O incêndio que destruiu um prédio no Centro de Blumenau completa um ano nesta sexta-feira (23). A nuvem preta de fumaça que tomou a Rua XV de Novembro, um dos cartões postais da cidade, deixou também o semblante dos moradores mais triste. Na tarde daquela fatídica quinta-feira, milhares de imagens na internet revelaram as altas labaredas e a força-tarefa dos socorristas para evitar uma tragédia maior.

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Apesar de os tapumes já não esconderem mais o local, 12 meses depois o espaço ainda não reabriu.

O relógio marcava 15h57min quando o Corpo de Bombeiros Militar recebeu o chamado. O conjunto de lojas em uma edificação da igreja católica, aos pés da Catedral São Paulo Apóstolo, era consumido pelas chamas. Os oito comércios instalados no prédio de 80 anos viraram cinzas. Foram quase 10 horas de trabalho sem pausa para pôr fim ao fogo em uma ocorrência que mobilizou 39 socorristas — entre militares, voluntários e comunitários — de Blumenau, Gaspar, Indaial e até de Timbó.

— Quando nós, da primeira guarnição, nos deparamos com aquele fogo imenso num lugar tão importante, sabíamos que tínhamos um desafio enorme e uma responsabilidade ainda maior. É uma daquelas ocorrências que vai ficar marcada na carreira de todos os profissionais que participaram — conta o capitão Fillipi Thiago Pamplona, dos bombeiros de Blumenau.

Ao todo, foram 250 mil litros de água para conter as chamas. Um laudo pericial apontou, mais tarde, que o fogo começou de forma acidental, por um problema na fiação de ar-condicionado que ficava entre o assoalho do pavimento superior e o forro do pavimento inferior de uma das lojas. A igreja nunca informou o tamanho do prejuízo, mas afirmou à época que a reconstrução seria paga com dinheiro do seguro do prédio. Uma estimativa da obra indicava algo na casa dos R$ 5 milhões.

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Os bombeiros estimam que foi possível preservar 40% do patrimônio. Isso representa, segundo a corporação, aproximadamente R$ 4 milhões em bens. Os lojistas, porém, pouco salvaram. Teve até quem precisou recomeçar do zero. Oito meses após o incêndio, às vésperas da Oktoberfest Blumenau, os tapumes que isolavam a área saíram de cena a pedido da prefeitura, por causa da festa. Além das salas comerciais, o novo projeto deu ao local um amplo terraço de livre circulação anexado à igreja.

No começo deste mês, o padre Marcelo Martendal, pároco da Catedral São Paulo Apóstolo, afirmou à NSC que ainda não há data prevista para concluir as obras do prédio. Afirmou, também, que, após a conclusão dos serviços, ainda será necessário buscar as liberações dos órgãos públicos.

Reveja fotos do incêndio na Rua XV de Novembro

Uma ocorrência marcada por polêmicas

O incêndio no prédio da igreja foi marcado por polêmicas. Uma delas, a dificuldade em fazer contato com o Corpo de Bombeiros Militar para pedir ajuda. Houve relatos de pessoas que aguardaram por alguns minutos até a chamada para o 193 ser atendida. Na época, a central de emergência, onde as ligações para ocorrências em Blumenau e região eram recebidas, estava sediada em Balneário Camboriú.

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Os comentários passaram a ser de que o fato de a central não estar em Blumenau prejudicou o atendimento rápido da ocorrência. A corporação não entende desta forma e diz que foram nove minutos entre o pedido de socorro e a primeira viatura chegar ao local. Um tempo considerado dentro do previsto pela corporação, uma vez que a equipe precisou se paramentar primeiro e percorrer os 2,6 quilômetros de distância da cena do incêndio.

Cinco meses depois, a central retornou a Blumenau após a pressão da comunidade.

Ainda naquela tarde do incêndio, houve o que parecia ser um problema operacional dos bombeiros. Quem acompanhava de perto o trabalho dizia que faltou água e os socorristas precisaram usar a dos prédios na Rua XV de Novembro. Mas a corporação explica que é para isso mesmo que existem as chamadas reservas técnicas, obrigatórias nos sistemas preventivos de incêndio das edificações.

Além disso, a equipe optou por abastecer os caminhões-pipa perto do Terminal da Fonte, onde era mais fácil manobrar as viaturas. Isso porque, conforme os bombeiros, havia muita gente no Centro acompanhando a situação, além de policiais e guardas de trânsito. A decisão, então, foi buscar um local próximo e seguro para a operação. Naquela ocorrência, 14 viaturas dos bombeiros, além de quatro caminhões-pipa do Samae e um caminhão-pipa da empresa Schroeder & Schmidt, de Indaial, atuaram.

Passado um ano e a cada etapa daquele atendimento avaliada, o resultado é positivo, avalia o capitão Fillipi Thiago Pamplona:

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— Havia muita pressão, porque certamente mais de mil pessoas acompanhavam in loco, sem contar as transmissões ao vivo. Tivemos que desenvolver uma estratégia e iniciar o combate muito rapidamente, com os recursos que tínhamos disponíveis até a chegada de todos os reforços. Posso garantir que todos os bombeiros que estiveram lá chegaram no seu limite físico e mental pra reduzir os danos e evitar uma tragédia maior. Nossa equipe atuou com muita técnica e empenho.