A maior operação da BYD fora da China ganhou números de peso no Brasil. O complexo industrial de Camaçari, na Bahia, é apontado pela própria montadora como o maior complexo fabril da companhia fora da Ásia e ajuda a explicar por que o país virou peça-chave na estratégia global da gigante chinesa.

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A unidade tem capacidade atual para produzir 150 mil veículos por ano, o equivalente a 410 carros por dia. A conta não significa que esse seja necessariamente o volume diário atual de produção, mas mostra o tamanho da estrutura instalada pela marca no país.

O plano é ainda maior. Segundo a BYD, a capacidade do complexo pode chegar a 300 mil veículos por ano em uma segunda etapa prevista para 2028. Se isso acontecer, a fábrica brasileira passaria a ter capacidade média equivalente a mais de 820 carros por dia.

A fábrica de Camaçari foi inaugurada em 2025 e já produziu mais de 70 mil veículos. Atualmente, a unidade reúne cerca de 5 mil funcionários e recebeu investimento de R$ 5,5 bilhões. Neste momento, três modelos são montados localmente: Dolphin Mini, BYD King e BYD Song Pro.

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Por que a fábrica brasileira da BYD importa tanto

A expansão industrial acontece em um momento de crescimento acelerado da BYD no mercado brasileiro. Em poucos anos, a marca deixou de ser uma novata entre os carros eletrificados no país para disputar espaço com fabricantes tradicionais.

Segundo dados divulgados pela própria BYD, a marca vendeu apenas 260 veículos no Brasil em 2022. No ano seguinte, saltou para 17.937 unidades. Em 2024, passou de 76 mil carros eletrificados vendidos e, em 2025, chegou a 112.814 unidades vendidas no país.

(Arte gerada por IA. Fonte: BYD)

A curva ajuda a explicar por que a produção nacional se tornou estratégica. Com mais carros vendidos, a montadora precisa reduzir a dependência de importações, aumentar conteúdo local e ganhar fôlego para disputar preço, escala e entrega no mercado brasileiro.

Esse movimento também acompanha o avanço dos veículos eletrificados no país. A Associação Brasileira do Veículo Elétrico informou que o Brasil fechou 2025 com 223.912 eletrificados leves vendidos, novo recorde anual da série histórica da entidade. O número representou alta de 26% sobre 2024, enquanto o mercado total de veículos leves cresceu 2,6% no mesmo período.

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Dolphin Mini, King e Song Pro puxam a produção

Os três modelos montados em Camaçari não foram escolhidos por acaso. O Dolphin Mini se tornou um dos nomes mais fortes da marca no Brasil e aparece como peça central na popularização dos elétricos compactos. O BYD King reforça a presença da montadora entre os sedãs híbridos, enquanto o Song Pro mira o segmento dos SUVs, um dos mais competitivos do mercado nacional.

Em maio de 2026, o Dolphin Mini voltou a chamar atenção nos rankings de venda no varejo. O modelo liderou entre os automóveis nesse recorte, com 6.478 unidades vendidas no mês, segundo levantamento publicado pelo Motor1 com base nos emplacamentos do período. Outros modelos da BYD, como Dolphin e Song, também apareceram entre os destaques.

A presença desses carros na linha brasileira mostra que Camaçari não é apenas uma vitrine industrial. A fábrica nasce ligada diretamente aos modelos que sustentam o crescimento da BYD no país.

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Fábricas em Campinas e Manaus

Camaçari concentra a produção dos carros de passeio, mas não é a única operação industrial da BYD no Brasil. Em Campinas (SP), a empresa monta chassis de ônibus 100% elétricos. A unidade tem capacidade para produzir 2 mil chassis por ano e trabalha com modelos como D9W, D9A, D11A e D11B, além de versões para fretamento e VLT.

Os ônibus da BYD no Brasil já evitaram, segundo a empresa, a emissão de 81.250 toneladas de CO₂, volume equivalente ao plantio de 568.750 árvores por ano.

Em Manaus, a operação é voltada à produção de baterias LFP, de lítio-ferro-fosfato. A planta tem capacidade de 18 mil módulos por ano e investimento inicial de R$ 15 milhões. A unidade atende aplicações em ônibus e sistemas de backup energético, além da produção de kits de baterias Blade para chassis de ônibus em 2026.