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Tecnologia

Hospital de Joinville se torna o centro de pesquisa nacional para identificar a Covid por meio da tosse

Comitê de ética da unidade aprovou pesquisa com pacientes, que poderá ser realizada em todo o Brasil

03/07/2021 - 19h00 - Atualizada em: 04/07/2021 - 07h33

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Hassan
Por Hassan Farias
Hospital Regional Hans Dieter Schmidt
Hospital Regional Hans Dieter Schmidt
(Foto: )

O Hospital Regional Hans Dieter Schmidt, de Joinville, tornou-se o centro de uma pesquisa nacional que pode ajudar no combate à Covid-19. Após aprovação do comitê de ética da unidade joinvilense, um aplicativo que faz o diagnóstico da doença por meio da tosse do paciente poderá agora realizar a pesquisa clínica em hospitais de todo o Brasil.

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Os pesquisadores da organização internacional sem fins lucrativos Virufy validaram o algoritmo da inteligência artificial com milhares de tosses da América Latina, Europa e Ásia para distinguir os sons que a Covid-19 provoca na tosse dos pacientes.

Apenas com essa informação, segundo a Virufy, é possível apontar entre positivo e negativo para a doença com 80% de precisão. O aplicativo faz o registro da tosse e consegue detectar a Covid-19 em questão de minutos.

O projeto está dividido em duas partes no Brasil. Uma delas é a coleta de tosses de pessoas que apresentem sintomas semelhantes aos da Covid-19. Elas podem contribuir por meio do aplicativo Virufy.

Já a segunda parte da pesquisa foi aprovada pelo comitê de ética do Hospital Regional de Joinville. Segundo o especialista em fisiologia e coordenador responsável pelos testes clínicos, Diego Carvalho, a tecnologia agora será aplicada em pacientes reais que apresentam resultado positivo ou negativo para Covid.

- A participação do Hospital Regional abre portas importantes e o estabelece como centro da pesquisa no Brasil. Ou seja, todas as outras instituições serão co-participantes de uma pesquisa iniciada nesse hospital - explica Carvalho.

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Algoritmo treinado para padrões brasileiros

A expectativa é conseguir 2 mil pacientes para compor a pesquisa em diferentes hospitais. Segundo a organização, há tratativas com unidades de saúde de vários locais do Brasil - algumas em estágio avançado - e a expectativa é iniciar os estudos clínicos em breve.

O objetivo é chegar em diagnósticos com precisão acima de 85%, parecido com os testes de antígenos encontrados em farmácias para detectar Covid.

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Segundo o coordenador responsável pelos testes clínicos, as gravações servirão para treinar o algoritmo para padrões brasileiros. Isso porque o vírus traz alterações no pulmão, garganta e vias respiratórias superiores, que alteram a tosse e a fala. São alterações sutis que apenas mecanismos de inteligência artificial conseguem detectar. 

- É uma ferramenta importante de detecção precoce, mais barata para aplicar em larga escala e a intenção da Virufy é fornecer de graça para a população - garante Carvalho.

A diferença entre as tosses

O otorrinolaringologista Anderson Merkle, integrante da equipe do Virufy, explica que há diferenças entre as tosses e existem padrões que possibilitam identificá-las. É o mesmo que acontece com o tom de voz, por exemplo.

- Conversando com uma pessoa que não conhecemos, pelo padrão de voz conseguimos entender se ela está brava, feliz ou nervosa. A mesma coisa acontece, a nível de algoritmos, na identificação do padrão de tosse - exemplifica.

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Segundo ele, a tosse da Covid-19 é mais seca do que a identificada em outras condições clínicas, por exemplo. Porém, o aplicativo ainda tenta capturar uma frequência de tosse que seja específica da Covid.

- Quanto mais tosses tivermos, melhor. Os dados estão sendo captados no mundo inteiro e são filtrados para tornar a máquina inteligente - acrescenta.

Apesar de ajudar a diagnosticar os pacientes com Covid-19, o Virufy esclarece que não substitui os testes de diagnóstico de nível hospitalar. O aplicativo deve ser usado em conjunto com os sintomas e verificações de temperatura para a detecção precoce.

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