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Assistência

Imigrantes declaram preocupação com fechamento do Crai em Florianópolis

Centro de Referência de Atendimento ao Imigrante fecha as portas na segunda-feira. Estado garante que os Cras dos municípios têm condições de atender as demandas

19/09/2019 - 18h34 - Atualizada em: 19/09/2019 - 21h27

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Por Ângela Bastos
Crai deixa de funcionar na segunda-feira
Crai deixa de funcionar na segunda-feira
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A partir de segunda-feira (23), imigrantes e refugiados que precisarem de alguma ajuda em Florianópolis terão que buscar um dos 10 Centros de Referência de Assistência Social (Cras). O serviço passa a ser o caminho após o fechamento do Centro de Referência de Atendimento ao Imigrante (Crai). Depois de São Paulo, Florianópolis foi a segunda capital do país a contar com este tipo de serviço, mas o trabalho durou pouco mais de um ano e meio.

No local, que funciona na Rua Tenente Silveira, as pessoas recebiam assistência jurídica, orientação para regularizar documentos, encaminhamento para o mercado de trabalho, atendimento psicológico, e apresentavam demandas imediatas, como a necessidade de cestas básicas.

Anunciado há dois meses, o encerramento das atividades do Crai estava previsto desde o início das atividades entre a Secretaria do Desenvolvimento Social a Ação Social Arquidiocesana (ASA). O período de vigência do contrato era de dois anos, mas houve um aditivo que possibilitou chegar até a data de 22 de setembro. Em breve, o prédio que pertence à Secretaria de Segurança Pública deve ser esvaziado.

Apesar de não ser uma surpresa e o Estado garantir que os Cras têm condições de atender as demandas, os imigrantes estão preocupados.

— A situação de um imigrante é muito delicada, principalmente pela língua que dificulta a vida no novo lugar. Não é só receber, mas também ajudar nas necessidades, e isso era bem feito no Crai — avalia Moussa Faye, senegalês que vive em Florianópolis desde 2014, onde é professor de línguas e desenvolve um trabalho de integração com estrangeiros e brasileiros.

O colombiano Edisson Prada também lamenta o fechamento:

Através do Crai, fui orientado sobre documentação, órgãos que podiam me ajudar. Ali também trabalhavam imigrantes e isso ajuda no acolhimento.

O haitiano Claurece Cherry questiona se os funcionários dos Cras estarão treinados para atender demandas específicas:

— O imigrante não é só carteira azul de trabalho, mas ele também tem filhos e precisa tirar certidão de nascimento. Quem irá orientar?

Conhecido nas ruas da cidade por ser empresário da moda feita com tecidos importados do Senegal, o imigrante Modou Kara considera que deveria ter havido outra saída, que não fosse o fechamento:

— A cidade tinha um ótimo serviço que deixava o imigrante mais seguro.

Imigrantes Cherry, Edisson, Modu e Mossu estão receosos sobre atendimento
Imigrantes Cherry, Edisson, Modu e Mossu estão receosos sobre atendimento
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De acordo com Karina Euzébio Gonçalves, diretora de direitos humanos da Secretaria do Desenvolvimento Social de Santa Catarina, o Estado está trabalhando para elaborar um diagnóstico acerca da presença dos imigrantes no Estado. A diretora destacou o trabalho em rede e falou sobre treinamentos que envolvem Polícia Federal, Defensoria Pública da União e Estado e os 8 mil funcionários que atuam nos Cras dos municípios.

Karina falou de ações que visam implementar uma política pública para imigrantes em todo o estado. Conforme ela, desde o começo do ano diversas atividades estão sendo executadas neste sentido. Questionada sobre se tinha esperanças de que algo viesse a ser realizado em Santa Catarina, tendo em vista posturas do governo Jair Bolsonaro e também de Damares Alves, ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, em relação a imigrantes, Karine se disse esperançosa:

— Este governo está comprometido, tanto que foi criada a Gerência de Igualdade Racial e Imigrantes, dentro da Diretoria de Direitos Humanos da SDS, a partir da reforma administrativa do governo estadual.

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