empresa sobre o assunto para que situações parecidas não voltem a ocorrer. Sua vontade é que a situação seja resolvida e que possa permanecer empregado.

- Tenho medo pelo meu emprego, ele é muito importante para mim. Pago aluguel e tenho família - destaca.

*Com informações de NSC TV

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