nsc
santa

Litoral Norte

Homem assassinado por uso de máscara deixou carreira militar para se dedicar ao mercado em Itapema

Daniel Pereira sonhava em permanecer no Exército antes de começar a empreender junto com os pais

25/03/2021 - 09h28 - Atualizada em: 26/03/2021 - 16h57

Compartilhe

Bianca
Por Bianca Bertoli
Daniel tinha 24 anos
Daniel tinha 24 anos
(Foto: )

Um jovem maduro, dedicado e que deixou o sonho de fazer parte do Exército para empreender. Daniel Pereira, de 24 anos, foi assassinado em Itapema na segunda-feira (22), no Litoral Norte, justamente no lugar em que trabalhava incansavelmente para se manter e ajudar a família. O homicídio teria sido motivado por Daniel pedir a três clientes que cumprissem as exigências sanitárias de combate ao coronavírus e entrassem no estabelecimento de máscara.

> Homem preso por assassinato por uso de máscara em Itapema nega ter atirado na vítima, diz delegado

> Receba todas as notícias de Blumenau e região no seu WhatsApp. Clique aqui.

A amiga do comerciante, Camila Brito, 31, soube da morte pela internet. Não conseguiu acreditar quando leu a provável motivação. Os dois se conheceram no mundo virtual há cerca de três anos por conta do sonho em comum de prestar concurso público. Ela mora no Ceará. A amizade a distância deu tão certo que Daniel prometeu que diminuiria um pouco o ritmo no trabalho assim que possível e tiraria uns dias de descanso para visitar Camila.

— Mesmo longe éramos muito ligados um ao outro. Sempre dividindo as novidades. Ele era uma pessoa maravilhosa, muito sonhador, batalhador. Trabalhava 12 horas por dia, só arrumava um tempinho para andar de moto, que ele gostava muito — conta a mulher.

A paixão era tanta que na metade do ano passado Daniel conseguiu realizar o objetivo de comprar uma Kawasaki Z900. Nas redes sociais, fotos com o “brinquedo de gente grande”, como ele dizia, foram publicadas sob mensagens de conquistas: “Jamais desista dos seus sonhos”.

Daniel com a moto que adquiriu no ano passado
Daniel com a moto que adquiriu no ano passado
(Foto: )

Daniel apenas desistiu do desejo de entrar efetivamente para o Exército, onde ficou por alguns anos de maneira temporária após o alistamento aos 18, porque viu no mercado de Itapema uma chance de ter o próprio negócio. O pai utilizou as economias para investir na compra e a família se mudou, antes da chegada da pandemia, para Itapema. Daniel era natural de Balneário Camboriú.

Empolgado com a vida nova, o homem se matriculou no curso de Administração de uma faculdade local e passou a se dedicar ao mercado. Fez reformas e tinha várias ideias para alavancar as vendas. Reservado e religioso, Daniel, diferente de muitos da mesma idade que ele, não frequentava tantas festas e não costumava tomar bebidas alcoólicas.

> Raios iluminam o céu de Blumenau em noite de tempestade; veja imagens

> Vídeo: animação mostra a evolução de 1 ano de mortes por covid-19 nos municípios de SC

“Um garoto cheio de sonhos, com uma vida toda pela frente. A dor da perda rasga nosso peito e nos deixa imobilizados, com um sentimento de vazio. O desespero toma conta. Quero sempre lembrar de você com esse sorriso no rosto”, desabafou uma das irmãs de Daniel nas redes sociais.

— Ele era alegre, brincalhão, não teve uma vez que conversei com ele que estivesse chateado, querendo o mal de alguém. Jamais se envolveria em briga, sempre foi muito educado — afirma Camila.

> Multa de R$ 500 para quem não usar máscara: entenda as regras e como será a fiscalização em SC

Motivação banal

Na discussão por conta do uso de máscara, os três clientes teriam insistido em entrar sem o equipamento de proteção para comprar bebidas. Ao deixarem o local, arremessaram uma lata em Daniel, que seguiu trabalhando, apesar do episódio. Horas depois dois homens voltaram, um deles armado, que disparou contra a vítima. Um dos tiros acertou Daniel na região do pescoço. A vítima chegou a ser atendida pelos socorristas, mas não resistiu.

A Polícia Civil trabalha para identificar o autor dos disparos e o comparsa. Imagens de câmeras de segurança e dados de um cartão que os clientes suspeitos utilizaram para pagar a compra no momento da discussão estão auxiliando o trabalho do delegado Diogo Medeiros e equipe. Até a manhã desta quinta-feira (25) ninguém foi preso.

— Só quero que a justiça seja feita — concluiu, emocionada, a amiga.

Colunistas