A exumação do cão Orelha pode ser solicitada ao longo dos próximos passos da investigação do caso, ocorrido no início de janeiro, em Florianópolis. O cão comunitário, que vivia na Praia Brava, foi encontrado debilitado e morreu durante atendimento veterinário. A Polícia Civil pediu a internação de um adolescente apontado como responsável pela morte do animal.

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O inquérito policial foi concluído na terça-feira (8). Inicialmente, quatro adolescentes eram apontados como suspeitos, porém somente um adolescente teve o pedido de internação. O delegado Renan Balbino, responsável pelo caso, afirma que a desqualificação dos outros três suspeitos ocorreu por conta da localização em que eles estavam no momento em que a polícia acredita que a agressão ocorreu.

De acordo com a Polícia Civil, foram cerca de mil horas de filmagem de câmeras de segurança analisadas e 24 testemunhas ouvidas até chegar na identificação do adolescente como responsável pelo crime.

O relatório de atendimento do veterinário e o depoimento dele à polícia foram usados como base para o laudo pericial indireto que conclui que a causa da morte do cão Orelha foi um golpe na cabeça com instrumento contundente. A perícia do corpo do Orelha não foi solicitada.

— Não houve necessidade em termos de interesse investigativo. Mas eu não descarto essa possibilidade, porque também depende da análise de outros órgãos, a exemplo do Ministério Público, do Judiciário, que agora vão analisar os materiais colhidos pela Polícia Civil — explica a delegada Mardjoli Valcareggi, da Delegacia de Proteção Animal da Capital.

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MPSC vê lacunas e deve pedir novas diligências

O Ministério Público de Santa Catarina identificou lacunas ao analisar o boletim de ocorrência relacionado a morte do cão Orelha, e concluiu na sexta-feira (6) a necessidade de mais esclarecimentos e maior precisão na reconstrução dos acontecimentos. Dessa forma, deve pedir nos próximos dias diligências complementares para aprofundar as investigações. O MPSC não tem prazo para se manifestar no caso.

Uma exumação do corpo de Orelha poderá ser requisitada, se o órgão achar que o procedimento é necessário para esclarecer informações no caso, como informou com exclusividade ao Fantástico o promotor de Justiça Sandro Souza.

— Foram observadas algumas inconsistências e algumas lacunas que precisam ser supridas. Pode se apresentar necessária, inclusive, a exumação do corpo do cão Orelha. E a partir daí tenhamos uma conclusão mais satisfatória a respeito do ocorrido — declarou Sandro Souza, promotor de Justiça do MPSC.

A investigação relacionada aos adolescentes tramita em sigilo. O NSC Total e todas as plataformas da NSC não divulgam o nome, nem a identidade dos adolescentes suspeitos em total respeito e consonância ao que determina o artigo 143 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que veda a “divulgação de atos judiciais, policiais e administrativos que digam respeito a crianças e adolescentes a que se atribua autoria de ato infracional”.

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Diz o ECA: “Qualquer notícia a respeito do fato não poderá identificar a criança ou adolescente, vedando-se fotografia, referência a nome, apelido, filiação, parentesco, residência e, inclusive, iniciais do nome e sobrenome.”

O caso Orelha

Entenda

Orelha foi encontrado agonizando na praia no dia 5 de janeiro por moradores. Ele foi levado ao veterinário, mas, devido aos ferimentos, não resistiu. Derli Royer, responsável pelo socorro emergencial, contou que o animal tinha lesões graves na cabeça e no olho esquerdo, além de forte desidratação.

O laudo da Polícia Científica mostra que Orelha levou um golpe forte na cabeça, possivelmente causado por um chute ou por um objeto rígido, como madeira ou uma garrafa. Ao todo, 24 testemunhas foram ouvidas e oito adolescentes chegaram a ser investigados ao longo do processo.

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Na terça-feira (3), a Polícia Civil de Santa Catarina pediu a internação de um adolescente apontado como responsável pela morte do cão Orelha. Outros quatro adolescentes foram representados pelo caso do cão Caramelo.

De acordo com a Polícia Civil, o adolescente saiu do condomínio na Praia Brava às 5h25min do dia 4 de janeiro de 2026. Perto das 6h, ele voltou ao condomínio com uma amiga, sendo esse um dos pontos de contradição no depoimento do adolescente. Ao todo, 24 testemunhas foram ouvidas, com oito adolescentes suspeitos investigados. Uma das provas que levaram até o autor do crime foi a roupa utilizada, registrada nas filmagens.

O adolescente viajou para fora do Brasil no mesmo dia em que a Polícia Civil teve conhecimento de quem eram os suspeitos do caso. Ele ficou fora do país até o dia 29 de janeiro e foi interceptado pela polícia ao chegar no aeroporto.

Quando o adolescente chegou ao aeroporto, um dos familiares tentou esconder um boné rosa e um moletom que estava com ele, peças consideradas importantes pela Polícia Civil na investigação. O familiar também afirmou que o moletom foi comprado na viagem, mas o adolescente admitiu que já tinha a peça, usada no dia do crime.

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O que diz a defesa do adolescente

Em nota, os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte, representantes legais do adolescente apontado como responsável pela morte do cão Orelha, afirmaram que “as informações que vieram a público dizem respeito a elementos meramente circunstanciais, que não constituem prova e não autorizam conclusões definitivas.

Confira a nota na íntegra

Os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte, representantes legais do jovem indevidamente associado ao caso do cão Orelha, alertam que informações que vieram a público dizem respeito a elementos meramente circunstanciais, que não constituem prova e não autorizam conclusões definitivas.

A defesa atua de forma técnica e responsável, orientada pela busca da verdade real e pela demonstração da inocência, e protesta contra o fato de, até o momento, ainda não ter tido acesso integral aos autos do inquérito.

Destacamos que a politização do caso e a necessidade de apontar culpado a qualquer preço inflamam a opinião pública a partir de investigações frágeis e inconsistentes que prejudicam a verdade, infringem de forma gravíssima os ritos legais e atingem violentamente e de forma irreparável pessoas inocentes.

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*Com informações do Fantástico