Comprar um carro elétrico importado no Brasil está mais caro para as montadoras a partir desta quarta-feira (1º). A alíquota do imposto de importação para veículos eletrificados montados fora do país chegou ao patamar de 35%, encerrando uma etapa do cronograma de retomada gradual da tributação.

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A mudança mexe com uma parte cada vez mais visível do mercado brasileiro: os elétricos compactos e SUVs eletrificados que ganharam as ruas nos últimos anos. O impacto não significa, necessariamente, reajuste imediato na tabela de todos os modelos, mas aumenta a pressão sobre marcas que dependem de carros prontos vindos do exterior.

A decisão consta nas deliberações oficiais do Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex). O colegiado manteve o cronograma de elevação tarifária e definiu que veículos montados e semidesmontados recolhem 35% de imposto de importação a partir de julho de 2026. Para veículos desmontados, conhecidos como CKD, a alíquota de 35% passa a valer em 1º de janeiro de 2027.

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O detalhe que muda o jogo é que o governo também aprovou uma nova cota de importação com alíquota zero para veículos CKD e SKD, válida de 1º de julho a 31 de dezembro de 2026. O benefício soma US$ 463 milhões, mas não vale para carros importados já montados.

Ascensão da BYD no Brasil mudou o equilíbrio entre montadoras e colocou fabricantes tradicionais em nova disputa por espaço (Imagem gerada por IA)

O que muda para quem quer comprar um elétrico

A nova etapa atinge principalmente os carros elétricos que chegam ao Brasil prontos, sem passar por montagem final no país. No caso dos carros 100% elétricos, a alíquota havia começado em 10% em janeiro de 2024, subiu para 18% em julho de 2024, foi a 25% em julho de 2025 e agora chega a 35%. Para híbridos plug-in, o imposto foi de 12%, 20%, 28% e também chega a 35% em julho de 2026. Nos híbridos convencionais, a trajetória foi de 15%, 25%, 30% e 35%.

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Esse imposto é cobrado na importação, não diretamente no caixa da concessionária. Ainda assim, ele pode aparecer no preço final dependendo da estratégia de cada marca. Algumas podem segurar reajustes usando estoque antigo, reduzindo margem ou fazendo campanhas temporárias. Outras tendem a repassar parte do custo para o consumidor.

Quais os carros que entram no radar de nova alíquota de imposto

Entre os modelos que podem ser observados com mais atenção estão os elétricos compactos de maior volume, justamente os que ajudaram a baixar o preço de entrada da eletrificação no país. É o caso de carros como BYD Dolphin Mini, Geely EX2, Chevrolet Spark EUV e GWM Ora 03.

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A lista não quer dizer que todos os carros elétricos ficarão mais caros imediatamente. Um dos motivos é que parte das marcas já começou a se movimentar para produzir ou montar carros no Brasil. A BYD, por exemplo, iniciou em Camaçari (BA) a produção nacional do Dolphin Mini, além de preparar outros modelos eletrificados feitos no país.

Por isso, o efeito da nova tarifa depende de estoque, regime de importação, estratégia comercial e do grau de nacionalização de cada veículo. Modelos que chegam prontos do exterior ficam mais expostos ao imposto cheio. Já carros montados localmente, ou trazidos em kits para finalização no Brasil, podem escapar de parte dessa pressão.

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CKD, SKD e carro pronto: entenda a diferença

  • O carro importado pronto é aquele que chega ao país já montado, conhecido no setor como CBU. É o formato mais simples de importação, mas agora também o mais exposto ao imposto cheio.
  • No SKD, o veículo chega semidesmontado. Em geral, vem em grandes conjuntos e passa por etapas finais de montagem no Brasil. No CKD, o carro chega mais desmontado, exigindo processo industrial mais amplo antes de ir para as lojas.

É por isso que a nova regra cria duas realidades ao mesmo tempo. Para veículos prontos, a tarifa cheia pesa. Para montadoras que já têm ou estão estruturando montagem local, a cota pode funcionar como uma ponte até a nacionalização maior da produção.

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