O número de escorpiões-amarelos encontrados em um condomínio de Biguaçu, na Grande Florianópolis, subiu para 256. Os animais chegaram a ser vistos até o 4º andar do prédio. A atualização foi divulgada na segunda-feira (20) pela Vigilância em Saúde Ambiental e Zoonoses. O residencial conta com 160 apartamentos e cerca de 500 moradores.

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Na terça-feira (14), foram capturados 109 escorpiões. Já na sexta-feira (17), outros 115 foram encontrados. Além disso, mais 32 animais foram recolhidos durante visitas realizadas ao longo do dia no local.

Espécie é considerada a mais venenosa da América do Sul

O escorpião-amarelo é uma espécie comum no Brasil, principalmente em áreas urbanas, conhecida pela alta capacidade de adaptação e reprodução acelerada, inclusive sem necessidade de acasalamento. O veneno é considerado perigoso e pode provocar dor intensa, náuseas, vômitos, alterações cardíacas e respiratórias, com maior risco para crianças e idosos.

De acordo com a diretora de Vigilância em Saúde, Paula Andreia Echer Dorosz, a infestação pode ter começado há cerca de três anos. Frestas na base dos prédios teriam servido como abrigo, favorecendo a proliferação.

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Outro fator apontado foi a presença de baratas, que funcionam como alimento para os escorpiões. Em fevereiro, o condomínio realizou uma dedetização contra esses insetos. Com a redução da principal fonte de alimento, os escorpiões podem ter deixado seus esconderijos em busca de comida.

— Essa é a principal hipótese até o momento. Foi a partir desse período que os animais voltaram a ser vistos e, assim que a Vigilância tomou conhecimento da situação, as ações de monitoramento e controle foram iniciadas — explicou Paula.

Ela também destacou que serão necessárias novas visitas e acompanhamento contínuo para solucionar o problema.

Um cachorro foi picado no local, mas não há registros de acidentes com humanos. Mesmo assim, a prefeitura segue monitorando a situação no condomínio.

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Segundo o Ministério da Saúde, o escorpião-amarelo é o que mais causa acidentes no país. Em condições favoráveis, a espécie pode se reproduzir mais de duas vezes por ano, inclusive logo após a dispersão da ninhada anterior.

Os filhotes buscam novos locais para abrigo e alimentação, o que contribui para a presença desses animais em residências, especialmente em áreas urbanas.

Orientações sobre a espécie

Os escorpiões têm papel importante no equilíbrio ecológico e devem ser preservados. No entanto, a proliferação em áreas urbanas pode ser evitada com medidas preventivas.

A Vigilância em Saúde Ambiental e Zoonoses alerta que o acúmulo de lixo, entulho e materiais inservíveis favorece o aparecimento de escorpiões, aumenta o risco de acidentes e contribui para a proliferação de outros vetores de doenças.

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Por isso, a prefeitura reforça a importância da colaboração da população na manutenção da limpeza dos imóveis e no descarte adequado de resíduos.

Em áreas privadas, como casas e condomínios, a responsabilidade pela limpeza é dos proprietários ou administradores. Já em áreas públicas, cabe ao poder público municipal.

O que fazer em caso de picada?

  • Não aplique pomadas no local, pois elas podem alterar a coloração da pele e não impedem a ação do veneno;
  • Lave imediatamente a área com água e sabão, de forma suave, para reduzir o risco de infecções secundárias;
  • Evite fazer torniquetes, cortes ou sucção na região da picada;
  • Compressas mornas podem ajudar a aliviar os sintomas até a chegada ao serviço de saúde, onde será avaliada a necessidade de soro;
  • Não utilize gelo no local;
  • Procure atendimento médico imediatamente.