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Hospital de Criciúma faz captação inédita de órgãos em quatro pacientes no mesmo dia

Famílias de pessoas que tiveram morte encefálica entre esta quarta e quinta-feira transformaram o próprio luto em esperança

26/09/2019 - 17h59 - Atualizada em: 27/09/2019 - 14h15

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Por Samuel Nunes
Equipes trabalharam durante a madrugada desta quinta-feira para conseguir entregar os órgãos a quem está na fila de espera
Equipes trabalharam durante a madrugada desta quinta-feira para conseguir entregar os órgãos a quem está na fila de espera
(Foto: )

Quatro famílias de pacientes do Hospital São José, em Criciúma, no Sul de Santa Catarina, transformaram o luto pela perda dos parentes em esperança para outras pessoas. Pela primeira vez na história da unidade, todas decidiram, no mesmo dia, doar os órgãos dos entes que tiveram morte encefálica entre a noite de quarta-feira (25) e a madrugada desta quinta (26).

Os pacientes eram dois homens e duas mulheres, com idades entre 27 e 64 anos. Segundo o hospital, os órgãos beneficiaram outras 12 pessoas.

Como a situação era inédita, foi preciso que duas equipes de médicos especialistas em transplantes se deslocassem de Blumenau e Florianópolis até Criciúma para ajudar na retirada dos órgãos. Os times trabalharam durante toda a madrugada e só encerraram as cirurgias por volta das 13h.

A solidariedade das famílias ajudou pacientes que estão em filas de espera por fígado, rins e córneas. Os órgãos foram repassados para a Central de Transplantes de Santa Catarina, responsável pelo encaminhamento às pessoas que precisam.

Para a coordenadora da Comissão Hospitalar de Transplantes do Hospital São José, Daniela Luiz, a atitude das famílias é louvável, porque só elas poderiam ter autorizado a retirada dos órgãos.

— A importância desse ato é ajudar quem está na fila de espera. A gente sabe que é uma fila única estadual, através da SC Transplantes, que controla todo esse processo. Então, é ajudar o próximo, mas sem saber a quem — diz Daniela.

Leia também: confira mais histórias do projeto A Vida Com Vida, da NSC

Acolhimento às famílias

Daniela explica que a abordagem aos familiares de pessoas vítimas de morte encefálica é muito delicado e segue um protocolo bastante rígido, desde os primeiros sinais de que o paciente irá falecer, até a confirmação do óbito. De acordo com ela, os profissionais que atuam na área de transplantes estão capacitados para respeitar a perda.

— É um momento de luto da família e a gente espera um espaço. Nós, como profissionais de saúde, temos que mostrar a essas famílias que tem essa forma de ajudar outras pessoas, através da doação — diz.

Daniela lembra às famílias que podem um dia passar por essa situação que doar os órgãos também é uma possibilidade de saber que uma pequena parte de quem se foi poderá continuar vivendo.

— Aquele ente pode estar ainda em vida, em alguma parte de Santa Catarina ou de qualquer lugar do Brasil, vivendo em alguém. Acho que isso é o que motiva eles. Saber que um pedacinho da minha mãe ou do meu pai vai estar vivendo em outra pessoa.

Dia Nacional da Doação de Órgãos

Nesta sexta-feira (27), será comemorado em todo o Brasil o Dia Nacional da Doação de Órgãos. Em Santa Catarina, a SC Transplantes vai promover um evento para a conscientização sobre a importância de se doar órgãos e tecidos. A programação prevê depoimentos de familiares de doadores, pacientes transplantados e também de parentes de pessoas que perderam a vida enquanto aguardavam por um novo órgão.

O evento será realizado no Auditório do Sebrae, localizado na Rodovia José Carlos Daux (SC-401), Km 01, bairro João Paulo, em Florianópolis, a partir das 10h, e é aberto à comunidade.

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