A investigação sobre o desaparecimento de Silvana Germann de Aguiar, de 48 anos, e os pais dela Isail Vieira de Aguiar, 69 anos, e Dalmira Germann de Aguiar, 70, continua avançando com perícias nos celulares. Nesta sexta-feira (13), foi confirmada pela perícia que um celular encontrado próximo da casa de Isail e Dalmira no dia 7 de fevereiro pertence à Silvana. Além disso, a falta de comprovação de Cristiano Domingues Fracisco, ex-companheiro de Silvana e principal suspeito, do local que ele estava no dia do desaparecimento da família, também foi um fator determinante para que o homem fosse preso temporariamente. Com informações da GZH.

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A família está desaparecida há 20 dias. De acordo com a Polícia Civil, os dados extraídos do telefone de Silvana poderão “contextualizar os eventos”. Os celulares de Cristiano, que é soldado da brigada militar, como é designada a Polícia Militar no Rio Grande do Sul, e da atual companheira dele, também foram apreendidos. Segundo a Polícia Civil, eles não forneceram as senhas dos aparelhos.

A quebra do sigilo telefônico, no entanto, mostrou uma movimentação suspeita de Cristiano. A medida permite que a polícia identifique horários e locais que o telefone foi utilizado, além do conteúdo de mensagens e de arquivos armazenados no telefone. Para isso, no entanto, é necessário que as senhas dos aparelhos sejam fornecidas.

— Para alguns celulares foram fornecidas as senhas. E dois telefones, do suspeito e da atual companheira dele, que são relevantes e pertinentes para a celeridade das investigações, não foram informados quais as senhas para poder acessar — afirmou o delegado Anderson Spier.

Segundo a polícia, a principal hipótese é de feminicídio e duplo homicídio. A defesa do suspeito afirma que ainda não teve acesso aos autos e à decisão judicial e que, por isso “não há como ter qualquer posição”.

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Soldado diz que estava jantando com amigos no dia do desaparecimento

Para a polícia, Cristiano esteve próximo dos pais de Silvana no dia do desaparecimento deles, em 25 de janeiro, um dia depois da filha. Foi o próprio Cristiano quem registrou a ocorrência e, em um primeiro momento, foi ouvido como testemunha. Depois, quando foi preso, ele permaneceu em silêncio.

— Na ocasião, a gente aproveitou e perguntou para ele onde ele estava na hora dos eventos. Ele nos relatou que estava jantando com um casal de amigos em um local em Cachoeirinha. Ele ofereceu a versão de que estava fazendo um trabalho em uma obra da família, mas esse local não tem como comprovar que ele estava lá — afirmou o delegado.

O soldado pode ficar preso por no máximo 30 dias. A Brigada Militar informou que Cristiano será afastado do serviço, com a investigação sendo acompanhada pela Corregedoria-Geral da corporação.

Possível motivação

Segundo a Polícia Civil, Silvana e Cristiano não tinham uma boa relação e, dessa forma, essa poderia ser a motivação do crime. Os dois têm um filho de nove anos, que morava com a mãe, mas passava os fins de semana na casa de Cristiano.

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Depois que Silvana desapareceu, Cristiano foi até o Conselho Tutelar. O órgão recomendou que o filho ficasse com ele durante as investigações, mas com a prisão, a criança está com a avó paterna.

Silvana já tinha acionado o Conselho Tutelar antes para falar que o menino possui restrições alimentares e que o pai desrespeitava as orientações dela sobre a dieta da criança.

O desaparecimento

Silvana foi vista pela última vez em 24 de janeiro, mesmo dia em que publicou que sofreu um acidente em Gramado. A polícia, no entanto, afirma que o acidente nunca aconteceu, e que Silvana fez a publicação para despistar o desaparecimento. O celular dela está desligado desde então.

Um dia depois, os pais saíram para procurar a filha depois de saberem por vizinhos sobre a postagem. O delegado afirma que os idosos foram até a delegacia para registrar o desaparecimento da mulher, mas a unidade estava fechada. Também não houve mais informações sobre o paradeiro deles depois disso.

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O carro de Silvana foi encontrado na garagem da casa dela, com a chave dentro de casa. Dessa forma, para os investigadores, isso descarta a hipótese de que ela teria viajado.

Na noite do dia 24 de janeiro, um carro vermelho foi visto entrando na casa de Silvana às 20h34min e saiu oito minutos depois. Quase uma hora depois disso, às 21h28min, o carro da mulher entrou na garagem. Já às 23h30min, mais um carro chegou até o local, ficou até às 23h44min, e foi embora. Ainda não há informações sobre a identificação dos motoristas desses veículos.