O assessor especial para assuntos internacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Celso Amorim, afirmou que a cooperação internacional no combate ao crime organizado é “bem-vinda”, mas que “intervenção é inaceitável”. A manifestação foi enviada à GloboNews nesta quinta-feira (28) após o governo dos Estados Unidos anunciar que vai declarar as duas facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como “terroristas globais especialmente designados”.
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“Segurança pública é um tema fundamental para o desenvolvimento socio-econômico. Crime organizado é um mal que tem que ser combatido. Cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas. Pretexto para intervenção, é inaceitável“, escreveu Celso Amorim, que participa de um encontro internacional.
Conforme apurado pela GloboNews, o anúncio da classificação das organizações criminosas pegou o governo de surpresa, sem qualquer aviso prévio.
Antes do anúncio feito pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, Amorim já havia dito que classificar as facções criminosas “não ajuda” a combater o crime organizado.
— O crime organizado deve ser combatido com energia e determinação. Equiparar o crime organizado com terrorismo, no entanto, não ajuda. Entender as motivações é essencial para a efetividade da luta contra todos os tipos de crime — disse, no evento.
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Segundo ele, o governo brasileiro vai continuar investindo “em segurança e bem-estar do seu povo“, sem poder ignorar “as ameaças de viver em um mundo sem regras no qual o unilateralismo prevalece”.
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Governo brasileiro trabalhava contra a medida
O governo brasileiro atuava contra a classificação, sob o argumento de que isso abriria margem para que os Estados Unidos realizassem ações mais duras em território brasileiro. Com essa classificação, o país americano poderia conduzir uma operação militar no Brasil, por exemplo.
A classificação, no entanto, estava em discussão desde um pedido do chefe interino de coordenação do Departamento de Sanções dos Estados Unidos, David Gamble, em maio de 2025, que foi negado à época. O argumento utilizado pelo secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo, era de que as organizações criminosas em questão não se enquadravam na definição de terrorismo prevista na Constituição.
Isso por que a Lei Antiterrorismo define terrorismo como a prática de atos motivados por xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia ou religião, visando provocar terror social ou generalizado. Para Sarrubbo, as organizações criminosas brasileiras não têm motivação ideológica, política ou religiosa.
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Medida é para proteger EUA, segundo Rubio
Conforme o comunicado de Rubio, a medida serve para “proteger nossa nação e nossos interesses de segurança nacional“, afirmando que as ações das organizações criminosas alcançam outros países como os Estados Unidos.
“O governo Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossa nação e nossos interesses de segurança nacional, mantendo drogas ilícitas fora de nossas ruas e interrompendo as fontes de financiamento de narcoterroristas violentos”, afirmou o Departamento de Estado.
Os Estados Unidos também afirmaram que as facções brasileiras estão entre “as organizações criminosas mais violentas do Brasil”, com “milhares de integrantes”. No comunicado, o Departamento ainda afirma que as organizações fazem “ataques brutais” contra policiais, autoridades públicas e civis.
Leia o comunicado dos EUA na íntegra
“Hoje, o Departamento de Estado dos Estados Unidos está designando o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs) e pretende designar ambos os grupos como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs), efetivamente a partir de 5 de junho de 2026.
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O CV e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Juntos, comandam milhares de membros e orquestraram ataques brutais contra policiais brasileiros, agentes públicos e civis. Sua influência e suas redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, por toda a nossa região e até o nosso país.
O governo Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossa nação e nossos interesses de segurança nacional, mantendo drogas ilícitas fora de nossas ruas e interrompendo os fluxos de receita que financiam narcoterroristas violentos. A ação de hoje, tomada pelo Departamento de Estado, demonstra ainda mais o compromisso inabalável do governo Trump em desmantelar cartéis e organizações criminosas em nossa região e garantir a segurança do povo americano.
As ações de hoje são tomadas de acordo com a seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade e com a Ordem Executiva 13224. As designações como FTO entram em vigor após a publicação no Registro Federal.“
*Com informações do g1




