Dormir oito horas por noite costuma ser visto como a fórmula ideal para descansar bem. Mas especialistas alertam que a qualidade do sono pode depender de um detalhe que muita gente ignora: o horário em que a pessoa adormece. Mesmo quando o número de horas é o mesmo, dormir mais cedo ou mais tarde pode provocar efeitos diferentes no organismo e influenciar diretamente a sensação de recuperação ao acordar.

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A explicação está relacionada ao funcionamento do relógio biológico, mecanismo interno responsável por regular diferentes processos do corpo ao longo do dia. Por isso, cada vez mais especialistas defendem que dormir bem não depende apenas da quantidade de horas passadas na cama, mas também da forma como o sono se encaixa na rotina natural do organismo.

Mesmo com a mesma duração de sono, diferentes horários para dormir podem gerar sensações distintas de descanso ao acordar (Foto: Pexels)

Por que o horário de dormir pode fazer diferença?

Segundo a Dra. Celia García Malo, neurologista especializada em Medicina do Sono e codiretora da Clínica CISNe, o organismo funciona a partir de um ritmo biológico conhecido como ciclo circadiano. Esse sistema regula processos como a produção de melatonina, a temperatura corporal, o metabolismo e diferentes funções cerebrais ao longo do dia.

Quando o horário de dormir está alinhado com esse ritmo natural, o repouso tende a ser mais eficiente. Por esse motivo, dormir das 22h às 6h pode gerar uma sensação diferente em comparação com dormir da 1h às 9h, mesmo que ambas as rotinas somem oito horas de sono. De acordo com a especialista, as fases do sono costumam ocorrer de forma mais equilibrada quando o organismo está sincronizado com seus ciclos biológicos.

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Além disso, quem costuma dormir muito tarde tende a ficar mais exposto à iluminação artificial, principalmente à luz emitida por celulares, computadores e televisores. Esse fator pode interferir na produção de melatonina, hormônio responsável por preparar o corpo para dormir, tornando o sono mais fragmentado e menos reparador.

O que são os cronotipos e como eles influenciam o descanso?

Apesar da importância dos horários, não existe uma regra única válida para todas as pessoas. Isso acontece porque cada indivíduo possui um cronotipo, característica biológica que influencia os momentos do dia em que o corpo tende a apresentar mais disposição ou mais sonolência.

Enquanto algumas pessoas funcionam melhor pela manhã, outras naturalmente apresentam maior energia durante a noite. O problema surge quando compromissos profissionais, estudos, excesso de luz artificial ou hábitos noturnos obrigam o organismo a dormir fora de sua janela biológica natural.

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A exposição à luz de telas durante a noite está entre os fatores que podem interferir na produção de melatonina e na qualidade do sono (Foto: Pexels)

Nesses casos, mesmo dormindo várias horas, a pessoa pode acordar cansada e apresentar dificuldades de concentração ao longo do dia. Segundo a Dra. Celia García Malo, esse desalinhamento entre rotina e biologia pode afetar diretamente a qualidade do sono e o funcionamento do organismo.

Especialistas explicam que esse fenômeno pode gerar efeitos semelhantes aos do chamado “jet lag social”, situação em que o relógio biológico entra em conflito com os horários impostos pela rotina diária. Como consequência, podem surgir sintomas como fadiga, alterações de humor e sensação constante de cansaço.

O que pode ajudar a melhorar a qualidade do sono?

Entre as principais recomendações está a manutenção de horários regulares para dormir e acordar, inclusive nos finais de semana. A regularidade ajuda o organismo a sincronizar seus ciclos biológicos e favorece um repouso mais eficiente.

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É aconselhável também reduzir o uso de telas durante a noite, evitar estímulos excessivos antes de dormir e respeitar, sempre que possível, os sinais naturais de sono enviados pelo corpo. A exposição à luz natural ao acordar também costuma ser apontada como uma estratégia importante para ajudar na regulação do ritmo circadiano.